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sexta-feira, 7 de julho de 2017

A responsabilidade do adulto




Dediquei um post à responsabilidade do adulto no Rio sem regresso com o filme The Tin Star de Anthony Mann.

A responsabilidade do adulto é assumida pelo próprio por sua iniciativa, não é imposta por convenções sociais.
Parte directamente da consciência de cada um, da interiorização do seu papel na família e na comunidade.
Há também, na responsabilidade do adulto, a noção clara das prioridades, os valores morais que orientam a vida e a acção.

O que vemos hoje é uma dificuldade de assumir a responsabilidade. 
Quer-se apenas o lado A desse papel, rejeita-se o lado B.
Também vemos uma limitação da própria consciência e dos valores que a orientam.

No filme The Tin Star o homem não hesita em colocar a vida do miúdo na prioridade máxima. Escolhe a estratégia cautelosamente para não a colocar em risco. 
Discorda dos heroísmos dramáticos (o jovem xerife) que considera auto-destrutivos.
Prefere a ponderação e a discrição, muito mais eficazes.
Desconfia dos grupos que se transformam facilmente em bandos.
E é flexível o suficiente para aprender a superar os seus preconceitos culturais.
Por tudo isto escolhi este filme para falar da responsabilidade do adulto. :)



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Viram-se gregos para passar a sua mensagem à CE, ao BCE e ao Eurogrupo

O que os nossos amigos gregos tiveram de suportar para conseguir passar a sua mensagem dentro da suposta união europeia...
Duas eleições e um referendo no espaço de 9 meses.
Um suspense infernal do Eurogrupo até ao último minuto.
Limitação de levantamentos diários no multibanco.
Prensados contra a parede para aceitar a fórmula falhada.
Instabilidade no parlamento, dissidências e clarificação.

A mensagem dos gregos: queremos continuar a pertencer à UE, manter-nos no euro, ter condições de uma economia equilibrada e saudável e de um futuro viável para os nossos filhos e netos.

A fórmula falhada que lhes foi imposta, assim como a todos os países intervencionados e aos outros países da eurozona em geral, considera as variáveis dos gregos impossíveis de contemplar. 
Pertencer à UE e à eurozona não permite uma economia equilibrada e saudável nem um futuro viável.
Pertencer à UE e à eurozona não permite sair da lógica financeira em que a economia serve para a alimentar.
Pertencer à UE e à eurozona não permite flexibilidade que respeite as diferenças e especificidades de cada país.
Pertencer à UE e à eurozona não permite qualquer tipo de negociação (ganha-ganha), só a capitulação (ganha-perde).

Os gregos são hoje a antecipação do que nos espera.
Os seus desafios de Hércules são os desafios que nos esperam.

A mensagem dos gregos está agora mais viva do que nunca: há um povo que acredita ser possível uma outra fórmula que conjuga o euro com crescimento económico equilibrado e sustentável.

Mesmo considerando os constrangimentos que o euro nos impõe, há outras fórmulas. Porque não debatê-las abertamente, saltando por cima das regras absurdas de tratados que aliás nunca foram respeitados? Porque não tentar desenhar e verificar cenários possíveis para os países da eurozona? Em colaboração e não em confronto e imposição? Respeitando as diferenças e especificidades de cada país? Com flexibilidade e rigor e não com rigidez?







sábado, 18 de julho de 2015

Rigor é diferente de rigidez assim como flexibilidade é diferente de indecisão

Confundimos frequentemente rigor com rigidez e flexibilidade com indecisão.

Rigor é a capacidade de definir prioridades e avaliar o trabalho com objectividade.
Rigidez é fixar-se teimosamente numa única solução, incapaz de ouvir os outros, fechado sobre si próprio como uma concha.

Flexibilidade é a capacidade de adaptar cada passo às circunstâncias, de ouvir os outros, e corrigir a rota se preciso for.
Indecisão é a ausência de uma bússola interior, os valores a seguir quando tudo falha à nossa volta.

É importante distinguir estas características na actividade dos políticos que agora se apresentam a eleições.

E atender igualmente aos paradoxos que nos aparecem à frente. Palavras-chave, que já começamos a ver em mensagens de outdoors, a indicarem precisamente o contrário do que nos ocorre quando vemos os seus autores. Pode uma palavra tão forte como confiança ser proposta por um partido como o PS? Já provaram merecer a nossa confiança? 
Andei aqui 4 anos, pelo menos, a tentar perceber o que estava a acontecer à nossa volta, a nível cultural, social e económico. Agora vejo as mesmas personagens a aparecer enquadradas pela palavra-chave confiança. 
E não é suficiente chamar pessoas da ciência para cabeças de lista. Porque a cabeça de todas as listas é uma confusão de prioridades várias, a indecisão nas encruzilhadas e nos grandes desafios.
E vão-nos surgir encruzilhadas no caminho, e grandes desafios.

Observem com atenção cada proposta política, mas sobretudo observem primeiro quem as propõe. Não se fiquem apenas pelas palavras, por mais fortes que vos soem ao ouvido.