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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Incêndios florestais: um crime que configura gravidade equivalente a um acto terrorista



Em entrevista à TVI o PM revela ter procurado respostas que possam esclarecer a tragédia em Pedrógão Grande. A causa do incêndio, a rapidez da sua propagação e a estrada que se manteve aberta ao trânsito, foram as questões fundamentais.
As entidades técnicas, científicas, administrativas, inclinam-se para circunstâncias adversas em simultâneo: fenómenos atmosféricos como trovoada seca, ausência de humidade, ventos como furacão. 
As várias entradas ao longo da estrada teriam dificultado o seu encerramento. A propagação rápida e em várias direcções terá dificultado a informação correcta a quem procurava escapar de carro.

No início verificou-se uma divergência entre o comandante dos bombeiros, Marta Soares, a referir "mão criminosa", e a polícia judiciária a não encontrar indícios criminais e a apoiar a tese da trovoada seca. Parece que entretanto ja admite a hipótese de origem criminosa. 
Esta hesitação da policia judiciária deixa-nos logo uma sensação de insegurança. Afinal, deveriam ser os primeiros a descobrir...

Já vimos, ao longo dos anos, como a maior parte dos incândios florestais evolui em Portugal, para deduzir a sua origem criminosa.
Raciocinem comigo. Um incêndio que, logo no seu início, apresenta várias frentes que evoluem para um enorme círculo atingindo, em muito pouco tempo, uma dimensão de muitos quilómetros.
Mesmo contando com as condições atmosféricas e a trovoada seca, era preciso a queda de vários raios a uma distância considerável uns dos outros e em simultâneo, para que o incêndio evoluísse em várias frentes e àquela velocidade devoradora.

Estes crimes repetem-se anualmente e sem uma intervenção clara e eficaz das autoridades competentes, como se estes crimes não configurassem gravidade equivalente a um acto terrorista.

Vejam o que foi necessário acontecer para acordar o pais para a exigência de respostas eficazes e responsáveis. 
As pessoas não vão aceitar, a partir daqui, a mesma negligência de décadas da gestão política.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Portugal: é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas



O país está em choque. Com imensas perguntas para fazer. A questão é: a quem?
Quem sentimos que nos representa hoje, em quem confiamos para nos responder? 

No meu post de ontem responsabilizo o ministério da administração interna, o ministério da justiça, a protecção civil, a polícia judiciária, o ministério público, o presidente de câmara e os presidentes das juntas de freguesia. Esqueci-me do ministério da agricultura e do ambiente. 

Neste momento sinto que ficamos sem verdadeiros representantes a quem apresentar as nossas perguntas. 
Antecipamos os seus argumentos já gastos e nada convincentes.
A limpeza da floresta é o mais utilizado.
Mais recentemente as alterações climáticas.

A protecção civil tem de incluir essas condicionantes na mobilização dos meios e estratégias.
Investir na prevenção implica identificar os riscos, antecipar-se à situação de perigo, colocar os meios e as estratégias nos pontos sinalizados.
Informar as populações das medidas de prevenção, fazer simulações, se for caso disso dar formação a voluntários.
Li num artigo que não há bocas de incêndio, por exemplo, nas aldeias isoladas.

A cultura de bloco central persiste na administração pública. Esquecemos com facilidade que o governo é do PS e que os vícios culturais estão lá todos. 
Simpatizamos com o PM, que sabemos competente e responsável, e com alguns jovens que nos surgem esclarecidos e actualizados.
Mas nada de essencial mudou na cultura das elites políticas e dos grupos fechados. 
É por isso que considero que o PS não merece a maioria absoluta. 
E que o BE e o PCP, que têm funcionado como os movimentos cívicos que nos faltam, devem dar o corpo ao manifesto em futuros acordos e participar na gestão política.

E entretanto, se queremos melhorar a nossa democracia, ter representantes que realmente nos representam, que valorizam as populações para lá dos recursos e do déficit, que encaram o país como um todo na sua diversidade, que procuram o equilíbrio litoral-interior, é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas.
Os franceses resolveram assim o esgotamento politico dos partidos convencionais, que se ia traduzindo numa alucinação colectiva: votar no seu pior inimigo. Situação que se verificou na América.


domingo, 18 de junho de 2017

Portugal: os incêndios e a segurança das populações



Como podemos definir segurança das populações?
Em primeiro lugar, identificar os riscos, informar as populações e prevenir situações de vulnerabilidade.
A prevenção implica meios e estratégias no terreno. Exemplo: quando em alerta vermelho ou laranja os meios e estratégias já estão operacionais nesses pontos-chave.
Os responsáveis operacionais devem ser da zona e  conhecer bem o terreno.
As populações isoladas na floresta devem ser deslocadas para um local seguro enquanto o alerta durar.

A segurança das populações tem falhado em Portugal. Há décadas que acompanhamos, impotentes, essa grave falha de segurança.
Este ano aconteceu a tragédia maior.

As alterações climáticas e os desafios à segurança das populações já está estudado e analisado em projecções. 
Em vez de aceitarmos esse argumento como a tal inevitabilidade, exijamos respostas eficazes.

A competência baseia-se na inteligência pragmática, na empatia, na maturidade e na responsabilidade. 
A seguir, a informação adequada e actualizada e a colaboração com todos os elementos envolvidos.

As questões de segurança envolvem informação sensível, não é apenas a científica, climática, geográfica. 
E envolvem estratégia legislativa clara e eficaz.

São estas e outras respostas que devemos exigir às autoridades responsáveis pela segurança das populações.
Responsáveis: ministérios da Administração Interna e Justiça, ministério público e polícia judiciária, presidente de câmara e presidentes de juntas de freguesia, GNR local e chefe dos bombeiros.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

É tempo dos americanos começarem a preparar novas plataformas políticas :)





O projecto inicial dos Estados Unidos tem uma forte ligação à França.
Hoje, tal como no início do seu projecto, os Estados Unidos podem aprender com a experiência actual francesa: a possibilidade da inovação cultural na política.

Já não se trata de revolução mas de evolução, ainda que seja um salto quântico, uma vez que passar de uma lógica de sistema político partidário para uma perspectiva da política baseada na participação cívica, implica a passagem do domínio do cérebro reptiliano para a utilização do córtex cerebral. :)
É como saltar de uma plataforma plana, estática e disfuncional para uma plataforma interactiva, móvel, eficaz. Passar de uma cultura de grupos competitivos para uma cultura de comunidades criativas que colaboram entre si.

O sistema político americano deu o berro com Trump. Chegou a um impasse. Não consigo visualizar qualquer futuro viável para o partido republicano e já agora, para o partido democrata também. Embora o partido democrata ainda possa servir de fonte para o surgimento de algumas plataformas, isto é, tem alguns recursos técnicos e culturais que podem ser utilizados e optimizados numa perspectiva prática.

Por isso, acho que é tempo dos americanos começarem a preparar novas plataformas políticas.
Sugeri começarem pela experiência política recente na França, mas em caminho também podem passar por Portugal. :)

Portugal é um caso de estudo que vale a pena visitar. Passou por uma sequência de governos de partidos que se alternavam no poder. Esta cultura política partidária da alternância já vem do séc. XIX e provou não levar a lado nenhum mas servia às elites. 
No intervalo ainda passámos por um sistema unipartidário :) fechado sobre si próprio, que exigia o pensamento único e a obediência cega.

Já viram que tivemos que fazer esta viagem incómoda, aos solavancos, para chegar aqui?
Agora aqui estamos, pela primeira vez, a aprender a viver realmente numa democracia de qualidade. Digamos que a alternância deixou as pessoas sem alternativa política. :) 
E só foi possível sair desse impasse porque os votos estavam de tal forma distribuídos que se conseguiu formar um governo baseado em acordos parlamentares. 
Tal como cá, o mesmo irá suceder em França. Acabou-se a alternância entre conservadores e socialistas. Já saíram do impasse, já saltaram da plataforma plana, estática e disfuncional para uma plataforma interactiva, móvel e eficaz. 




quinta-feira, 20 de abril de 2017

O que é que está a acontecer com as lideranças políticas actuais que todas se assemelham?





Como senti na alma o peso de lideranças que abafaram e alienaram o país, consigo imaginar o que estarão a sentir populações de países como o Reino Unido, a América, a Turquia... só para referir alguns.
No caso português, encontrou-se uma solução inovadora, uma equipa formada por um acordo inédito, de três grupos políticos, e que funciona. Parte da sua eficácia deve-se à vontade da maioria da população. E a outra parte à própria equipa: quem estragar o seu funcionamento sabe que irá enviar a população de volta ao séc. XX.

Hoje deve pensar-se na gestão política em termos de equipas, de acordos e/ou coligações. Já não faz sentido a gestão política apresentada ao público por um rosto e uma voz que tudo transmite e tudo representa. Estou a pensar, é claro, em Theresa May, em Trump e em Erdogan.
Dir-me-ão: alto lá! Há diferenças.
Diferenças? Em termos das consequências para as suas populações? 
Uma quer reforçar a sua legitimidade e a do Brexit, outro quer mostrar que é o homem mais poderoso do mundo, o terceiro juntou poderes em si próprio que legitimam uma tirania.

As populações do Reino Unido vêem-se agora condicionadas a voltar ao séc. XX e nem sei se não será para séculos anterioresAs que votaram Brexit arrastam agora todas as outras. 
As próximas eleições extraordinárias poderiam ser uma oportunidade para travar este desastre cultural, económico e político, se os grupos e movimentos se juntassem e colaborassem na construção de uma alternativa viável ao governo actual.

Estou mais optimista em relação à América. A inovação cultural está viva nas populações, mesmo naquelas que votaram Trump. 
O grande desafio será conseguirem furar um sistema político que foi construído para favorecer as elites e manter as populações no seu lugar. A nomeação de Trump deixou essa realidade a céu aberto. Agora as populações sabem que há um sistema político a reconstruir, equipas a formar, novos grupos e movimentos.

Quanto à Turquia, já imaginaram uma cidade como Istambul, que reflecte uma cultura aberta e flexível e consegue a proeza de fazer a ponte entre uma civilização antiga e uma perspectiva actual, ser condicionada à lógica do controle absoluto, à linguagem bélica, à criação alucinada de inimigos?

   
O que é que está a acontecer com as lideranças políticas actuais que todas se assemelham? E logo em países estratégicos para a vida do planeta.





terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Como nos podemos preparar para um ano tão incerto como 2017?


Haverá muitas pessoas por esse mundo fora a desejar que o novo ano seja anunciado o mais depressa possível. Para muitos 2016 trouxe desgostos e preocupações. Cidades sitiadas, terramotos, atentados, o Brexit, Trump. Foi um ano estranho, em que o inesperado se revelou, como nos filmes de terror.

No nosso cantinho, na ponta oeste da Europa, o ano foi muito melhor do que 2015, de tal modo melhor que nem tem comparação. Depois de um pesadelo de 4 anos e da visão desmoralizadora de não ter forma de ver o seu fim, abriu-se uma janela, refrescou-se o ar, os rostos iluminaram-se, foi o nosso golpe de sorte.
Portugal foi um dos poucos exemplos de um bom 2016. Digamos que 2016 foi para nós um intervalo entre o filme de terror e o filme de acção que aí vem. 2016 foi uma espécie de comédia romântica. Pela primeira vez olhámos para nós e achámos que ainda estávamos em forma, que a nossa casa era um jardim, que amanhã seria melhor do que hoje. 
Para mim tem sido uma experiência inédita: gostar do governo e do Presidente. Nunca me aconteceu ver no poder um governo e um Presidente que respeitam os valores da democracia e a cultura da colaboração.
É por isso que vejo aproximar-se 2017 com a apreensão que se tem nos filmes de suspense de Hitchcock: já vemos a trama formar-se, os actores já foram escolhidos, as personagens prometem surpreender-nos e até escandalizar-nos. Os temas estão lá todos: intriga internacional, vertigem, a corda, os pássaros!

A Europa está naquela fase em que tanto pode segurar-se e escolher outras soluções de colaboração entre países e comunidades, como pode perder tudo e cada um tentar sobreviver ao desmembramento da forma menos dolorosa possível.

Os States vão atravessar um período estranho: o contraste entre a liberdade adquirida e a nova caça às bruxas, entre a comunicação ágil das redes sociais e a propaganda e desinformação oficial, entre a diversidade própria de comunidades sofisticadas e democráticas e a massificação e divisão próprias de formas de organização ditatorial, entre a cultura do séc. XXI e a formatação mental do séc. XX.

O resto do planeta também deve estar em suspense. Uns a esfregar as mãos, outros a afiar o dente, muitos muitíssimos a dar as mãos. 


Porque escolhi a corda, precisamente a corda, para tentar responder à pergunta "como nos podemos preparar para um ano tão incerto como 2017?"
Pela destreza única de Hitchcock em nos revelar como certas ideologias fascizóides podem insinuar-se subrepticiamente nas sociedades modernas, mesmo naquelas que consideramos culturalmente sofisticadas e preparadas para descodificar e desmontar a sua ideia base, os seus pressupostos.
É isto que, a meu ver, precisamos de pensar: valorizar, nos programas educativos, nos jogos interactivos, nas séries de culto, formas de descodificar e desmontar as ideologias da morte e da destruição, os "falsos deuses" segundo Arno Gruen.


Post publicado n' As Coisas Essenciais.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Políticas económicas inovadoras para uma distribuição equilibrada dos rendimentos

Acompanhei com muito interesse a reportagem da Sic Notícias "Portugal Desigual".

Carlos Farinha Rodrigues (Instituto Superior de Economia e Gestão) que lidera a equipa responsável pelo estudo sobre as desigualdades económicas em Portugal para a Fundação Francisco Manuel dos Santos: "... não esperava que esse processo de ajustamento fosse tão profundamente desigual, tão regressivo, e que afectasse essencialmente os mais pobres entre os pobres".

Uma economia baseada em baixos salários e que apresenta enormes desigualdades económicas não tem futuro.
Difícil já será a sua recuperação com uma população activa reduzida drasticamente após a sangria migratória.

Este é o desafio: uma distribuição dos rendimentos equilibrada, tal como existe nas democracias avançadas e prósperas. Não é isso que desejamos para o nosso país?

Há políticas económicas inovadoras que podem ser aplicadas. 
A política fiscal ainda não conseguiu aperfeiçoar-se até se tornar verdadeiramente eficaz. Abrange sobretudo os que vivem dos rendimentos do trabalho e deixa de fora os que conseguem escapar ao seu radar. Toda a gente sabe que isto é verdade, comprovado pelo trabalho jornalístico dos Panama Papers, por exemplo.


A grande evasão fiscal não está no património visível, como sugere este novo desenho de um imposto para os mais ricos em Portugal. Está no rendimento invisível, no que escapa ao radar, no que não é declarado. Taxar o património sim, mas de forma sensata, para não desmotivar a poupança e a aplicação de rendimentos. Melhorar o radar fiscal será fundamental. Dividendos, transacções, aplicações em bolsa, paraísos fiscais. Do verde ao vermelho, grau 1, grau 2, grau 3. Penalizar fortemente a fuga de capitais.

Pagar impostos é de tal modo um tabu para os muito ricos que esta conferência foi excluída das TED Talks:




A propósito do salário mínimo, esta pérola de Bill Gates resume o pensamento padronizado dos super ricos:



Os comediantes têm aqui material mais do que suficiente para construir as suas piadas.

As políticas económicas inovadoras não esquecerão o salário mínimo, taxar os mais ricos e evitar a grande evasão fiscal, mas não se ficarão por aí. Serão desenhadas para garantir um equilíbrio socio-económico saudável, a partilha de responsabilidade nas grandes decisões, uma nova cultura de colaboração em que o consumidor tem um papel fundamental (ler Alvin Toffler: "A Revolução da Riqueza".


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A prioridade não é o défice mas apresentar resultados na economia

A provocação política simplifica as questões de tal modo que distorce o essencial. A estratégia do governo falhou, por exemplo. Como se o governo tivesse tido a possibilidade de testar a sua estratégia inicial. Não teve. Teve foi que encontrar um compromisso entre a sua estratégia e Bruxelas. E ainda lhe caiu em cima o Banif e a Caixa, isto é, o sistema financeiro.

A insistência no défice desviou as atenções da prioridade: apresentar resultados na economia. Agora acenam com a economia, que está a crescer menos do que se esperava. Não admira.

Neste artigo do Público, três economistas respondem à questão da estratégia do governo, se falhou ou não. Borges de Assunção destaca "a fragilidade do investimento" como o dado mais preocupante. Em relação ao investimento público, Paes Mamede lembra que "está a ser contido para cumprir metas orçamentais". Augusto Mateus lembra a dimensão e a produtividade da nossa economia: "temos recursos a mais em actividades que não crescem". É interessante esta perspectiva: "não se trata de pôr a economia a crescer tal como ela é, tem de se fazer algo diferente (...) É preciso política económica, não pode ser apenas política financeira".





terça-feira, 5 de julho de 2016

Assédio moral contra países do sul


Gostei de saber ontem, numa reportagem da TVI e numa entrevista a Isabel Moreira na TVI24, que o assédio moral foi recentemente criminalizado e integrado no crime mais amplo da perseguição.
Nesta criminalização já vamos com um atraso de uma década relativamente a outros países europeus, mas isto também se explica culturalmente. Não aturámos pacificamente o assédio moral do anterior governo?, dos discursos do anterior PM?, das conferências de imprensa de Gaspar e de Albuquerque?
Agora assistimos, nós e a Espanha, a uma pressão política ilegítima da CE e do Eurogrupo. A Espanha está em negociações para formar governo, Portugal tem um governo recente.

O assédio moral implica uma perseguição reiterada, é o que temos vindo a sofrer da CE e das intervenções dos comissários e do presidente do Eurogrupo, desde o início do novo governo. 
O assédio moral implica um agressor e uma vítima, uma relação de poder e dependência, força e fragilidade.
O assédio moral tem um objectivo, neste caso é político: um governo conservador na Espanha e uma mudança de governo em Portugal.
  
Esta demonstração de força da CE revela, na realidade, uma fraqueza: vendo-se impotente para lidar com o Brexit, uma ferida aberta no coração da UE, tenta mostrar a sua força onde pode bater, ou seja, nos mais fracos.
Já vimos o que fizeram ao povo grego, apesar do povo grego referendar a vontade de permanecer na UE. A humilhação que lhes foi infligida teve todos os ingredientes do assédio moral. E do double bind, estratégia de manipulação que anula e fragiliza.

Se a CE e o Eurogrupo continuarem nesta perseguição ilegítima, a quem podemos recorrer? Há algum mecanismo que nos possa defender? Exactamente, é este o perigo de estar integrado numa UE que não respeita as regras dos tratados (igualdade) nem tem a noção de equilíbrio, de colaboração e de oportunidade.
Uma comunidade pressupõe ainda a noção de bem comum. Ora, prejudicar Portugal e Espanha, assim como a Grécia, também é prejudicar os restantes países da zona euro.

Talvez o Brexit revele a resposta das populações esquecidas pela centralização do poder e pela globalização que agravou o desequilíbrio na distribuição dos recursos (aumento exponencial das desigualdades sociais).







terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Portugal e a sua vocação universal

Talvez porque tenhamos vindo de todo o lado, do norte, do sul, do oriente, trazemos connosco muitos povos e muitas culturas. Nada nem ninguém nos é estranho, encontramos logo um modo de comunicar. Isso verifica-se nos documentários sobre os nossos contingentes em missões de paz ou agora nos resgates marítimos de refugiados, e nos programas sobre os portugueses no mundo ou dos jovens que criam startups e aplicações. Movimentamos-nos no mundo com à vontade, partilhamos ideias e projectos, a nossa cultura universal é a mesma do séc. XXI.

Estamos, pois, bem posicionados para ajudar outras culturas mais fechadas a abrir as suas fronteiras mentais e a ver o grande plano onde tudo se movimenta e encontra o seu equilíbrio. A possibilidade de virmos a ter um português na ONU é, neste sentido, uma oportunidade única de colocarmos a nossa cultura universal ao serviço dos direitos humanos universais.

Que a nossa alma universal consiga, igualmente, criar dentro de portas esse movimento e equilíbrio que ajuda a criar no mundo. 





terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ainda não temos governo mas já temos Presidente

É impressão minha ou este Outono está a revelar-se mais suave e alegre? Como se um peso nos tivesse sido tirado dos ombros... e só pelo facto de estarmos, bem... sem governo. 
Agradeço, pois, a todos os Indecisos que foram votar terem hesitado até ao último momento e terem mantido o suspense até ao fim. Assim, comparando com as sondagens na semana anterior às eleições, podemos concluir que a distribuição dos seus votos foi deveras interessante: bastantes votos para o BE, alguns para o PS, uns poucos para a CDU, e ainda se lembraram do PAN, o único dos novos partidos a merecer a sua atenção.

Apesar da dupla PSD/CDS, da comunicação social e dos comentadores agitarem os fantasmas do passado, para assustar os cidadãos quanto à possibilidade de formação de um governo de esquerda, os ditos cidadãos não parecem preocupados. A vida continua docemente e em paz.
Afinal, podemos não ter governo mas já temos Presidente.

Alguém que finalmente apresenta a sua candidatura fora do centro político e das luzes da ribalta, junto dos cidadãos.
Alguém que define a sua futura forma de representar o seu país e os seus concidadãos, perto das pessoas e com as pessoas. Sim, finalmente alguém que gosta de pessoas.
Assim, se o governo que sair das negociações em curso se vir entalado ou pressionado, já temos alguém que pode construir pontes e manter a harmonia e equilíbrio há tanto desejados.

Entretanto vou saboreando estes dias de intervalo sem a dupla PSD/CDS no poder. Esta súbita paz, esta calma outonal... 
Afinal há uma década já que somos massacrados com personagens rígidas e arrogantes. Não seria bom que agora surgissem pessoas a sério?

Para celebrar este Outono e este intervalo, um filme muito arrumadinho dos anos 50:






  

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:
- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não 
Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;
- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;
- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?

É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 
É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".
É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.










domingo, 20 de setembro de 2015

As mulheres na política

Já aqui reflecti sobre o papel das mulheres na política.
Vemos agora esse papel tornar-se mais evidente e efectivo numa fase das mais difíceis e desafiantes da nossa frágil democracia.
E quem são as mulheres que revelam hoje uma outra forma de estar na política?, uma outra forma de pegar nos assuntos tabu da gestão do colectivo?, uma outra forma de se apresentar às pessoas concretas e de interagir com elas?
Vou colocar estas novas protagonistas da política portuguesa em dois grupos bem distintos e já explico porquê:

No primeiro grupo coloco Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, Marisa Matias (de que já falei no post anterior), e outras mulheres com o seu perfil;
No segundo grupo coloco Joana Amaral Dias e outras mulheres com o seu perfil.

Qualidades comuns às mulheres dos dois grupos: agilidade de raciocínio, capacidade de relacionar factos, capacidade de síntese, acutilância, criatividade. Qualidades essencialmente mentais, em que todas se revelam brilhantes.
Qualidades que as distinguem: as emocionais.

Enquanto no primeiro grupo vemos surgir uma nova forma de estar na política e de interagir com as pessoas concretas, o perfil empático, que valoriza a equipa, a colaboração, a partilha, capaz de negociar (ganha-ganha), no segundo grupo vemos um perfil mais típico dos homens na política, o perfil competitivo, de confronto, de poder (ganha-perde).
O que nos indica que, na política, o facto de ser mulher não nos garante à partida um perfil empático, capaz de colaborar e de negociar.

Hoje o poder pelo poder (ganha-perde) é muito atractivo, afinal vivemos numa sociedade narcísica.
Mas há esperança: as novas gerações funcionam cada vez mais numa outra dimensão, e é isso que lhes irá permitir sobreviver por enquanto numa economia dependente da lógica financeira (fria, metálica, de exclusão), criando as suas próprias redes de interacção e colaboração, e construindo uma nova economia e uma nova política.









segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A verdadeira dimensão da política

Por esta altura, caros Viajantes, já perceberam que a política é a área que mais me inspira. É que a política é muito mais do que a politiquice que nos rodeia.

Qual é a verdadeira dimensão da política? E o que é a verdadeira política?

A política é a gestão do colectivo e tudo o que a envolve, desde uma pequena comunidade, uma cidade, uma freguesia, até ao país, à Europa comunitária.
A política implica decisões que têm consequências no colectivo, na vida das pessoas e no seu futuro. 
As decisões são, pois, fundamentais e de grande responsabilidade. Seguem prioridades, que, por sua vez, seguem valores, uma ideia de comunidade, de organização social ideal, e implicam escolhas.

A nossa politiquice, seja a nível do país seja a nível da Europa comunitária, optou pela gestão financeira, colocar a economia a pedalar para a finança, e desequilibraram a organização social, a vida das pessoas e o seu futuro.
Agora vêm-nos falar de reequilíbrio social: reduzir as desigualdades sociais. Alguém acredita?
É que não é assim que se fazem as cousas. Ah, precisamos de um Gil Vicente para desfazer a nossa politiquice...

Quando ouvirem as propostas da coligação, à dimensão da politiquice e não da verdadeira política, reparem no formato do marketing (é uma lição sobre marketing), no seu colorido, no refrão (que se decora facilmente). Essa é a única mensagem válida: não é com vinagre que se apanham moscas.
Imaginem estas personagens que vão falar à universidade de Verão, a ensaiar ao espelho lá em casa, palavra por palavra, expressão facial, sorriso confiante, gestos convincentes. Reparem que são apenas personagens de uma série de televisão, cozinhada e enlatada previamente. E como as suas frases até têm deixas para a reacção do público (aqui é para rir, por exemplo).    

Quando se coloca a economia a pedalar para a finança, portanto, dependente da finança, está a fazer-se uma escolha de organização social e a arriscar as vidas das pessoas e o seu futuro num modelo em tudo instável e perigoso. Porque serão sempre as pessoas a pagar a factura no fim da linha.

Precisamos de uma nova cultura política, de uma nova gestão do colectivo, de novos modelos que procurem, desde o início, o equilíbrio. 
O equilíbrio está na génese do modelo, não é qualquer coisa que agora vamos fazer, umas medidas avulsas para enganar papalvos.

Precisamos igualmente de inventar uma nova economia, que não dependa da lógica selvagem, instável, desequilibrada da finança.







sábado, 1 de agosto de 2015

Onde reside o verdadeiro radicalismo e onde reside a possível estabilidade

A coligação governamental tem utilizado o termo radicalismoa pensar sobretudo no adversário mais próximo, reforçando o medo de voltar ao despesismo, e atirando-nos com os papões dos mercados, do rating, e do esforço perdido destes 4 anos de sacrifícios.
E contrapondo a este radicalismo, apregoam que é com eles que reside a estabilidade. E insistem nas palavras-chave: estabilidade e prudência.

Desmontando esta lógica:

Radicalismo: querem mudanças mais radicais do que as que foram impostas aos portugueses, sobretudo à classe média, remediados e pobres, e ao país, à sua economia e aos seus recursos? Onde reside afinal o radicalismo?
E em nome de quê? Da confiança dos mercados, que se movem precisamente nas areias movediças das apostas e do oportunismo, e que são o mais voláteis possível, provocando a maior instabilidade?
Os sacrifícios, os cortes nos salários, nas pensões, nos subsídios, na saúde, na educação, e a enorme subida de impostos e taxas, seguiram a lógica do ajustamento necessário, isto é, da sua inevitabilidade, e dos benefícios da austeridadePara já, os sacrifícios não foram deles, foram dos piegas dos portugueses: classe média, remediados e pobres. Que agora se vão aproximando todos, cada vez mais, da pobreza.
Nestes 4 anos verificou-se, pois, uma mudança radical a nível social e a nível económico (ir além da troika). Hoje o país está completamente diferente: 
as desigualdades sociais aumentaram exponencialmente, com uma pequena minoria cada vez mais rica e a grande maioria cada vez mais pobre. Os recursos públicos nas mãos de privados estrangeiros. E mais buracos para pagar: fraudes financeiras (bancos), grande evasão fiscal, privilégios dos grandes grupos privados, etc.
 - a economia baseia-se em salários baixos, o que implica desemprego elevado, na transferência de recursos públicos para privados, nas empresas exportadoras, e no controle do consumo interno. 

Estabilidade: onde reside então a estabilidade e a prudência? Como vimos, não é na austeridade, um programa radical que provocou a maior insegurança e instabilidade na vida concreta das pessoas. E ir além da troika sem explicar aos cidadãos as razões de tal opção radical, revela precisamente o contrário da prudência. Prudência seria avaliar bem a situação económica e as exigências dos credores, e optar por um caminho que não destruísse a economia nem massacrasse os cidadãos. Quando as decisões políticas afectam de forma determinante vidas concretas e o seu futuro, a prudência indica informação e transparência.
Como vimos, não é na coligação governamental que reside a estabilidade que os portugueses necessitam e que o país, a sua economia, necessita.

Onde reside então a estabilidade possível?

A possível estabilidade reside em desmontar as mentiras, o que terá de ser ensinado às crianças, como referiu João Magalhães na SicNotícias. Mentiras que, segundo a sua experiência na investigação de casos de Justiça, são protegidas pelo secretismo, isto é, pela forma errada como se utilizam o segredo de Justiça, o segredo de Segurança, etc.  
Desmontar as mentiras baseia-se na capacidade de observação e análise, na inteligência prática, no bom senso, no equilíbrio, no respeito pelos valores da democracia, no respeito por si próprio e pelos outros.
A possível estabilidade implica informação fiável, transparência e justiça.  
A possível estabilidade reside nos valores democráticos perdidos e nos equilíbrios perdidos.









quinta-feira, 30 de julho de 2015

Eleições legislativas: é fácil desmontar a propaganda da coligação

E um belo dia ouvimos na televisão o impensável em adultos responsáveis: se ganharmos as eleições damos-vos um prémio... as empresas de rating estão à espera de ver quem ganha...

Conseguem imaginar o riso que terá acompanhado a elaboração deste folheto de propaganda a que chamaram programa?
País mais competitivo do mundo daqui a 4 anos?
Descer a dívida para 107% do PIB?
Basta ver estas duas promessas para se perceber o que pretendem fazer.

Mas analisemos a primeira: país competitivo.
Com o serviço da dívida? E com uma das energias mais caras da Europa? E com as fraudes financeiras? E com as falhas na supervisão bancária? E com os recursos públicos nas mãos de privados estrangeiros? E com grandes grupos a pagar impostos noutros países? E com a grande evasão fiscal? E com os paraísos fiscais no coração da Europa?
Estes são constrangimentos que impedem o país, logo à partida, de ser competitivo.

A não ser... que o valor trabalho desça ainda mais.
Será por isso que o nível do desemprego não pode descer muito mais, tal como nos está a querer mentalizar o FMI?
Mas isso não nos irão dizer. 

Não sendo esta propaganda minimamente credível, é evidente que não podem apresentar números, nem estudos, nem projecções.

Os portugueses aceitaram a austeridade porque assumiram a dívida que contraíram em seu nome, como sua. E porque acreditaram na lógica dos benefícios da austeridade e na ausência de alternativa.
Foi assim que a coligação se apresentou em Bruxelas, como o exemplo de sucesso. Exemplo que serviu às instituições europeias e ao FMI para atirar à cara dos gregos.









sábado, 25 de julho de 2015

"A dívida como ela é" (Repórter TVI)

Uma das caixas fechadas a sete chaves aqui abertas é a dívida, "a dívida como ela é".
Esta é uma magnífica reportagem de Victor Moura-Pinto, editada por uma equipa talentosa.

Esta reportagem é mais reveladora e eficaz do que os discursos moralistas da coligação governamental, apelando ao medo do futuro. E mesmo mais reveladora e eficaz do que os discursos críticos e indignados da oposição. 
Porque nos mostra a realidade quotidiana de muitas famílias apanhadas na lógica perversa da austeridade.









sábado, 18 de julho de 2015

Rigor é diferente de rigidez assim como flexibilidade é diferente de indecisão

Confundimos frequentemente rigor com rigidez e flexibilidade com indecisão.

Rigor é a capacidade de definir prioridades e avaliar o trabalho com objectividade.
Rigidez é fixar-se teimosamente numa única solução, incapaz de ouvir os outros, fechado sobre si próprio como uma concha.

Flexibilidade é a capacidade de adaptar cada passo às circunstâncias, de ouvir os outros, e corrigir a rota se preciso for.
Indecisão é a ausência de uma bússola interior, os valores a seguir quando tudo falha à nossa volta.

É importante distinguir estas características na actividade dos políticos que agora se apresentam a eleições.

E atender igualmente aos paradoxos que nos aparecem à frente. Palavras-chave, que já começamos a ver em mensagens de outdoors, a indicarem precisamente o contrário do que nos ocorre quando vemos os seus autores. Pode uma palavra tão forte como confiança ser proposta por um partido como o PS? Já provaram merecer a nossa confiança? 
Andei aqui 4 anos, pelo menos, a tentar perceber o que estava a acontecer à nossa volta, a nível cultural, social e económico. Agora vejo as mesmas personagens a aparecer enquadradas pela palavra-chave confiança. 
E não é suficiente chamar pessoas da ciência para cabeças de lista. Porque a cabeça de todas as listas é uma confusão de prioridades várias, a indecisão nas encruzilhadas e nos grandes desafios.
E vão-nos surgir encruzilhadas no caminho, e grandes desafios.

Observem com atenção cada proposta política, mas sobretudo observem primeiro quem as propõe. Não se fiquem apenas pelas palavras, por mais fortes que vos soem ao ouvido.








sexta-feira, 5 de junho de 2015

O programa oculto da coligação

Enquanto no futebol mundial se fervilha com a descoberta (?) da alta corrupção na FIFA, a Europa das estrelinhas começa a inclinar-se como a torre de Pisa. As cabeças visíveis que lideram o projecto europeu revelam-se simples marionetas de um outro projecto que nada tem a ver com o inicial e com aquele que apresentou nas eleições europeias.

Lá como cá, aqui fervilha-se com a mudança de treinador no Benfica e no Sporting, enquanto a coligação que gere actualmente a política nacional apresenta o seu programa eleitoral sem dizer, desta vez, o que vai fazer exactamente. É que da primeira vez ludibriou completamente os eleitores.

Os eleitores mais atentos e experientes já sabem o que a coligação vai fazer na área do trabalho e da segurança social, o núcleo digamos assim, o coração do país, porque se trata da vida das pessoas, a área mais sensível, a área que devia ser mais defendida e acarinhada, como estão a fazer os gregos mesmo na situação de encostados às cordas.

Mas não é apenas no núcleo, no coração do país, que a coligação espeta o estilete (ando a acompanhar as séries da Miss Marple e do Poirot), é nos recursos essenciais: banca, energia, comunicações postais, telecomunicações. Agora esfregam as mãos ao transporte aéreo, ao transporte urbano e à agua.

Alguém tem dúvidas sobre o programa oculto da coligação?

1. Cortes nas pensões;
2. continuação da redução do valor trabalho, isto é, trabalho precário, subemprego, formação/estágios sem perspectivas; 
3. aumento de impostos, taxas, coimas;
4. continuação da privatização dos recursos nacionais;
5. colocar a economia ao serviço da finança, isto é, os cidadãos ao serviço da dívida;
... E a lista de malfeitorias continua. 

Mas não se pense que os socialistas estão muito melhor intencionados. Também querem ir ao coração do país, isso mesmo, à segurança social.
O que fizeram eles do programa Novo Rumo?, o que fizeram eles da unidade em fundo verde e com música inspiradora e que respirava paz entre os homens de boa vontade?, o que fizeram eles de Seguro?
   
E agora? Como votar? Como confiar num projecto e num programa? Como sair desta alternância viciada?
Pois é, falta-nos um projecto novo, mas acima de tudo proposto e gerido por uma nova cultura. Uma cultura de inteligência prática, responsabilidade, colaboração.
É por isso que a minha esperança reside agora nas novas gerações.