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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Fátima é da Terra e do Céu





Há lugares que nos animam, outros que nos entristecem. Fátima sintoniza-nos com toda a humanidade.

Fátima lembra-nos o Céu na Terra, não como uma promessa vã e manipuladora de alguma espécie de reconhecimento póstumo pelas nossas boas acções, mas como a possibilidade de uma vida com dignidade, amor e paz para todos os seus habitantes.

O início das peregrinações a Fátima é comovente. Duas crianças com uma alma imensa, que se expande para lá dos montes de oliveiras e fica a iluminar vidas por todo o planeta.

Quando penso na alma vejo nela a mesma forma do universo, como se expande, como se ilumina e apaga, como se multiplica em poeira.
Também há matéria escura, e buracos negros. E o desconhecido, a que os físicos teóricos dedicam horas de reflexão. :)

Também vejo a alma como células, cada uma com toda a informação genética. É só transpor para a poeira luminosa, cada partícula transporta toda a informação da original.

Voltemos à Terra. :)

Francisco veio a Fátima. Um peregrino entre peregrinos. O peregrino da esperança. O peregrino da paz.

Francisco sabe o que é a dor, o sofrimento, mas não o vemos render-se a essa situação. É essa a sua natureza. A sua alma luminosa. A alegria de estar vivo e poder tocar, de forma indelével e discreta, as vidas simples da comunidade humana que quer viver com dignidade, amor e paz.

  



domingo, 2 de abril de 2017

A Vida na Terra inspirou-se numa série de televisão de David Attenborough


A Vida na Terra inspirou-se numa série de televisão de David Attenborough.



A motivação essencial de David Attenborough é o seu fascínio pela natureza e as suas espécies. Basta-nos ver a série para valorizarmos a importância da sua preservação.

N' A Vida na Terra procuro analisar o equilíbrio da vida, a relação humanos - Terra, humanos - humanos, humanos - outras espécies.

As palavras-chave da vida na Terra são: equilíbrio, diversidade, movimento, sustentabilidade, comunidades, interacção, colaboração. Porque são as condições que criam e mantêm a vida. 
A melhor imagem pode ser encontrada uma floresta e como se torna o habitat de tantas espécies tão diversas, os acordos comerciais entre comunidades diversas, entre cidades, entre países.

O seu contrário é: desequilíbrio, monoculturas, estagnação, esgotar os recursos, clãs, separação, isolamento, exactamente as condições que não criam nem mantêm a vida. 
As melhores imagens são os animais empalhados pendurados nas paredes de um salão de um caçador, centenas de carros parados numa via rápida de acesso a uma cidade ou um cofre-forte num paraíso fiscal. 

Agrada-me pensar (ou trata-se de uma consolação) que o que procuro aqui analisar pode ter alguma utilidade para os Millennials. 
Talvez porque a minha geração sonhou com o futuro próximo de uma cultura que iria acompanhar o desenvolvimento tecnológico, mas viu-se limitada pelos anos 80, em que a cultura começou a andar para trás. Refiro-me, claro, à cultura ligada ao poder, à política e à finança, que passaram a dominar a economia e as nossas vidas.



domingo, 18 de dezembro de 2016

Aleppo, um crime de guerra





A história ensina-nos que as invasões têm todas um propósito: a ganância do poder e da apropriação de recursos.

No séc. XXI uma invasão como a do Iraque, a primeira de várias (e as invasões são sempre ilegítimas), passaram a ser justificadas pela ameaça do terrorismo, pois passa bem nos media e nalguma opinião pública.
A ameaça do terrorismo é real, mas não se resolve destruindo países e a vida de civis. Não só não se resolveu como piorou com a invasão do Iraque, e com as intervenções no Afeganistão, na Líbia, na Síria...

A invasão do Iraque teve nas ruas a contestação pública, europeia e americana. De nada valeu. Forjaram-se motivos para legitimar a invasão. A partir daqui foi o horror que vimos, o impensável, atentados contra civis, explosões mortíferas, e os crimes de guerra.
Se a guerra da Bósnia, no coração da Europa, que já nos tinha horrorizado nos anos 90, teve consequências de responsabilização por crimes de guerra, também o Iraque e a Síria têm responsáveis.

Aleppo é um grito que não nos deixa sequer descansar o cérebro e o coração. Aleppo é o nosso pesadelo, a nossa revolta e a nossa impotência. As crianças de Aleppo... as famílias em pânico... 

Não nos podemos conformar com a assinatura de petições por Aleppo. Como cidadãos do mundo podemos fazer muito mais. Exigir a responsabilização por este crime de guerra a desenrolar-se perante os nossos olhos, os nossos neurónios, os nossos corações.



  


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A verdadeira ironia

Do Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª edição: Ironia = Forma de interrogação outrora empregada por Sócrates em relação aos sofistas e que consistia em levá-los a contradições sucessivas para os convencer dos seus erros. // Sarcasmo em que se diz o contrário do que se que dizer e em que só pelo tom se reconhece a insinceridade das palavras. // Aquilo que apresenta contraste frisante com o que logicamente devia ser.

A verdadeira ironia desta tragédia recente em França é que os auto-intitulados "libertários", isto é, os que defendem a "liberdade acima de tudo", estão a contribuir activamente, e sem disso terem sequer consciência, para a limitação da liberdade na Europa.
E comparar a sátira agressiva (já vou explicar porque a considero assim) com o jornalismo de investigação ou com a reportagem de guerra que tornam visíveis as mortes anónimas diárias, não é compreensível.

Causar a morte de outro é o mesmo crime, não é isso que está aqui em causa.
O que está aqui em causa é a violência, a sua necessidade, a construção social de "inimigos", a alucinação de "inimigos", seja em nome da laicidade "libertária", seja em nome do fundamentalismo religioso, seja em nome do pragmatismo financeiro.

A violência e o ódio ateiam-se de várias formas, com palavras, com imagens, com armas.
Reparem que não encontramos a palavra "inimigo" apenas nos discursos inflamados dos fundamentalistas. A palavra "inimigo" surge com preocupante frequência nos discursos de políticos ocidentais, da esquerda à direita.

Tudo o que dizemos ou calamos, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, tem consequências. Primeiro estamos sensíveis à nossa própria experiência, seja agradável ou desagradável. A pouco e pouco aprendemos a ver e a sentir as experiências dos outros e a sentir o que os outros estão a sentir porque já o sentimos. É  a partir desta experiência que surge a consciência. E é a partir desta experiência que surge a responsabilidade.

A verdadeira ironia, a meu ver, é esta contradição humana: em nome do que se acredita (ou se diz acreditar) provocar exactamente o contrário.
Os defensores da "liberdade acima de tudo" estão a contribuir para um caminho securitário e limitador da liberdade (veja-se o que aconteceu depois do 11 de Setembro).
E os defensores da "vida", da "segurança", da "tranquilidade", da "tolerância", estão a contribuir para o aumento das divisões, fracturas e violência.
Como? Deixando-se embalar por palavras, imagens e ideologias que trazem em si mesmas a violência, a fractura, o ódio, a humilhação de outros.
Defender a vida e a liberdade é ter consciência das consequências das nossas palavras, atitudes, comportamento. Defender a vida e a liberdade é defender a paz e rejeitar todo o tipo de violência. 

A verdadeira ironia está de olhos abertos a olhar para dentro de nós e para o mundo. Pode ser directa e cruel, mas nunca apela à violência, nunca humilha. Pelo contrário, confere-nos o poder de nos sentirmos vivos, conscientes e unidos.
A verdadeira ironia traz em si mesma a capacidade de aceitarmos a nossa fragilidade e as nossas contradições. A verdadeira ironia une-nos a todos na nossa humanidade.






Também senti a crueldade da ironia neste início de ano: afinal comecei a falar da possibilidade da Europa se abrir e conseguir receber refugiados e emigrantes, e dias depois o futuro da Europa vai pender para o caminho inverso.