Todas as possibilidades de convivência das diversas formas de vida na Terra. A relação humanos - Terra. A relação humanos - humanos. A relação humanos - outras espécies.
A Vida na Terra dedica vários posts a este magnífico planeta que nos tem suportado e sustentado. Inevitavelmente teria de falar de equilíbrio, a chave da vida. Os organismos sobrevivem num determinado ambiente. Há uma capacidade de adaptação a ambientes adversos, mas até essa adaptação tem um limite. Também os humanos se têm adaptado a ambientes adversos: poluição, alterações na qualidade dos alimentos, químicos tóxicos, vagas de calor e seca, inundações, e outros desafios. Inevitável também falar de política e economia, a chave das decisões essenciais para os humanos e a sua sobrevivência. Aqui a chave também está no equilíbrio e na sustentabilidade. Isto implica uma mudança cultural profunda que está nas mãos das novas gerações. Para isso precisam de descodificar a cultura tecnológica financeira actual disfarçada de benéfica e amiga dos humanos. O que esta nova cultura propõe não valoriza os humanos, o que é intrinsecamente humano. O desenho do futuro que nos propõem, em propaganda institucional e empresarial, não serve aos humanos, aos direitos humanos, ao valor inalienável da vida humana. E não só humana, também das outras espécies, os seres vivos que nos têm acompanhado nesta aventura humana.
Há empresas que aparecem no mercado de forma agressiva, com um dinamismo obsessivo e predador, que invadem o espaço (produtos e serviços) de outras, sem cerimónia, sem respeito pelos outros agentes, pelos colaboradores e pelos consumidores.
Ávidas de lucro rápido, organizam toda a sua máquina nesse sentido. A comunicação com o consumidor reduz-se ao convite: entra, olha à vontade, só nos interessa o teu dinheiro.
Com os sites, é a mesma coisa. São construídos para adquirir mais um produto e aderir a mais um serviço. A relação é impessoal, os contactos são para call centers, não se cria qualquer relação de confiança.
Há outra cultura empresarial, com origens muito antigas no mercado tradicional. Esta cultura baseia-se na afirmação da própria marca, na autenticidade e na qualidade. Existe um compromisso e responsabilidade e cria-se uma relação de confiança com o consumidor.
A comunicação com o potencial consumidor é dar-lhe a informação que ele pretende.
Os sites revelam a missão da marca, toda a informação essencial sobre produtos e serviços, os colaboradores e a sua função, é tudo personalizado.
Estas culturas tão diversas revelam-se na sua estratégia publicitária:
- na predadora: estamos prestes a iniciar a leitura de um artigo e surge-lhe um carro último modelo à frente dos olhos!, um obstáculo. Procuramos o botão de fechar o painel, mas há painéis que só fecham depois de alguns segundos, obrigando-nos a olhar para o carro. E se por um azar está uma pessoa a deslizar o artigo e carrega, por engano, ao lado da página, mais uma publicidade de um produto ou serviço que não lhe interessa. Outro obstáculo.
Há também a publicidade inteligente, baseada nas pesquisas efectuadas. Aparece mais discretamente, como um "olha para mim queres saber mais?" É mais aceitável, mas perturbador. É como uma impertinência de um motor de busca a intrometer-se na nossa vida. Uma pequena amostra do que nos pode ainda aparecer à frente dos olhos com a anunciada inteligência artificial;
- na personalizada: as pessoas estão em primeiro lugar, o consumidor e o colaborador. Isto irá reflectir-se na apresentação do produto e do serviço. Tudo faz parte da própria marca. A publicidade aproxima-se mais da informação detalhada do que de um anúncio. Os sites são construídos de forma a facilitar a informação pretendida, os locais, os contactos, tudo arrumado e especificado.
Estas duas culturas são visíveis mesmo em startups tecnológicas de produtos de última geração. A sofisticação científica ou tecnológica não esconde a cultura de base.
Vemo-las também no desenho do futuro próximo, a predadora fala-nos de automação aplicada a tudo, de robots a substituir pessoas no trabalho (e o pior é quando constroem robots em forma humana, o que revela um certo infantilismo que é pior do que simples imaturidade); a personalizada fala-nos de comunicação e proximidade, de colaboração, de relação personalizada, de comunidades, de confiança.
Quanto à dimensão, a predadora não tem limites, engole tudo à volta até monopolizar o mercado; a personalizada procura o equilíbrio e um crescimento sustentável.
A motivação essencial de David Attenborough é o seu fascínio pela natureza e as suas espécies. Basta-nos ver a série para valorizarmos a importância da sua preservação.
N' A Vida na Terra procuro analisar o equilíbrio da vida, a relação humanos - Terra, humanos - humanos, humanos - outras espécies. As palavras-chave da vida na Terra são: equilíbrio, diversidade, movimento, sustentabilidade, comunidades, interacção, colaboração. Porque são as condições que criam e mantêm a vida. A melhor imagem pode ser encontrada uma floresta e como se torna o habitat de tantas espécies tão diversas, os acordos comerciais entre comunidades diversas, entre cidades, entre países.
O seu contrário é: desequilíbrio, monoculturas, estagnação, esgotar os recursos, clãs, separação, isolamento, exactamente as condições que não criam nem mantêm a vida. As melhores imagens são os animais empalhados pendurados nas paredes de um salão de um caçador, centenas de carros parados numa via rápida de acesso a uma cidade ou um cofre-forte num paraíso fiscal. Agrada-me pensar (ou trata-se de uma consolação) que o que procuro aqui analisar pode ter alguma utilidade para os Millennials. Talvez porque a minha geração sonhou com o futuro próximo de uma cultura que iria acompanhar o desenvolvimento tecnológico, mas viu-se limitada pelos anos 80, em que a cultura começou a andar para trás. Refiro-me, claro, à cultura ligada ao poder, à política e à finança, que passaram a dominar a economia e as nossas vidas.
Post publicado em Vozes Dissonantes: Foi a ouvir ontem o "Economia das coisas" de Paulo Pinto, na Rádio Renascença, que me inspirei a voltar a este cantinho de vozes dissonantes.
O economista Carlos Farinha referiu-se aos indicadores "linha da pobreza" e "linha da riqueza". O economista do ISEG refere ser mais fácil definir a linha da pobreza do que a linha de riqueza, como se para esta o céu fosse o limite. :)
Neste cantinho achamos que é fácil definir a linha da riqueza: está na sustentabilidade, nos recursos disponíveis de uma população. Uma população que hoje, no século XXI, tem de ser considerada globalmente, a população mundial.
Foi assim que se conseguiram definir limites para as emissões de CO2 e é assim que temos de começar a pensar relativamente aos recursos e ao seu acesso e utilização pela população.
O acesso à água potável, aos produtos agrícolas, à habitação, a cuidados de saúde, à energia, à ciência e tecnologia. Estas passam a ser as condições básicas de uma vida com qualidade.
Uma sociedade inteligente é aquela que procura o equilíbrio, a sustentabilidade. Não se trata de limitar o ânimo empreendedor e criativo, a vontade de enriquecer e expandir um negócio. O limite é o equilíbrio e a sustentabilidade, a todos os níveis e em todas as fases da produção da riqueza. E os próprios consumidores farão parte dessa correcção natural.
Já todos percebemos que os governos e a finança apenas agravaram as desigualdades económicas. E o pior foi terem-no feito na fase da austeridade. A CE, o Eurogrupo e o FMI, o tripé disfuncional, deixaram para trás sociedades desiguais e divididas. Portugal teve sorte, apesar de tudo. A Grécia ficou a pedalar em seco numa pobreza sem fim à vista para a maior parte da sua população.
Num futuro próximo a questão não se irá colocar na distribuição da riqueza, mas sim no acesso e na utilização dos recursos disponíveis.
A nova economia basear-se-á nos recursos e não na moeda. A economia monetária provou não servir o trabalho, apenas o colocou dependente da renda, da finança. Ora, o trabalho (e aqui incluímos tudo o que é contribuição para melhorar os recursos disponíveis e a sua utilização), terá de se libertar desta lógica disfuncional, distorcida e desequilibrada.
O UBI (universal basic income) pode ser interessante e útil nesta fase de transição, mas já não surge como uma proposta radical.
A nova economia, como a perspectivamos neste cantinho, seguirá a lógica do equilíbrio e da sustentabilidade a todos os níveis e em todas as fases da produção da riqueza.
Gonçalo Ribeiro Telles, o arquitecto paisagista que dedicou a sua vida a promover a perspectiva actual do equilíbrio entre o espaço urbano e o espaço rural. Aliás, a designação de arquitecto paisagista nem é a adequada para definir o seu trabalho. Não se trata apenas de organizar um espaço público urbano trazendo as árvores e as plantas à cidade e às pessoas, trata-se de estudar a área circundante, o seu equilíbrio natural, os aquíferos, as linhas de água, a configuração do terreno, a sua constituição, e só depois trabalhar com a natureza e nunca contra ela. O trabalho de Gonçalo Ribeiro Telles sintetiza a minha ideia inicial de criança ao compor esse livrinho com o título "O homem e a Terra": uma perspectiva que segue a cultura da consciência abrangente, da perspectiva do grande plano. O homem é um habitante desse espaço, desfruta-o e adapta-o às suas necessidades, mas de forma natural. O homem respira o espaço, alimenta-se dele, mas não o domina nem destrói. Esta sintonia com a natureza encontrou-a o arquitecto, ainda criança, nas iluminuras medievais dos Livros de Horas na biblioteca de um tio. O tempo era assinalado pelas estações do ano e as tarefas agrícolas, a imagem da cidade tinha sempre o campo em pano de fundo, nunca se separavam.
Os séculos XIX e XX seguiram a perspectiva contrária: dominar a natureza, arrancar-lhe sem cerimónias e da forma mais rápida e rentável, as suas riquezas: minério, floresta, produção intensiva, tudo é permitido e promovido. O progresso é a lei geral. Nesse processo, o homem passa a ser apenas uma peça da grande maquinaria: a mão-de-obra vale tanto ou menos do que uma máquina, tudo está na sua produtividade. Quem viu Haverá Sangue deve ter ficado impressionado com a forma brutal como se iniciou a extracção de crude e como o próprio carácter ganancioso do protagonista acompanha essa lógica da maquinaria.
Só muito recentemente vemos esse equilíbrio homem-terra e cidade-campo começar a regenerar-se e, com esse equilíbrio, também a perspectiva de trabalho e a qualidade de vida das comunidades. Só muito recentemente se fala de sustentabilidade, de cidades inteligentes, de hortas urbanas, de participação cívica, de partilha de responsabilidade na gestão do espaço público.
Descubro no Twitter, onde se descobre imensa informação interessante, este artigo do Shareable sobre uma das regiões mais ricas de Itália, em que 30% da sua economia se baseia nas cooperativas: "The Emilia-Romagna region in Northern Italy is one of the richest in Europe, known for its high-end car manufacturing. While Emilia-Romagna is one of the most economically successful regions in Europe, it is also one of the most cooperative regions in the world. Nearly two of every three of its 4.5 million citizens are members of a cooperative. Cooperatives support around 30% of the region’s GDP, making it a stellar example of a large-scale cooperative economy. ..." O artigo liga-se a outros artigos, um dos quais sobre a importância da cooperação na economia actual: "The United Nations has named 2012 as the International Year of Cooperatives, and indeed, co-ops seem poised to become a dominant business model around the world. Today, nearly one billion people worldwide are cooperative member-owners. ... Além de cooperação, outras palavras-chave para a economia do séc. XXI: novos modelos de negócio, crescimento sustentável, benefício da comunidade. Um dos exemplos mais inesperados de cooperativas bem sucedidas é o de Madragón em Espanha: What has allowed Mondragon to grow steadily without abandoning its cooperative principles? For one thing, it has embraced innovation, and worker-owners have repeatedly chosen to reinvest in the future of the corporation. It's also based in the Basque community, known for its strength and cooperative nature. ... " Portanto, já temos aqui mais palavras-chave: inovação e relativa autonomia. Há outra implicação social a reter neste tipo de economia baseada na cooperação: " In 2000, poverty expert Barbara Peters visited the town of Mondragón. She labeled it a “town without poverty” -- and also noted the absence of “extreme wealth.” ... As restantes palavras-chave são partilha, responsabilidade e futuro: "Ultimately, the key to equal employment and fair wages may be as simple as taking control of our own economic realities, stepping up and sharing the responsibility for our future. ... Cooperatives have been around in one form or another throughout human history, but modern models began popping up about 150 years ago. Today’s co-ops are collaboratively owned by their members, who also control the enterprise collaboratively by democratic vote. This means that decisions made in cooperatives are balanced between the pursuit of profit, and the needs of members and their communities. Most co-ops also follow the Seven Cooperative Principles, a unique set of guidelines that help maintain their member-driven nature. ... While 20th-century corporations were good at making money, the 21st century finds humanity in need of new business models that value sustainable growth and community benefit. The UN stands behind cooperative models, and in 2012 will dedicate its efforts to raising awareness of co-ops, helping them grow and influencing governments to support them legislatively. ..." Daí a importância de todo um trabalho de sensibilização política de modo a criar legislação adequada. E muito importante: " ... Mondragon benefited from that governmental support, without governmental interference in the company's autonomy. ..." Precisamente, o inverso do que se verifica actualmente na Europa e mais acentuadamente ainda nos States, as enormes desigualdades sociais, o que reflecte um modelo económico desequilibrado e insustentável. Destaco aqui um vídeo, Together - the documentary, do CECOP - Cicopa Europe, sobre a capacidade de resistência à crise das cooperativas: