Todas as possibilidades de convivência das diversas formas de vida na Terra. A relação humanos - Terra. A relação humanos - humanos. A relação humanos - outras espécies.
Há lugares que nos animam, outros que nos entristecem. Fátima sintoniza-nos com toda a humanidade. Fátima lembra-nos o Céu na Terra, não como uma promessa vã e manipuladora de alguma espécie de reconhecimento póstumo pelas nossas boas acções, mas como a possibilidade de uma vida com dignidade, amor e paz para todos os seus habitantes. O início das peregrinações a Fátima é comovente. Duas crianças com uma alma imensa, que se expande para lá dos montes de oliveiras e fica a iluminar vidas por todo o planeta. Quando penso na alma vejo nela a mesma forma do universo, como se expande, como se ilumina e apaga, como se multiplica em poeira. Também há matéria escura, e buracos negros. E o desconhecido, a que os físicos teóricos dedicam horas de reflexão. :) Também vejo a alma como células, cada uma com toda a informação genética. É só transpor para a poeira luminosa, cada partícula transporta toda a informação da original. Voltemos à Terra. :) Francisco veio a Fátima. Um peregrino entre peregrinos. O peregrino da esperança. O peregrino da paz. Francisco sabe o que é a dor, o sofrimento, mas não o vemos render-se a essa situação. É essa a sua natureza. A sua alma luminosa. A alegria de estar vivo e poder tocar, de forma indelével e discreta, as vidas simples da comunidade humana que quer viver com dignidade, amor e paz.
- não ter as preocupações e responsabilidades de um adulto;
- apesar de tudo prefiro ser adulto;
- poder fazer birras."
A minha opção é claramente "apesar de tudo, prefiro ser adulto". Comigo estão apenas 4% de outros adultos. Pelo mens, até agora.
A infância é, sem dúvida, a melhor fase das nossas vidas, porque é determinante. Tudo é vivido mais intensamente, os sons são mais fortes, as cores são mais brilhantes, o riso é genuíno, assim como o sorriso, a alegria, mas também a tristeza, a dor, a impaciência, a frustração.
É preciso ter sorte para ser uma criança razoavelmente feliz, não ter nascido num país em guerra, ou afectado pela austeridade financeira, ou num ambiente conflituoso, ou numa comunidade hostil. E mesmo com sorte, todos os cuidados não são demais. Sem se cair na superprotecção, estar atento e vigilante.
Exercer a autoridade não é moldar uma criança a um formato social ou aos seus próprios objectivos. Quanto melhor tiverem resolvido esse conflito essencial com os próprios pais, melhores pais serão. Como é a vossa criança? É que cada criança é uma unidade complexa a aprender rapidamente a viver no mundo, e todas são diferentes. Mesmo os irmãos são todos diferentes. A forma como se lida com cada um também se deve adaptar a cada um. Pode exercer-se a autoridade de forma firme com um e pode ter de se explicar tudo muito bem a outro até ele compreender.
Aceitar a sua criança com as suas próprias características é respeitá-la, amá-la incondicionalmente, ajudá-la e desafiá-la num ambiente ameno e acolhedor. A sua criança irá ter desafios pela frente, viverá o medo, a angústia, a insegurança, o stress. Saber que tem uma base de apoio em casa é a melhor fonte de energia e de coragem para enfrentar esses desafios.
E é aqui que tudo se complica para uma criança. Está no auge da sua inteligência, da sua capacidade de aprender coisas novas, de criar, de inventar, e está sujeita a situações que a vão condicionar e limitar. Enquanto um adulto se pode defender do bullying ou da humilhação por exemplo, uma criança pode ficar traumatizada para sempre.
Será o mundo actual amigo da infância? No geral, não é. Podemos pensar que já foi muito pior no passado, sem dúvida. E não é preciso recuar muito. A revolução industrial já bastaria para a nossa comparação, o trabalho infantil, a fome, as doenças. Mas não é essa a comparação necessária. A comparação honesta e responsável só pode ser com a carta dos direitos da criança.
E aqui, caros Viajantes, chegamos à conclusão que, apesar dos progressos sociais, da saúde, da educação, as nossas crianças não estão devidamente protegidas. O exemplo dos refugiados é gritante. Se não fossem os italianos e os gregos, como teria sido a sobrevivência de tantas famílias a fugir da guerra? Assim como a austeridade recente, ao menor desequilíbrio financeiro, e debaixo de governos-troika como o anterior, as famílias viram-se desapossadas do seu rendimento e da sua vida organizada, quantas das suas casas, e muitas tiveram de emigrar.
Relatórios revelam que as crianças e os velhos são os mais vulneráveis em situação de crise económica. Precisamente os grupos que deveriam ser mais protegidos. É por isso que não podemos deixar de desejar que lideranças culturais como o Papa Francisco sejam ouvidas. Post publicado n' As coisas essenciais.
A vida por vezes surpreende-nos, situações e circunstâncias que não conseguimos explicar. Anos mais tarde lembramos um olhar, uma frase, uma entoação, e a situação adquire um novo sentido e importância.
Antes procurava a lógica e o significado de tudo, não descansava enquanto não conseguisse descobrir uma explicação, uma interpretação. Agora é a situação que se revela a pouco e pouco, como um ecrã sensível e interactivo. É assim na vida pessoal, na vida da comunidade mais próxima e nas notícias que chegam diariamente do país e do mundo pelos diversos meios.
É por isso que já não consigo ouvir os comentários políticos, por exemplo. A maior parte dessas frases pomposas não faz sentido na nova cultura política que já nos rodeia. E se não valem como interpretação da realidade actual, também não valem como narrativa que se quer substituir à realidade.
É por isso também que já não me interessam as ideologias políticas. O PSD redescobriu a social democracia? Risível. O CDS redescobriu a sua alma democrata cristã? Risível. Até o PAN que está a dar os primeiros passos na experiência dos debates na AR se revela mais credível porque definiu e manteve a sua marca registada.
Quais são agora as nossas prioridades como cidadãos deste país? Colaborar, cada um no seu lugar e no seu papel, para que tudo dê certo. Refiro-me ao orçamento, à economia, ao equilíbrio de poderes social e económico, à fiscalização da actividade financeira. Tudo o que determinará a relação de poder com a CE e o Eurogrupo.
Para já, as circunstâncias são-nos favoráveis, as principais instituições da gestão política colectiva, governo e Presidência, revelam a inteligência e a cultura do séc. XXI, da colaboração.
A nossa auto-estima como país também levou uma refrescadela, o que muito ajuda. Os acontecimentos felizes que para isso contribuíram foram: a visita de Bento XVI em Maio de 2010; o perfil e o papel do Papa Francisco; os resultados das últimas legislativas que permitiram uma nova solução governativa e a candidatura de Marcelo à presidência.
Aproveitemos bem estas circunstâncias de modo a estarmos preparados para lidar com os desafios que valem a pena.
Uma das capacidades humanas é a antecipação de acontecimentos e tendências do futuro próximo. Sem esta capacidade não nos conseguiríamos adaptar às mudanças inevitáveis. Escolhi propositadamente a palavra "previsões" e não "antecipação" para provocar os Viajantes que por aqui passam. Aqui vão, pois, da minha inteira responsabilidade, as previsões para 2015 e anos seguintes: - na política nacional, as eleições legislativas: veremos ganhar expressão os movimentos cívicos. É inevitável uma maior exigência relativamente à competência e eficácia dos gestores dos recursos públicos. Uma das minhas maiores perplexidades é verificar a exigência dos políticos com profissionais como os professores, por exemplo, e não se submeter aos mesmos critérios de avaliação. Ora, finalmente os cidadãos começam a avaliar o seu desempenho e a exigir que consigam atingir os objectivos a que se propõem. É assim que o maior receio dos políticos actuais se irá verificar: a expressão eleitoral significativa de movimentos cívicos e de lideranças fora dos partidos tradicionais. 2015 - 2018 serão anos de transição, portanto, de mudança, de conflitos institucionais, de turbulência. É que ninguém gosta de perder influência e poder. Não será, pois, de forma natural e pacífica que as mudanças culturais e comportamentais se irão processar a nível da gestão política. A partir desta fase de transição, veremos emergir um novo perfil de gestor político (esta é a minha esperança, pelo menos): competência a nível das relações internacionais, da história política, das diversas culturas; aptidões sociais, capacidade de negociação e de compromisso; empatia, tomada de decisões respeitando as prioridades e os valores essenciais. A seguir a esta base comum, a competência na sua área específica: economia, finanças, justiça, educação, saúde, cultura, etc. - na política internacional, os grandes desafios: a paz é o maior desafio. Também a fome, a pobreza, as desigualdades regionais e sociais. A seguir, a gestão dos recursos naturais, o respeito pelo planeta e o seu equilíbrio já tão fragilizado, a eficiência energética. Estes grandes desafios estão todos interligados. Tal como a nível nacional, também a nível internacional veremos as lideranças questionadas por movimentos cívicos.