Todas as possibilidades de convivência das diversas formas de vida na Terra. A relação humanos - Terra. A relação humanos - humanos. A relação humanos - outras espécies.
Eleições no Reino Unido. Primeiras projecções. Os conservadores perdem a maioria, o Labour ganha mais de 20 deputados. Enquanto esperamos mais resultados, temos mais uma diversão americana, desta vez FBI - Presidente. Os nossos neurónios pediam desafios mais interessantes, mas foi o que se pôde arranjar. O director do FBI, recentemente demitido pelo Presidente, respondeu em audição no Senado. Percebemos imediatamente que não é qualquer um que chega a director do FBI. Aliás, é muito mais fácil chegar a Presidente :) Não fossem as perguntas do senador McCain, fora da linha geral, e a personagem (porque, tal como o Presidente, trata-se de mais um actor, só que convincente), saía da prova oral com 20 valores :) Assim, encalhou na investigação a Hillary Clinton. O sistema político americano já revelou a sua fraca performance, o seu lado obsoleto, o seu falso equilíbrio. É um corpo de leis e de personagens que se movimentam para servir as elites. Verifica-se uma distância enorme com a realidade do dia a dia, o seu ritmo, as vidas de pessoas comuns. Mas há que se lhes tirar o chapéu: são bons actores. Actores convincentes. E de novo voltar à Europa. Ao Reino Unido. Reacções festivas do Labour. Os jovens perceberam a importância de ir votar nestas eleições. Repõe-se o equilíbrio e a representatividade das populações no parlamento. Entre a audição do director do FBI e as eleições no Reino Unido, ficamos de coração apertado com imagens da violência da polícia contra manifestantes na Venezuela.
O debate está aceso no Reino Unido. As eleições de 8 de Junho serão decisivas. Muitos jovens podem ainda não ter percebido a importância do seu voto. Afinal, o seu voto não contou no Brexit, atiraram-nos para fora de uma Europa onde já se sentiam em casa. E no entanto, a possibilidade da inovação cultural na política reside no seu voto.
Vivemos numa época de transição da política: das ideologias de grupos competitivos com propostas para formatar a nossa vida colectiva, para plataformas políticas baseadas na participação cívica responsável, comunidades criativas que trabalham em colaboração. Neste momento, o Labour é o que se aproxima dessa cultura política inclusiva, que responde a desafios concretos e procura o equilíbrio social. É o primeiro passo para a inovação cultural na política. Os conservadores são actualmente o principal obstáculo a essa possibilidade. A fórmula é muito simples: votar estrategicamente - participar na vida política - criar comunidades criativas - trabalhar em colaboração. Não se sabe ainda se o Brexit é ou não um processo reversível. Tudo está a mudar muito rapidamente. Quando votaram Brexit, ainda desconheciam a nova realidade mundial e as suas implicações: - a nova administração americana e os estragos que pode implicar a nível político, económico, ambiental; - os atentados em Londres e Manchester, e os enormes desafios a nível da segurança, que depende de uma colaboração estreita entre países e continentes; - as tensões sociais e a agressividade xenófoba, inflamada pela irresponsabilidade política dos Brexiteers, que utilizaram os imigrantes como bodes expiatórios. A Europa também está a viver um período de transição, o que terá implicações, inevitavelmente, na UE, nos seus actuais desequilíbrios, e na sua cultura política e económica. Este é o portal que se abre no tempo para os jovens do Reino Unido. E porquê no tempo? Porque a incompetência política, a incapacidade de identificar os desafios, destacar as prioridades, escolher as estratégias eficazes, pode atrasar um país e com ele as vidas de gerações, por uma ou mais décadas. Essa é a importância do seu voto.
Inicio com uma provocação sobre os equívocos culturais relativamente às condições básicas de umas quaisquer eleições livres, para depois tentar visualizar possíveis soluções para uma situação de emergência humanitária e a criação de condições favoráveis à realização de eleições na Venezuela.
Alguns equívocos culturais sobre eleições livres: Umas eleições são consideradas livres 1 - desde que se apresentem dois candidatos, o do governo e o da oposição ao governo, 2 - e não haja batota na contagem dos votos. Temos aqui dois equívocos nestas duas condições básicas. Equívocos que levam a pensar que se resolve o assunto com observadores imparciais e já está. O primeiro equívoco: basta que haja dois candidatos, o do governo e o da oposição. Para serem livres, umas quaisquer eleições necessitam de condições favoráveis à observação e avaliação das candidaturas, e à reflexão para uma decisão adequada às expectativas dos eleitores. Considerando estas condições básicas, já temos duas eleições que não as respeitam: a recente, nos Estados Unidos, e as próximas, no Reino Unido. Nos Estados Unidos, pela apresentação de duas candidaturas indesejadas pela maioria da população. No Reino Unido, pela situação de tensão social pós-Brexit. Estados Unidos: a apresentação de apenas duas candidaturas a votos parece-me muito fraca para garantir uma escolha abrangente. Pior ainda quando nenhuma responde às expectativas da população: mudança e equilíbrio social. Reino Unido: programar eleições quando o país vive uma situação de tensão social, uma enorme ansiedade relativamente a um futuro incerto, desconfiança instalada, agressividade xenófoba, parece-me altamente irresponsável. Ora, muito mais difícil será criar estas condições na Venezuela. É preciso tempo, assegurado por um compromisso entre o governo e a população com a mediação da ONU. Não vejo legitimidade num compromisso governo - oposição. É precisamente quando há turbulência nas ruas, tensão social, ou mesmo o caos a instalar-se, que aparecem os heróis de circunstância, que captam votos apenas a navegar as ondas de protesto. Os eleitores têm de ter as condições necessárias para analisar o candidato, o seu percurso, a sua credibilidade, antes de lhe conferir legitimidade. O segundo equívoco: desde que não haja batota na contagem dos votos. Antes do processo contagem dos votos, as batotas possíveis podem ter já acontecido: mentiras, boatos, ocultação de informação importante, ausência de transparência, acordos e agendas secretas. E não vamos mais longe, voltamos aos Estados Unidos. A confusão mediática sobre as relações presidente e os seus próximos - Rússia, vai continuar. E isto podia ter sido evitado com mais exigência relativamente às candidaturas. A responsabilidade é, pois, do partido republicano, do partido democrata e do próprio sistema político. Quais as condições básicas que garantem que umas quaisquer eleições sejam consideradas hoje, de facto, livres? - a possibilidade dos eleitores observarem, analisarem, avaliarem os candidatos e as suas agendas; - as condições favoráveis, tempo e tranquilidade social, a esta reflexão dos eleitores para uma escolha que responda às suas expectativas; - as candidaturas devem respeitar as regras da democracia: transparência, informação fidedigna, credibilidade, experiência comprovada, equipas de suporte, participação de comunidades, etc.
- o papel da comunicação social, que deve igualmente respeitar as referidas regras democráticas.
Os media têm servido mais de transmissores acríticos de informação duvidosa, de fugas de informação contraditórias, numa motivação mais financeira do que ética e cívica;
- a abrangência das candidaturas ser suficiente para responder às expectativas da população na sua diversidade, o que permite garantir legitimidade. Ora, dificilmente a existência de apenas duas candidaturas que chegam à final, depois de filtradas por um sistema político, podem assegurar esta abrangência, ficando uma grande parte da população sem candidato. Exemplo: muitos jovens que estavam com Bernie Sanders, nas eleições americanas.
A Europa - instituições e populações -, já se apercebeu da ligação eleições - ataques terroristas. É uma forma de interferir na vida colectiva de países e continentes, e destruir os seus laços comunitários. É da maior irresponsabilidade aproveitar a tragédia humana em termos políticos. É continuar a inflamar a nuvem de fumo destruidora. É uma traição relativamente aos seus conterrâneos, à dignidade humana, e aos valores da democracia. É também uma cultura da morte e destruição. A colaboração entre países e populações nunca foi tão necessária. Perceber como funciona a violência, o que a despoleta, o que a alimenta, de que meios se serve, em que condições se propaga, E criar o ambiente que permite evitar que esta lógica mortífera e destruidora se instale e normalize. Uma comunidade humana de colaboração e partilha, inclusiva, onde todos têm lugar, onde todos participam. É importante que as novas gerações aprendam a descodificar culturalmente as mensagens de violência, a sua natureza, assim como os que se aproveitam dela para conquistar o poder, propondo a separação, a divisão, e prometendo o paraíso de um mercado global. Exemplos: Le Pen em França; os Conservadores e os Brexiteers no Reino Unido. Na actual situação cultural no Reino Unido, com graves tensões sociais, bullying xenófobo, em que os imigrantes funcionam como bodes expiatórios, vejo com enorme dificuldade a possibilidade de criar uma comunidade inclusiva, onde todos participam e colaboram, um ambiente favorável a laços sociais, à confiança, à democracia, que melhor permitem a prevenção da violência. As próximas eleições são fundamentais para iniciar um processo de cura, começando pelo início: identificar as verdadeiras causas das desigualdades sociais, da exclusão social e da violência. Neste momento, esta possibilidade surge em votar estrategicamente, e cada voto conta, de forma a apear os Conservadores. A seguir, preparar plataformas políticas comunitárias, que tragam à política a transparência, a confiança, a credibilidade, a legitimidade e a eficácia perdidas.
Como senti na alma o peso de lideranças que abafaram e alienaram o país, consigo imaginar o que estarão a sentir populações de países como o Reino Unido, a América, a Turquia... só para referir alguns. No caso português, encontrou-se uma solução inovadora, uma equipa formada por um acordo inédito, de três grupos políticos, e que funciona. Parte da sua eficácia deve-se à vontade da maioria da população. E a outra parte à própria equipa: quem estragar o seu funcionamento sabe que irá enviar a população de volta ao séc. XX. Hoje deve pensar-se na gestão política em termos de equipas, de acordos e/ou coligações. Já não faz sentido a gestão política apresentada ao público por um rosto e uma voz que tudo transmite e tudo representa. Estou a pensar, é claro, em Theresa May, em Trump e em Erdogan. Dir-me-ão: alto lá! Há diferenças. Diferenças? Em termos das consequências para as suas populações? Uma quer reforçar a sua legitimidade e a do Brexit, outro quer mostrar que é o homem mais poderoso do mundo, o terceiro juntou poderes em si próprio que legitimam uma tirania. As populações do Reino Unido vêem-se agora condicionadas a voltar ao séc. XX e nem sei se não será para séculos anteriores. As que votaram Brexit arrastam agora todas as outras. As próximas eleições extraordinárias poderiam ser uma oportunidade para travar este desastre cultural, económico e político, se os grupos e movimentos se juntassem e colaborassem na construção de uma alternativa viável ao governo actual. Estou mais optimista em relação à América. A inovação cultural está viva nas populações, mesmo naquelas que votaram Trump. O grande desafio será conseguirem furar um sistema político que foi construído para favorecer as elites e manter as populações no seu lugar. A nomeação de Trump deixou essa realidade a céu aberto. Agora as populações sabem que há um sistema político a reconstruir, equipas a formar, novos grupos e movimentos. Quanto à Turquia, já imaginaram uma cidade como Istambul, que reflecte uma cultura aberta e flexível e consegue a proeza de fazer a ponte entre uma civilização antiga e uma perspectiva actual, ser condicionada à lógica do controle absoluto, à linguagem bélica, à criação alucinada de inimigos? O que é que está a acontecer com as lideranças políticas actuais que todas se assemelham? E logo em países estratégicos para a vida do planeta.
Fiquei arrepiada ao ver esta reportagem da TVI 24, O Novo Muro. O Reino Unido, que no séc. XX esteve na vanguarda, retrocedeu culturalmente e ainda ando a ver para que século. De qualquer modo, foi para um tempo de trevas. Reparem em cada experiência relatada, neste caso são conterrâneos nossos mas podiam ser quaisquer outros estrangeiros. Reparem também como os nossos conterrâneos não têm qualquer apoio, digno desse nome, do consulado ou da embaixada. Estão entregues a si próprios num meio hostil. E reparem na gravação do discurso da PM e no tom de voz, frio, impessoal, como se de um robot se tratasse. Não prevejo a possibilidade de ver pacificar e regenerar esta tensão cultural, que odeia e rejeita tudo o que é diferente, no tempo de duas gerações. Primeiro, ainda têm de sentir as consequências sociais e económicas desta decisão, que foi irresponsavelmente promovida pelos conservadores e pelos populistas. Depois, ainda têm de verificar que lhes mentiram, que a presença dos estrangeiros não era a causa das suas dificuldades económicas. Quando um país atinge este grau preocupante de tensão social, tudo nos indica que vai passar por um período de conflitos e até de uma certa violência. Ora, o ambiente propício à qualidade de vida, à prosperidade económica, à inovação, à segurança, é a democracia e a colaboração entre comunidades. Estarão os jovens europeus dispostos a viver num ambiente em tudo hostil às suas expectativas legítimas? Não creio. Os que tiverem alternativa num outro país europeu, não hesitarão. A França pode aprender muito com o actual cenário cultural e social do Reino Unido pós-Brexit. As eleições são um teste importante à capacidade dos franceses descodificarem a mensagem dos populistas, identificarem a sua cultura de base e desmontarem a sua agenda.
O Partido Pirata tornou-se um franchizing político: Suécia, Berlim, Islândia. Democracia baseada na transparência, no empowerment dos cidadãos, na participação, nas redes sociais. É, sem dúvida, uma cultura política do séc. XXI. Em Londres ganhou o Labour Party. Estas são as boas notícias da Europa. As más aí vão: A Europa deu argumentos ao PM da Turquia para a acusar de "cruel" ao "fechar as portas aos refugiados". A Grécia não consegue a compreensão do Eurogrupo, nem depois de ter acolhido milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação económica precária. Verifica-se um ressurgimento preocupante da extrema-direita nos países do norte e centro e, a sul, na Grécia. A Espanha vai ter de repetir eleições. Obama vem ao Reino Unido e traz o TTIP na pasta. Ricardo Paes Mamede lembrou no Números do Dinheiro desta semana os benefícios da integração europeia em programas como o Erasmus e os subsídios para a investigação. Mas logo depois lembrou o caminho escolhido pelas instituições europeias, sobretudo a partir da crise financeira de 2008. Ninguém revelou muito entusiasmo a falar da Europa na televisão. A Europa política, económica e financeira, o projecto inicial de colaboração entre os países, tudo isso foi adulterado pelos tecnocratas e pela finança. E os políticos foram atrás. Claro que todos juntos somos mais fortes. E que seria óptimo ver o projecto original a desenhar-se de forma saudável. Mas o que vemos é um edifício metálico à prova de informação e transparência. Trata-se de um poder centralizado que não responde perante instituição alguma. Apesar de ter um parlamento.