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quinta-feira, 2 de julho de 2020

A ciencia, a tecnologia e a inovacao sao essenciais para a implementacao da economia Doughnuts



A economia Doughnuts baseia-se essencialmente na gestao inteligente dos recursos de forma a assegurar o seu acesso a uma populacao e a uma intervencao regenerativa nos ecosistemas.
E aqui que entra a ciencia, a tecnologia e a inovacao.

Teremos tambem de fazer um exercicio:
A- o que entendemos por economia? A nossa perspectiva limita-a a economia monetaria, ou e abrangente, como em Alvin Toffler, que considera a nao monetaria como igualmente essencial para a manutencao das comunidades?
Acha que seria possivel manter uma sociedade a funcionar sem a contribuicao do trabalho nao remunerado e do voluntariado, assim como do papel do consumidor na economia?

Outro exercicio:
B- o que entende por recursos? Os recursos naturais, os equipamentos sociais, a capacidade de financiamento, e os recursos humanos?
A economia Doughnuts implicara uma gestao inteligente, em constante adaptacao e melhoria, com a colaboracao activa de toda a populacao.
Todas as pessoas participam na economia, cada uma no seu papel, e em interaccao.

Como comecamos a perceber, a partir destes dois exercicios, a economia actual nao e inteligente e as pessoas, como comunidade, nao contam do mesmo modo. Dai os seus profundos desequilibrios, desvios e danos.



quinta-feira, 23 de março de 2017

Londres: a segurança em democracia





É incrível como depois de Berlim cidades como Londres, potenciais alvo deste tipo de ataques terroristas, não alteram a sua mobilidade. Esta é uma questão essencial, de segurança.
A protecção das populações é uma prioridade em democracia. O valor da vida é, numa democracia, um valor prioritário. E a liberdade deve ser considerada, em primeiro lugar, como o direito à vida. É aqui que a segurança entra.

Continuo sem perceber esta mensagem dos responsáveis políticos depois de ataques horríveis no coração das suas cidades, como se estivessem num teatro bélico a falar directamente para os terroristas: vamos continuar com o nosso estilo de vida. 
O que as pessoas precisam de ouvir não é isso. O que as pessoas precisam de ouvir é: vamos tomar todas as medidas de segurança preventiva para que este tipo de ataques não volte a ocorrer.

Tal como em Berlim, põe-se a questão fundamental da mobilidade. A mobilidade dentro das cidades tem de ser encarada de uma forma inteligente e inovadora.
Os transportes públicos também têm alguns desafios relativamente à segurança: aglomeração de pessoas num espaço reduzido. Com as novas tecnologias não há forma de disparar alarmes com a presença de metal, como nos aeroportos? (Muitas chaves de casa vão disparar? E muitas moedas nas carteiras? Bem, de qualquer modo em breve tudo isso será substituído por cartões.)

Os cidadãos têm o direito à informação sobre medidas de segurança preventiva, que comportamentos adoptar, que comportamentos evitar. É mais inteligente lidar com os riscos e evitá-los do que a atitude de querer manter um estilo de vida e correr riscos porque se é corajoso. 

Os actuais equívocos relativamente à liberdade são culturais e políticos. Ninguém se questiona sobre os desequilíbrios económicos e financeiros que também limitam (e muito) a liberdade.
Resolver os equívocos relativamente à liberdade também resolve os equívocos relativamente à segurança em democracia.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016: para um novo consumidor uma nova economia

O consumidor está a tornar-se cada vez mais exigente, o que implicará mudanças ao nível do marketing das empresas. Será inevitável.
Pegando no exemplo das telecomunicações, que parece ser a área com mais reclamações, podemos identificar já algumas:
- o marketing agressivo não convence: incomodar os potenciais clientes e obrigar os empregados ou estafetas (em todo o caso é subemprego) a bater às portas;
- propostas tentadoras aos novos clientes que vão chocar com as condições do tarifário dos clientes em período de fidelização;
- informação pouco clara sobre as taxas incluídas no contrato: o exemplo mais flagrante foi prolongar os custos da instalação, a ser incluídos na factura durante o período de fidelização, a partir desse prazo, o que é fraude ou simples roubo;
- o próprio período de fidelização, que obriga o cliente a manter-se durante 2 anos numa operadora.
Na AR já se debateu o tema sobre o período de fidelização e sobre o prolongamento do pagamento dos custos da instalação. Esperemos que daí resulte alguma protecção para o consumidor. 

O novo marketing é inteligente. A inteligência é criativa e gosta de surpreender positivamente. Em vez de invadir o espaço do potencial cliente, surpreende-o no espaço adequado, que hoje é a internet. Um site bem organizado, apelativo, que disponibiliza toda a informação, que recolhe as opiniões dos clientes, que responde a essas questões, que facilita o contacto e não deixa ninguém pendurado ao telefone, etc..
O novo marketing respeita o cliente: um novo cliente vale tanto como um cliente fidelizado, se tem direito a bónus, os restantes também têm. É o princípio da equidade e da noção da grande comunidade (os seus clientes).
O novo marketing baseia-se na confiança. E essa condição básica conquista-se com uma informação clara e verdadeira. Informação é, aliás, o trunfo do novo marketing, apoiar os seus clientes em todas as situações previstas, mesmo a informação especializada.
O novo marketing não exige período de fidelização, embora procure fidelizar os clientes. Esse é o seu grande desafio.

Das operadoras de telecomunicações passamos para a EDP: o preço da energia deveria ser revisto. Assim como o IVA.
Caso isso não seja possível, facilitar às famílias o investimento em energias renováveis: solar e eólica. Aqui o papel das autarquias vai ser fundamental. Apoiar a eficiência e a autonomia energéticas. 
Aliás, veremos reforçar o papel do poder das autarquias no apoio social a vários níveis, de forma inteligente e criativa.

O fornecimento municipal da água deve permanecer público. Se a energia é fundamental, a água é imprescindível.
O trabalho aqui será essencialmente, como tem sido até agora: informar e sensibilizar para a eficiência na sua utilização.

Áreas industriais e comerciais favorecidas pela nova cultura do consumo: novas tecnologias; aplicações úteis para smartphone; laboratórios científicos; energias renováveis; reciclagem; construção e reabilitação com eficiência energética; materiais que permitem essa eficiência; cidades inteligentes; transportes públicos; restauração; segurança pública; protecção civil; saúde (especialmente a geriatria); a área social (apoio domiciliário e actividades culturais); projectos educativos; dinamização da economia da partilha e colaboração; o co-working; viagens; turismo, etc.

Áreas industriais e comerciais que serão desafiadas a mudar: a área financeira; fontes de energia convencional (petróleo; carvão, etc.) ; o controle privado da água potável; a agro-pecuária; a grande indústria agro-alimentar; construção convencional; indústria automóvel; os mega-espectáculos; segurança privada; telecomunicações, etc.




 Post publicado n' As Coisas Essenciais.


sábado, 2 de novembro de 2013

Equilíbrio vital - consciência abrangente - comunidades criativas

Ultimamente tenho dedicado algum tempo matinal a tentar compreender porque é que os debates culturais e políticos actuais se revelam inúteis para o grande plano e para as questões verdadeiramente importantes e prioritárias.
A minha perplexidade vai mais longe: porque é que pessoas em lugares estratégicos de grande responsabilidade na gestão colectiva, política e económica, se dedicam a exercícios verbais inúteis e nos tentam vender ideias e fórmulas esgotadas que já se verificou não terem qualquer resultado prático construtivo? Porque é que pessoas em lugares de poder e influência evitam as grandes questões que dizem respeito a todos nós? Porque tentam manter uma cultura obsoleta que não se adapta ao desenvolvimento científico e tecnológico actuais nem aos desafios que enfrentamos hoje?

Resolvi desligar a televisão, evitar os sites informativos oficiais e pegar na minha lista das questões prioritárias. Vamos a isso:

Quais são as questões verdadeiramente importantes e prioritárias?
1 - Começaria pela sobrevivência da vida humana na Terra, por exemplo. Pode parecer-nos uma forma muito dramática de colocar esta questão, mas hoje alguém pode negar o percurso auto-destrutivo da actual gestão política e económica e das grandes opções de quem exerce o poder?;
2 - a qualidade da vida humana (alimentação, habitação, saúde, educação, interacção social, autonomia, participação na comunidade, etc) e a utilização dos recursos de forma adequada e equilibrada;
3 - uma mudança cultural e política que nos permita acompanhar e optimizar o desenvolvimento científico e tecnológico e lidar com os grandes desafios actuais.

A seguir procurei identificar os princípios em comum. Se repararem bem, todas as grandes questões referidas, sobrevivência da vida humana na Terra, qualidade da vida humana, utilização dos recursos de forma adequada e equilibrada e uma cultura e política adequadas ao desenvolvimento científico e tecnológico e aos grandes desafios actuais, implicam
equilíbrio vital - consciência abrangente - comunidades criativas.
Pronto, aqui está uma fórmula muito simples que me surgiu em horas matinais e que me tem acompanhado ultimamente. A sua representação gráfica poderia ser: um círculo maior para o equilíbrio vital que está presente em tudo na vida na Terra; dentro dele num círculo mais pequeno onde cabe a consciência abrangente, isto é, a intervenção humana e, neste círculo, as interacções e a informação partilhada das comunidades criativas, as inevitáveis setinhas num ou em dois sentidos.

Equilíbrio vital: "homeostasis" vem da biologia e é uma das condições básicas das diversas formas de vida, desde as mais simples às mais complexas. É também um princípio fundamental para os neurocientistas (ex.: António Damásio, um dos autores que será abordado nesta análise).


Consciência abrangentebaseada na perspectiva de "consciência" de António Damásio e da importância das emoções; na análise de Arno Gruen sobre os riscos do conformismo baseado na "traição do Eu" e da importância da empatia na sobrevivência das comunidades; da consideração da dimensão terapêutica da arte por Alain de Botton, como construção cultural de uma história diária da sobrevivência humana.


Comunidades criativas: partindo das condições para a sua sobrevivência e qualidade de vida, surge actualmente a possibilidade das comunidades se tornarem participativas e responsáveis pela sua viabilidade, pelo seu futuro. Aqui entra a perspectiva alargada de economia e da criação de riqueza de Alvin Toffler, em que a economia não se esgota no sistema monetário: a importância da "informação partilhada":