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sexta-feira, 7 de julho de 2017

A responsabilidade do adulto




Dediquei um post à responsabilidade do adulto no Rio sem regresso com o filme The Tin Star de Anthony Mann.

A responsabilidade do adulto é assumida pelo próprio por sua iniciativa, não é imposta por convenções sociais.
Parte directamente da consciência de cada um, da interiorização do seu papel na família e na comunidade.
Há também, na responsabilidade do adulto, a noção clara das prioridades, os valores morais que orientam a vida e a acção.

O que vemos hoje é uma dificuldade de assumir a responsabilidade. 
Quer-se apenas o lado A desse papel, rejeita-se o lado B.
Também vemos uma limitação da própria consciência e dos valores que a orientam.

No filme The Tin Star o homem não hesita em colocar a vida do miúdo na prioridade máxima. Escolhe a estratégia cautelosamente para não a colocar em risco. 
Discorda dos heroísmos dramáticos (o jovem xerife) que considera auto-destrutivos.
Prefere a ponderação e a discrição, muito mais eficazes.
Desconfia dos grupos que se transformam facilmente em bandos.
E é flexível o suficiente para aprender a superar os seus preconceitos culturais.
Por tudo isto escolhi este filme para falar da responsabilidade do adulto. :)



domingo, 18 de dezembro de 2016

Aleppo, um crime de guerra





A história ensina-nos que as invasões têm todas um propósito: a ganância do poder e da apropriação de recursos.

No séc. XXI uma invasão como a do Iraque, a primeira de várias (e as invasões são sempre ilegítimas), passaram a ser justificadas pela ameaça do terrorismo, pois passa bem nos media e nalguma opinião pública.
A ameaça do terrorismo é real, mas não se resolve destruindo países e a vida de civis. Não só não se resolveu como piorou com a invasão do Iraque, e com as intervenções no Afeganistão, na Líbia, na Síria...

A invasão do Iraque teve nas ruas a contestação pública, europeia e americana. De nada valeu. Forjaram-se motivos para legitimar a invasão. A partir daqui foi o horror que vimos, o impensável, atentados contra civis, explosões mortíferas, e os crimes de guerra.
Se a guerra da Bósnia, no coração da Europa, que já nos tinha horrorizado nos anos 90, teve consequências de responsabilização por crimes de guerra, também o Iraque e a Síria têm responsáveis.

Aleppo é um grito que não nos deixa sequer descansar o cérebro e o coração. Aleppo é o nosso pesadelo, a nossa revolta e a nossa impotência. As crianças de Aleppo... as famílias em pânico... 

Não nos podemos conformar com a assinatura de petições por Aleppo. Como cidadãos do mundo podemos fazer muito mais. Exigir a responsabilização por este crime de guerra a desenrolar-se perante os nossos olhos, os nossos neurónios, os nossos corações.