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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Reino Unido: a possibilidade de criar as condições que melhor garantem a segurança






A Europa - instituições e populações -, já se apercebeu da ligação eleições - ataques terroristas. 
É uma forma de interferir na vida colectiva de países e continentes, e destruir os seus laços comunitários.

É da maior irresponsabilidade aproveitar a tragédia humana em termos políticos. 
É continuar a inflamar a nuvem de fumo destruidora. 
É uma traição relativamente aos seus conterrâneos, à dignidade humana, e aos valores da democracia.
É também uma cultura da morte e destruição.


A colaboração entre países e populações nunca foi tão necessária.
Perceber como funciona a violência, o que a despoleta, o que a alimenta, de que meios se serve, em que condições se propaga, 
E criar o ambiente que permite evitar que esta lógica mortífera e destruidora se instale e normalize.
Uma comunidade humana de colaboração e partilha, inclusiva, onde todos têm lugar, onde todos participam.

É importante que as novas gerações aprendam a descodificar culturalmente as mensagens de violência, a sua natureza, assim como os que se aproveitam dela para conquistar o poder, propondo a separação, a divisão, e prometendo o paraíso de um mercado global.
Exemplos: Le Pen em França; os Conservadores e os Brexiteers no Reino Unido.

Na actual situação cultural no Reino Unido, com graves tensões sociais, bullying xenófobo, em que os imigrantes funcionam como bodes expiatórios, vejo com enorme dificuldade a possibilidade de criar uma comunidade inclusiva, onde todos participam e colaboram, um ambiente favorável a laços sociais, à confiança, à democracia, que melhor permitem a prevenção da violência.

As próximas eleições são fundamentais para iniciar um processo de cura, começando pelo início: identificar as verdadeiras causas das desigualdades sociais, da exclusão social e da violência.
Neste momento, esta possibilidade surge em votar estrategicamente, e cada voto conta, de forma a apear os Conservadores.
A seguir, preparar plataformas políticas comunitárias, que tragam à política a transparência, a confiança, a credibilidade, a legitimidade e a eficácia perdidas.






segunda-feira, 24 de abril de 2017

França: o que está a falhar na segurança das populações?




Post publicado no Vozes Dissonantes:

Ontem acompanhei os resultados da 1ª volta das eleições presidenciais francesas. E, no final, quando se tinham já perfilado os 2 candidatos à 2ª volta e vi ali Le Pen, percebi claramente que o medo a ajudou.
O paradoxo do securitarismo a partir do medo é que não garante a segurança das populações e cria obstáculos à própria segurança ao alimentar um ambiente propício à insegurança.
É isso que os media deveriam ter descodificado da mensagem de Le Pen, e desmontado as ligações perigosas com a Rússia.
É aqui que as democracias actuais falham na protecção das populações: a segurança depende da democracia, da transparência, da informação correcta às populaçõesTudo isto faz parte da prevenção.
Também faz parte da prevenção: o trabalho dos serviços de informação, dos especialistas da internet, dos ataques cibernéticos, da contra-informação, da investigação de ligações políticas e/ou financeiras a interesses adversários ao país e às populações que representam.
Assim como os media não contextualizam o resultado de Le Pen, nem os serviços de informação assinalam nada de estranho nas ligações à Rússia, também não esperamos que consigam contextualizar a revolta de jovens parisienses logo depois de conhecidos os resultados da 1ª volta. O desespero inconformado de quem se sente impotente, quando expresso em violência caótica e revolta mal dirigida, não gera empatia ou compreensão nas populações. E geralmente é-nos apresentado apenas de forma simplista: grupos de anarquistas, por exemplo. São jovens e estão desesperados. São jovens e sentem-se impotentes. São jovens e o sistema não os ouve.
A tensão social é propícia à violência, e se juntarmos a este ambiente de alta tensão quaisquer interferências previstas, todo o cuidado é pouco.

O que está a falhar na segurança das populações?
o sistema político actual. Para se dizer democrático, precisa de se reformar de cima abaixo;
a investigação de ligações políticas e/ou financeiras perigosas para a segurança do país, da população, mas também da Europa e das suas populações;
os media que normalizam o inaceitável, acabando por ser um obstáculo à informação que as populações precisam para decidir da melhor forma (neste caso, as eleições). O voto deveria servir para garantir a sua própria segurança e a possibilidade de ver concretizadas as suas legítimas expectativas.

As bases de uma democracia de qualidade - informação, transparência, comunicação, equilíbrio, inclusão - são as que melhor garantem a prevenção e a segurança.

As pessoas estão entregues a si próprias e é natural que procurem informação nas redes sociais. É certo que lá encontramos muita informação falsa, contra-informação, propaganda mal intencionada, etc., mas há a possibilidade de aprender a filtrar a informação fiável, fidedigna e útil, se estivermos atentos e treinarmos a capacidade de verificar a correlação de diversos factores.
Há que estar atento, alerta, mantendo a calma. Não é fácil.
Há que observar, descodificar, desmontar, procurando a informação mais fiável.
Há que escolher a melhor solução, a que melhor garante o ambiente de segurança propício ao equilíbrio democrático e à prosperidade económica. 




segunda-feira, 10 de abril de 2017

A França pode aprender com o retrocesso cultural do Reino Unido pós-Brexit





Fiquei arrepiada ao ver esta reportagem da TVI 24, O Novo Muro. O Reino Unido, que no séc. XX esteve na vanguarda, retrocedeu culturalmente e ainda ando a ver para que século. De qualquer modo, foi para um tempo de trevas.

Reparem em cada experiência relatada, neste caso são conterrâneos nossos mas podiam ser quaisquer outros estrangeiros. 
Reparem também como os nossos conterrâneos não têm qualquer apoio, digno desse nome, do consulado ou da embaixada. Estão entregues a si próprios num meio hostil. 
E reparem na gravação do discurso da PM e no tom de voz, frio, impessoal, como se de um robot se tratasse.

Não prevejo a possibilidade de ver pacificar e regenerar esta tensão cultural, que odeia e rejeita tudo o que é diferente, no tempo de duas gerações. 
Primeiro, ainda têm de sentir as consequências sociais e económicas desta decisão, que foi irresponsavelmente promovida pelos conservadores e pelos populistas.
Depois, ainda têm de verificar que lhes mentiram, que a presença dos estrangeiros não era a causa das suas dificuldades económicas.

Quando um país atinge este grau preocupante de tensão social, tudo nos indica que vai passar por um período de conflitos e até de uma certa violência.
Ora, o ambiente propício à qualidade de vida, à prosperidade económica, à inovação, à segurança, é a democracia e a colaboração entre comunidades.

Estarão os jovens europeus dispostos a viver num ambiente em tudo hostil às suas expectativas legítimas? 
Não creio. Os que tiverem alternativa num outro país europeu, não hesitarão.


A França pode aprender muito com o actual cenário cultural e social do Reino Unido pós-Brexit. 
As eleições são um teste importante à capacidade dos franceses descodificarem a mensagem dos populistas, identificarem a sua cultura de base e desmontarem a sua agenda.

   

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A identificação com o agressor





Procurava eu aqui alguma coisa de positivo no que aconteceu na noite do dia 9, mas a cada dia que passa desde a eleição de Trump o que surge é o medo. E o que é o medo? Um aviso do nosso sistema límbico de uma situação de perigo para a qual temos de dar uma resposta rápida. No fundo, o medo é o sistema básico de preservação da espécie.

Também a Constituição americana foi construída para garantir:
- a preservação de cada cidadão e a possibilidade de se exprimir livremente, de se realizar pessoalmente, de prosperar e até de ser feliz;
- a convivência pacífica e harmoniosa entre os diversos cidadãos e entre as diversas comunidades;
- a organização de um país por estados e a sua representação equilibrada num governo com diversos filtros do poder.

No entanto, a Constituição americana não foi suficiente para evitar um Hoover ou um McCarthy. E o Al Capone só foi preso pela fraude fiscal.
A liberdade de expressão permitiu o apelo à separação, à delação, à perseguição, à violência, à opressão. Tudo o que a Constituição permite evitar.

É verdade que se aprende com os erros, mas este erro vai sair muito caro, pode até vir a ser um erro fatal. Não apenas para a América, mas para todos nós.
Quem nos pode garantir hoje a mais básica de todas as nossas expectativas: a preservação da nossa espécie?  

Após o aviso, o sinal de alarme do nosso sistema límbico, não nos devemos deixar ficar paralisados nessa double bind.

Arno Gruen está muito actual. Mostra-nos como o agressor se alimenta do ódio e da negação do medo, do sofrimento, da dúvida: a linguagem do poder. Este tipo de personalidade, o agressor (lógica do ganha - perde) verifica-se numa pequena minoria da população mas gravita inevitavelmente à volta do poder. Por isso a encontramos onde o poder se exerce, seja político, financeiro, bélico. 
O mais interessante da sua análise é constatar a tendência para o conformismo na maioria da população (e isto parece verificar-se no geral das populações). É isto que explica entregar o poder ao seu próprio inimigo ou a identificação com o agressor.

Dito assim é assustador, mas é isso que acontece. Também aconteceu em 2011 em Portugal apelando à vinda da troika, vendendo aos cidadãos os benefícios da austeridade, culpabilizando-os pela dívida e fazendo-os sofrer. Para sair desta double bind foi preciso um golpe de sorte senão ainda lá estaríamos sequestrados.
Mas veja-se a situação actual dos gregos, depois de terem sido humilhados pela UE e até pelos outros países membros. Ainda estão sequestrados pela double bind da dívida e do euro. 

Arno Gruen mostra-nos as diversas fases das reacções humanas no caminho da verdadeira maturidade: conformismo - rebeldia - autonomia.
É a autonomia, a responsabilidade por nós próprios e pelos nossos concidadãos do mundo que nos irá permitir sair da double bind da linguagem do poder.





sábado, 26 de março de 2016

A cor e o som da violência

Não é correcto dizer-se que a violência do terrorismo é recente na Europa e no mundo ocidental. A última década foi relativamente calma por estes lados, graças a Deus.
Mas a história da violência do terrorismo ainda está presente na minha memória desde a infância. Os anos setenta e os desvios de aviões, os jogos olímpicos de Munique, o IRA na Irlanda do norte, os Baader-Meinhof na Alemanha, as Brigadas Vermelhas na Itália, Aldo Moro... Isto tudo era notícia que enchia jornais. Algumas destas histórias eram dissecadas até ao pormenor na Reader's Digest, ainda em pronúncia brasileira. E isto em cima das histórias da guerra colonial e das filmagens do mato e dos votos de Boas Festas no Natal: até ao meu regresso.... Muitos não regressaram.
Os anos oitenta, noventa, e o início dos anos dois mil também foram agitados. A violência terrorista culminou em Nova Iorque e em Madrid. Voltou recentemente, desta vez em Paris e Bruxelas.

É sim correcto dizer-se que a violência do terrorismo se tornou mais preocupante. Antes os terroristas ainda divulgavam um motivo político e os ataques eram dirigidos e cirúrgicos. Agora os alvos são cidadãos indefesos. O que torna tudo mais horrível. A insanidade parece-me maior, é a glorificação da morte, a cultura da morte, o vazio total.

Para uma criança as histórias de violência adquirem uma cor e um som, pelo menos foi assim comigo. A cor, o cinzento do fumo e o vermelho do sangue. O som, uma sirene estridente e gritos aflitos. 
Por isso fiquei tão perturbada ao ver as filmagens do atentado recente no aeroporto de Bruxelas. Via-se fumo e ouviam-se gritos que me pareceram de criança.







segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A melhor defesa dos cidadãos é a prevenção

Hoje qual é a melhor estratégia para assegurar a segurança dos cidadãos?
E qual foi a estratégia escolhida pelas lideranças de França, Reino Unido, Alemanha?

O que falhou em Paris? Não era lógico que fosse por aí que deviam começar? Reunir para analisar o que falhou, que tipo de violência é esta, como se financia, como adquire o armamento, como se desloca entre países, como se infiltra nos países, como recruta adolescentes? E seguidamente definir as melhores estratégias para lidar com este tipo de ameaça para os cidadãos?

Os cidadãos são precisamente o alvo deste tipo de ataques. Os cidadãos que querem apenas viver em paz e poder confiar que as lideranças são capazes de assegurar a sua segurança.

Os cidadãos têm de observar e reflectir no que se está a passar em seu nome: 
Qual a resposta mais adequada a este tipo de ataques terroristas?
Qual o papel dos cidadãos na sua própria defesa e segurança?
Qual o papel dos cidadãos na questão urgente dos refugiados?
Quem ganha com intervenções militares? 
Quem lucra com a guerra convencional?

A resposta mais adequada a este tipo de violência terrorista é a prevenção, utilizando as novas tecnologias e procurando antecipar possíveis ataques.
Ao nível da Defesa, um novo tipo de intervenção, na nova lógica do séc. XXI: inteligente, rápida, de antecipação. Com a utilização das novas tecnologias. Com a capacidade de ter acesso ao mundo opaco e informal da Finança, porque é aí que hoje tudo começa.
Ao nível social, todos sabemos o que isso implica: investir realmente no futuro dos jovens sem futuro. Contrariar as crescentes desigualdades sociais. E começar já. Claro que as condições sociais não explicam tudo, mas explicam muito. Como disse recentemente um especialista, a frustração de jovens desocupados que deambulam por bairros que são autênticos guetos, e se apercebem das crescentes desigualdades sociais, é uma condição favorável à sua recruta.


O papel dos cidadãos é mais importante do que se imagina:

Desmontar os equívocos sobre a violência. E, para isso, nada como ler atentamente Arno Gruen: "Falsos Deuses", "A Loucura da Normalidade" e "A Traição do Eu". É preciso compreender a natureza da violência, aprender a lidar com ela e a prevenir que se expanda. E é tão fácil expandi-la, justificá-la e massificá-la... Segundo Arno Gruen, uma grande parte da população é conformista, isto é, facilmente manipulável. É aqui que reside a sua maior fragilidade.

Não se deixar embalar pelos discursos oficiais, distanciar-se de respostas reactivas, pensar pela sua própria cabeça. Observar as decisões políticas das lideranças, e a comunicação social que matraqueia as posições oficiais. Observar a realidade sem filtros ilusórios ou distorcidos. Só na BD ou nos discursos oficiais o mundo é a preto e branco. As lideranças falam de uma ameaça exterior, como se a violência viesse de fora, de um território delimitado e de culturas e nacionalidades definidas. A ameaça já cá está. Recrutando adeptos, jovens vulneráveis e impressionáveis à glorificação da morte, a ilusão de uma heroicidade. Não é por acaso que estes jovens são adolescentes. E não é por acaso que vivem em bairros sem futuro. Ninguém pode viver sem futuro. 

Estar atento e vigilante, de forma calma e ponderada, a todos os apelos à violência e tentar definir a forma como prevenir os focos de violência. Prevenir é agir de forma empática e sensata, cada um à sua dimensão e responsabilidade, e em colaboração. As redes sociais são um meio de comunicação e de informação muito poderoso. A globalização não beneficiou apenas a finança sem lei nem regras, os negócios internacionais obscuros, e agora este tipo de violência contra cidadãos. A globalização aproximou os cidadãos à escala planetária.

Promover a cultura da empatia e da colaboração. A intervenção vai passar pela educação das novas gerações, pela sua preparação para um mundo que publicita e glorifica a violência e a morte. A sua preparação para observar e reflectir, e agir de forma autónoma e responsável. A sua preparação para identificar a violência, no local onde vive, na família, na escola, na universidade, nas redes sociais, na finança, nas multinacionais, na venda de armas, nos crimes ambientais, nas decisões políticas. O ódio e o medo são os melhores aliados da cultura da violência e da destruição. É o ódio que preenche o vazio da linguagem do poder, e é o medo que a alimenta.

Num vídeo que se tornou viral, um pai tenta explicar ao filho o inexplicável sobre a violência, revelando a atitude saudável, calma, empática, de responder à violência. Quando a criança diz, amedrontada, Temos de mudar de casa, o pai responde, A França é a nossa casa. Mas eles são maus..., Há maus em todo o lado. Mas eles têm pistolas..., E nós temos velas e flores..., As velas e flores é para nos proteger.

Um desabafo nas redes sociais que também se tornou viral, o de um pai que perdeu a mulher: Náo terão o meu ódio.

E pensemos na coragem de alguns que, perante os tiros no recinto, ainda assim, protegeram outros com o seu corpo. Ou nos que, na rua, foram socorrer os feridos sem pensar nos riscos que corriam, enquanto outros escondiam os fugitivos aterrorizados na sua casa.








terça-feira, 19 de maio de 2015

A cultura de violência financeira

Se alguém acreditou no slogan da propaganda eleitoral europeia "desta vez é diferente", já teve oportunidade de verificar que era mais uma grande mentira. Afinal, não é com vinagre que se apanham moscas (graças a Deus deixei de ser mosca).
Não só não é diferente como o BCE, a CE e o Eurogrupo ganharam novo fôlego no caminho do domínio da finança sobre a economia e os europeus, as tais pessoas do vídeo eleitoral.
Este caminho do domínio da finança está perfeitamente visível na humilhação da Grécia, esse processo abjecto em que Portugal colaborou activamente. Também aqui se verifica não apenas a distorção completa do que prometia a propaganda eleitoral como uma terrível violência contra todo um povo em apuros, as tais pessoas que se prometia ouvir e apoiar. Afinal, para estes tecnocratas quem são os europeus do vídeo eleitoral?

A violência na humilhação da Grécia, pelo BCE, a CE e o Eurogrupo, secundados pelo FMI, vai ter consequências imprevisíveis.
Há muitas formas de violência e esta, a financeira, efectuada à distância, de forma impessoal, fria, metálica, à séc. XXI. é tão destrutiva como as outras. Provocar a exclusão e espalhar a fome, por países da Europa e por novos guetos regionais, enquanto reembolsa os últimos trocos e os juros, é uma forma de violência abjecta.
Mas veja-se como a ministra das finanças de Portugal se comportou quando chegou ao "Olimpo dos Deuses" da nova Europa: perfeitamente enquadrada na cultura de violência financeira.

Uma resposta criativa deu-a uma jornalista que furou a segurança de Mr. Draghi para espalhar confetti sobre a sua "divina"cabeça.      







quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A verdadeira ironia

Do Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª edição: Ironia = Forma de interrogação outrora empregada por Sócrates em relação aos sofistas e que consistia em levá-los a contradições sucessivas para os convencer dos seus erros. // Sarcasmo em que se diz o contrário do que se que dizer e em que só pelo tom se reconhece a insinceridade das palavras. // Aquilo que apresenta contraste frisante com o que logicamente devia ser.

A verdadeira ironia desta tragédia recente em França é que os auto-intitulados "libertários", isto é, os que defendem a "liberdade acima de tudo", estão a contribuir activamente, e sem disso terem sequer consciência, para a limitação da liberdade na Europa.
E comparar a sátira agressiva (já vou explicar porque a considero assim) com o jornalismo de investigação ou com a reportagem de guerra que tornam visíveis as mortes anónimas diárias, não é compreensível.

Causar a morte de outro é o mesmo crime, não é isso que está aqui em causa.
O que está aqui em causa é a violência, a sua necessidade, a construção social de "inimigos", a alucinação de "inimigos", seja em nome da laicidade "libertária", seja em nome do fundamentalismo religioso, seja em nome do pragmatismo financeiro.

A violência e o ódio ateiam-se de várias formas, com palavras, com imagens, com armas.
Reparem que não encontramos a palavra "inimigo" apenas nos discursos inflamados dos fundamentalistas. A palavra "inimigo" surge com preocupante frequência nos discursos de políticos ocidentais, da esquerda à direita.

Tudo o que dizemos ou calamos, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, tem consequências. Primeiro estamos sensíveis à nossa própria experiência, seja agradável ou desagradável. A pouco e pouco aprendemos a ver e a sentir as experiências dos outros e a sentir o que os outros estão a sentir porque já o sentimos. É  a partir desta experiência que surge a consciência. E é a partir desta experiência que surge a responsabilidade.

A verdadeira ironia, a meu ver, é esta contradição humana: em nome do que se acredita (ou se diz acreditar) provocar exactamente o contrário.
Os defensores da "liberdade acima de tudo" estão a contribuir para um caminho securitário e limitador da liberdade (veja-se o que aconteceu depois do 11 de Setembro).
E os defensores da "vida", da "segurança", da "tranquilidade", da "tolerância", estão a contribuir para o aumento das divisões, fracturas e violência.
Como? Deixando-se embalar por palavras, imagens e ideologias que trazem em si mesmas a violência, a fractura, o ódio, a humilhação de outros.
Defender a vida e a liberdade é ter consciência das consequências das nossas palavras, atitudes, comportamento. Defender a vida e a liberdade é defender a paz e rejeitar todo o tipo de violência. 

A verdadeira ironia está de olhos abertos a olhar para dentro de nós e para o mundo. Pode ser directa e cruel, mas nunca apela à violência, nunca humilha. Pelo contrário, confere-nos o poder de nos sentirmos vivos, conscientes e unidos.
A verdadeira ironia traz em si mesma a capacidade de aceitarmos a nossa fragilidade e as nossas contradições. A verdadeira ironia une-nos a todos na nossa humanidade.






Também senti a crueldade da ironia neste início de ano: afinal comecei a falar da possibilidade da Europa se abrir e conseguir receber refugiados e emigrantes, e dias depois o futuro da Europa vai pender para o caminho inverso.









quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A cultura da morte

Vivemos num mundo estranho em que a ficção se mistura com a realidade e tudo se assemelha a um guião de um filme previamente escrito.
As populações seguem esse guião obedientemente, sem reflectir no papel que lhes e atribuído.
Para encontrarmos algum sentido, alguma lógica nas informações que vamos ouvindo e vendo, temos de estar atentos aos pequenos pormenores. Mas mesmo assim tudo nos parece irreal.

Como conciliar por exemplo:
- o jornal satírico já tinha sido vítima de um atentado à bomba e recebido várias ameaças e, por esse facto, as instalações do jornal tinham direito a guarda policial;
o cartoonista desafia o destino com uma provocação sobre um possível atentado ainda em Janeiro;
- os serviços secretos franceses andavam a vigiar os movimentos destes dois terroristas há já algum tempo.

Apesar de nos ser dito que muitos atentados são evitados pela intervenção dos serviços policiais, a verdade é que este atentado estava já anunciado e era quase uma certeza esperada, pelo menos pelo cartoonista principal.
O que mais me incomoda é a morte dos mártires involuntários. Os mártires voluntários levam sempre atrás de si a morte evitável de outros, os que querem viver.

Neste mundo estranho vivemos o culto da cultura da morte, o fascínio pela violência, seja a das armas, seja a das palavras, seja a das imagens.
Lembro-me bem das anedotas sobre a fome em África, como se fosse tema sobre o qual é possível ironizar.
Assim como não é possível ironizar sobre o terrorismo, os fanáticos, os psicopatas.

Hoje vemos que não são os elementos supostamente mais informados e mais cultos de uma sociedade que se comportam como modelos de tolerância e democracia, mas sim as pessoas comuns, as pessoas simples.
A verdadeira cidadania implica uma responsabilidade relativamente às diferenças culturais e uma rejeição de toda a violência verbal ou comportamental.

O que está a acontecer em França lembra-me o filme Babel em que as elites sociais, as instituições, as organizações, são muitas vezes os elementos perturbadores, ao criar divisões e conflitos, enquanto as populações conseguem gerir mais facilmente as diferenças culturais.
É que afinal somos todos o reflexo uns dos outros neste multifacetado rosto humano, em que nos reconhecemos como parte de uma mesma humanidade.







domingo, 29 de setembro de 2013

O Mapa (conto editado no antigo Geocities em 1997, Ano Internacional dos Refugiados)




O Mapa é um conto de 1997, Ano Internacional dos Refugiados, editado no antigo site Geocities e que procurava antecipar um futuro próximo.
Quando nos projectamos num futuro próximo, acabamos por antecipar algumas ferramentas que irão ser desenvolvidas: o painel de pontinhos luminosos em movimento onde a nossa personagem observa os movimentos dos refugiados em tempo real, antecipa os actuais Visualizadores de Informação que funcionam com a actualização permanente dos dados, isto é, constantemente alimentados em tempo real.
Em 1997 vivia-se o fascínio dessa nova tecnologia da comunicação, a internet, mas estava-se ainda longe de prever o verdadeiro impacto que iria ter nas nossas vidas, no trabalho, no convívio social, mas também no incrível desenvolvimento da ciência e da tecnologia e no seu acesso a milhões de pessoas. 
Quanto aos traumas psicológicos após contacto com a violência e sofrimento, em pessoas que permaneceram em cenários de guerra e destruição, são já conhecidos. Resta saber se as terapias actuais são as mais adequadas. No conto, a personagem perde a memória, como vemos acontecer frequentemente em filmes e nas séries de televisão. Na verdade, o cérebro tem as suas próprias defesas, desliga algumas ligações temporariamente para evitar níveis insuportáveis de sofrimento.


O Mapa

GABINETE DE ESTUDOS DOS MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS, 2011, MARÇO
Milhões de pessoas em movimento. No mapa-painel electrónico visualizava melhor todo esse processo. Os dados eram actualizados automaticamente. O início do século iria ficar conhecido como a Época dos Refugiados. Diferentes etnias numa amálgama confusa. Desenraizamento com tudo o que isso implica. A morte de culturas. O seu fim definitivo.
Fizera um estudo exaustivo das principais culturas desaparecidas. Nunca assistira directamente a nenhum desembarque de refugiados nem visitara nenhum campo e acreditava que essa falha podia comprometer a credibilidade do trabalho. Sempre dera prioridade ao lado científico da coisa e às implicações sociais e económicas.
 Conseguia projectar diversos quadros num futuro próximo. Mas não se aproximara das situações. Os dados chegavam-lhe por computador, pedidos selectivamente. De vez em quando, ligeiras alterações, à medida que iam sendo actualizados.
 A amiga descobrira logo desde o início este seu entusiasmo pelo estudo dos movimentos migratórios. Fora dela a ideia de adaptar uma das divisões da casa e construir um pequeno gabinete. Primeiro tinha sido a vez dos Receptores de Informação mais sofisticados, depois o aperfeiçoamento de programas para o tratamento dos dados. Finalmente o mapa-painel com os seus pontos e trajectos luminosos.

Do seu posto de observação, designação que dera ao Gabinete de Estudos dos Movimentos Migratórios, vira tudo isso acontecer. Do seu posto de observação isolado. Primeiro tinha começado por estudar os movimentos migratórios do interior do país para os centros urbanos. Tinham sido tentadas algumas medidas e estratégias de impedimento dessa sangria, é certo. Mas o processo era já irreversível. A descaracterização do país. O país e a sua cultura própria, sempre vistos mais na perspectiva do espectáculo do que na sua essência. Da arquitectura ao estilo de vida, dos valores à linguagem. Já nada era identificável como genuíno, como característico de uma comunidade. A despersonalização em toda a linha. A perda de uma memória colectiva. Um processo irreversível. Mas o pior eram os movimentos migratórios originados por focos de violência e destruição. Iniciara este estudo como sequência lógica do estudo inicial. Estes movimentos migratórios de fuga, de uma destruição para outra forma de destruição, tinham começado a exercer sobre si um enorme fascínio, deveria dizer mesmo obsessão.

Receber um dia uma mensagem electrónica. E nessa mensagem alguém dizer que se interessava imenso pelo estudo dos movimentos migratórios actuais. Sobretudo as consequências dessa realidade, das alterações radicais e violentas. Alguém atento aos seus textos na Internet e que gostaria de trocar algumas ideias. No geral, uma mensagem muito simpática. Assinada O colega.
 Passar a trocar mensagens e ideias com uma certa frequência. Encontrar finalmente um outro entusiasta da recuperação de culturas em risco de destruição. Neste local isolado.

 Hoje em dia o isolamento é muito relativo, pensou, o melhor seria utilizar a palavra deserto. Neste local deserto, onde quase não se vêem pessoas, encontrara uma personagem de ficção. Porque este novo colega de investigações era mais uma personagem do que propriamente uma simples pessoa, digamos uma pessoa próxima da realidade. Conseguia imaginá-lo em todas as situações possíveis mas nunca em situações simples, de todos os dias. A verdade é que sentia uma forte admiração por esta personagem. Na comunicação era o mais lacónico possível. Reservado e sóbrio, não se encaixava em nenhuma das características do homem actual
Enviou-lhe um dia imagens do laboratório. Na mensagem ouviu-o comentar o mapa-painel e os seus trajectos luminosos: 
Parece a sinalização de um aeroporto de noite. Fascinante. É completamente diferente dos gráficos no écran do computador. Lembram os painéis gigantes que víamos nos filmes, naqueles postos de observação militares do século passado. A ideia da actualização contínua e imediatamente visível é engenhosa. Não lhe dá a sensação de qualquer coisa viva? Qualquer coisa que está a acontecer neste preciso momento. Pessoas em movimento.
Respondera-lhe que à distância era diferente. E na resposta ouviu a frase inquietante: 
Eu nunca me consegui distanciar.
Esta observação ficara-lhe registada. O estudo à distância de grupos, quaisquer que fossem, não teria já implícita essa sua forte consciência da importância desses mesmos grupos, mesmo na sua própria existência? Tão forte e absoluta que o levara a dedicar a sua própria existência ao seu estudo? No fundo, esses grupos não tinham muito mais importância do que desejaria admitir, mesmo a si próprio, sobretudo a si próprio? Não exerciam sobre si um fascínio muito maior? Não se rejeita o que mais nos fascina, quando nos fascina de forma tão absoluta? 
Reparou então que ficara absorto no seu próprio raciocínio e não acompanhara o colega que já mudara de tema. Ouviu a voz calma como se fosse um conjunto de sons que começam a surgir do silêncio: 
Tudo passou a ser reciclável hoje em dia. As memórias colectivas, as individuais deixaram de contar, contrariamente ao previsto, o património, os valores, as imagens, até as pessoas.
 Tentou regressar do raciocínio anterior que ainda o incomodava e ouvir com atenção: 
As transformações que o tratamento de imagem passou a exigir, por exemplo. Tornou-se cada vez mais sofisticada neste século. Os gabinetes de recuperação de imagem cada vez mais procurados. É certo que foi uma conquista do século passado mas é agora que vemos proliferar por aí os mutantes. E não só no mundo do espectáculo. Na política, na ciência, na informação.

A ideia de comprometer um trabalho por ser feito à distância começara a preocupá-lo. O seu isolamento científico, a sua protecção da realidade. Dedicar-se ao estudo das pessoas e dos seus movimentos migratórios e nunca ter presenciado por assim dizer nenhuma dessas deslocações.
Estava previsto para breve um desembarque de um grupo numa das cidades já em situação crítica. Tinham recebido vários grupos e esgotado todas as capacidades de acolhimento. Cinco horas de voo se conseguisse lugar num avião da equipa de reconhecimento e apoio às vítimas. Uma ligação directa a um funcionário numa posição estratégica e tudo se arranjava. A hesitação final no momento de efectuar a ligação. A decisão fatal, pensou, enquanto fixava o painel com os trajectos luminosos e coloridos, as luzes a piscar em locais estratégicos.

A viagem não fora tão cansativa como tinha previsto. Tinha tido por companhia as pessoas mais estranhas. Havia os especialistas em evacuações de emergência, com os apoios necessários para a sobrevivência do maior número possível de refugiados. Utilizavam um discurso um pouco hermético com siglas e termos técnicos à mistura e referências a casos anteriores. Conheciam os meandros mais ocultos e sinuosos da política externa e identificavam os motivos desta ou daquela medida. Previam com bastante precisão os movimentos seguintes e planeavam as medidas estratégicas de prevenção. Seriam completamente ultrapassados pelos acontecimentos, como mais uma vez se iria verificar. Por falta de meios e de apoio no terreno. E pela própria dimensão das situações de crise. Havia os especialistas de saúde, seleccionados pela capacidade de intervenção rápida quando expostos a níveis de stress elevados e prolongados. E militares treinados para lidar com multidões em fuga nas situações mais precárias, com o objectivo essencial de protecção, escolha dos trajectos mais seguros e detecção de explosivos nas vias a ser utilizadas. Finalmente alguns especialistas de informação, com o seu linguajar irritante, de quem se exprime para um público, de quem se preocupa com o lado espectacular dos acontecimentos. Verificou que era o único especialista teórico, por assim dizer. Isso começava a preocupá-lo. Como se iria adaptar à situação, à aproximação da realidade, do facto ao vivo e no local.

A cidade evidenciava todos os sinais possíveis da decadência e da destruição sistemática provocada por uma guerra civil. Tudo a saque. As casas desertas, algumas quase totalmente destruídas. O silêncio. A poeira amarela. 
Vagueou pelas ruas que lhe lembraram cenários abandonados de filmes antigos. Num momento a cidade era uma coisa viva, no momento seguinte uma coisa morta. E o pior era o esquecimento. Conhecera culturas que alimentavam as memórias da destruição e do sofrimento a que tinham sido submetidas. É certo, pensou, que mesmo essas culturas, que alimentavam as memórias do seu papel de vítimas de destruição, eram as mesmas que destruíam outras culturas. Vítimas históricas e agressoras históricas. De onde se podia depreender que é tudo uma hipocrisia pegada. Qualquer cultura promove o seu papel de vítima e não o faz inocentemente. Porque também tem vocação de agressor. Mas a memória era fundamental, não para promover a supremacia de uma cultura sobre outra, legitimar essa supremacia, mas para mostrar às pessoas essa realidade de agressores e vítimas, essa lógica humana.
 O homem evolui no sentido da sua própria protecção e sobrevivência num mundo hostil. Agora tudo o ameaça. Processos de destruição sistemática. E tudo à escala mundial.
 Percorreu a distância que o separava do grupo. A mochila pesava-lhe nas costas. Aliás tudo lhe pesava nesse dia. As imagens, sobretudo as imagens que registara. Pessoas aglomeradas em espaços sem quaisquer condições. A subnutrição. As doenças. Pessoas encurraladas, sem saída, sem hipótese de sobrevivência. As imagens registadas são muito diferentes da realidade ao vivo. Vive-se numa época em que se viram todas as imagens possíveis desse horror na televisão ou em vídeo, mas nada se compara à realidade. Vive-se numa época de habituação-banalização-acomodação. A violência e o sofrimento que não se vê não existe. Para se ver a violência e o sofrimento tem de existir o espectáculo. A informação e o seu espectáculo. Montar o espectáculo. Desmontar o espectáculo.

A Associação de Apoio à Vítima de Desmemoriação. Esta insistência na designação de vítima causava-lhe calafrios. Era a institucionalização de uma atitude. Só podia tornar-se a manutenção de um cenário e, nesse cenário, de uma peça repetitiva. A representação de um papel que se aprendeu e que se repete até à exaustão. Metemo-nos num papel, quase sempre desconfortável, e quase obrigamos os outros a representar também o seu papel, continuadamente. Não lhes damos grandes alternativas, esperamos que eles representem o papel que lhes atribuímos. O jogo dos papéis. A vítima precisa de um agressor, o agressor de uma vítima. O pior era quando uma vítima não pedia para ser vítima porque nunca o fora, não era a sua natureza, e de repente via a sua existência completamente destruída por um agressor que sempre o fora, era a sua própria natureza. Não havia vítimas suficientes para tantos agressores, concluiu. A história é feita destes desequilíbrios doentios.


CENTRO DE ESTUDOS DE RECUPERAÇÃO DE MEMÓRIA, 2011, OUTUBRO

Tinham-no sentado numa cadeira especial, pelo menos era o que lhe parecia. Distinguiu algumas luzes em volta, depois imagens mais nítidas. Um gabinete de portas envidraçadas. Nas paredes, painéis com luzes coloridas a piscar. Estes painéis eram-lhe vagamente familiares. Reparou tratar-se de uma espécie de mapas de cérebros humanos observados de perfil, alguns a rodar sobre si próprios.
 Um homem entrou no gabinete. Comentou qualquer coisa que lhe pareceu ser uma pergunta. Não teve tempo de responder. O homem inclinou-se sobre uma espécie de monitor colocado numa mesa oval e saiu. No corredor, por detrás da porta envidraçada do gabinete, que deixara entreaberta, viu-o falar apressadamente com outro homem. Deslocou a cadeira e inclinou-se para a frente. 
– Temos mais um caso. Com este são já vinte esta semana. 
– É uma autêntica epidemia. Refugiados por todos os lados. 
– E desta vez não temos quaisquer dados de identificação, nada. Nem um único cartão electrónico ou mesmo o processo clínico. 
– Nesse caso devemos contactar a Associação de Apoio à Vítima de Desmemoriação, o que é que achas? 
– O caso foi-nos precisamente encaminhado pela Associação. Parece que já não têm capacidade de resposta. Gostava que o visses. Nunca nos passou nada assim pelas mãos. 
– Estas pessoas apresentam todos os sinais de ter sido expostas a um processo de violência mental, a alterações radicais e definitivas, e aparecem-nos nas condições mais precárias. Quando é que isto vai parar?