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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A eficácia dos movimentos cívicos


Hoje recebi no mail, tal como milhões de participantes em muitas iniciativas e petições da Avaaz, um desafio: colaborar, com a nossa opinião, na definição das estratégias mais eficazes a utilizar em 2017, face aos desafios urgentes actuais, e desenhar a acção do movimento a 5, 10, 20 anos.
Desafios como as alterações climáticas e a expansão da cultura de ódio e intolerância de partidos nacionalistas já são suficientemente graves e urgentes para nos ocupar ao longo do próximo ano, mas há outros, ligados a estes, como as guerras e os refugiados, os países e regiões asfixiados pela dívida, a economia sugada pela finança, a desinformação e a linguagem agressiva nas redes sociais.

Penso que é isso precisamente que tenho vindo a fazer aqui n' A Vida na Terra: partilhar ideias, perspectivas, propostas, para lidarmos de forma inteligente, criativa e eficaz com os grandes desafios e dilemas actuais.
É também isso que me motiva na partilha de informação, opiniões e vídeos no Twitter: @avidanaterra.
O Twitter tem-se revelado uma ferramenta de comunicação e partilha de informação muito ágil e eficaz.
Também o Youtube se tem afirmado como outra ferramenta fundamental.


Aqui vai a minha contribuição à Avaaz:

1 - A nossa participação é exponencialmente reforçada quando nos posicionamos na perspectiva de cidadãos do mundoOs regimes totalitários emergem mais facilmente em situações de crise económica, propagam-se com o argumento do bode expiatório e com a linguagem do ódio, promovem a divisão, colocam pessoas contra pessoas, comunidades contra comunidades. É preciso desmontar todas as estratégias utilizadas pela cultura totalitária destas lideranças;

2 - a nossa eficácia é melhorada quando nos consciencializamos que somos responsáveis por nós próprios, pelas gerações futuras, e por lidar com os grandes desafios e dilemas actuais da humanidade. Estes são de tal modo importantes e urgentes que não podemos continuar a entregar o poder de decisão do nosso futuro - e, no cenário actual, da preservação da nossa espécie -, aos políticos, à finança, aos que detêm o poder e a influência das grandes decisões;

3 - a nossa acção é reforçada quando é percebida de forma clara e inequívoca, baseada em informação objectiva e fiável, utiliza uma linguagem que respeita a diversidade de perspectivas e opiniões, e promove a cultura da colaboração e da partilha, que exige uma atenção muito apurada para a linguagem utilizada nas redes sociais. É importante a recusa firme em aceitar a intolerância, a agressividade, o apelo ao ódio e à violência.








quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Do activismo organizado às comunidades criativas

Tem sido através do Twitter que tenho recebido informação do que se passa. Ver notícias tornou-se demasiado deprimente. Já vi o filme. É fácil projectarmo-nos num futuro próximo, digamos ao longo de uma década, no país e na Europa.
O que estão a fazer ao país? Que país irreconhecível vai sair da continuação da gestão danosa dos políticos profissionais actuais, dos tecnocratas da UE e dos técnicos do FMI?
Regiões sacrificadas (do termo sacrifice zones de Chris Hedges) e gerações sacrificadas em nome de quê?, é um tema a que me irei dedicar a seguir, a propósito de informação divulgada pela Pordata sobre o envelhecimento do país e taxa de natalidade. 

Mas hoje é sobre esta súbita preocupação do poder oficial sobre a sua perda de expressão popular, que o mesmo é dizer, perda da sua legitimidade democrática.

A OECD organizou um forum aberto sobre esta questão, mas parte da variável errada, a meu ver: os governos podem fazer mais para recuperar a confiança.
Só uma mudança cultural profunda, acompanhada por uma mudança do equilíbrio de forças, social, financeiro e económico, pode alterar este declínio inevitável da confiança nos políticos profissionais. E não é só nos políticos, é nas personagens que representam: os tecnocratas europeus, os técnicos do FMI, os representantes da alta finança.
É por isso que duvido da eficácia deste forum na recuperação da confiança perdida, mesmo que se tente uma aproximação à sociedade civil. Sem uma cultura de base favorável ao equilíbrio saudável e à partilha de poder nas grandes decisões colectivas, não existe a possibilidade de recuperar os próprios princípios em que se baseia a democracia.
É essa cultura que começamos a ver surgir naturalmente, como capacidade de adaptação ao desenvolvimento científico e tecnológico, nos mais diversos locais, nas redes sociais, na informação partilhada, no investimento directo em projectos.

Outra grande mudança cultural que vemos emergir e que irá, a meu ver, alterar o equilíbrio do poder nas comunidades locais mas também nas comunidades virtuais, é a transição do activismo organizado para comunidades criativas. Um exemplo muito interessante e significativo é o do grupo Occupy Wall Street. Embora a utilização de máscaras, o anónimo, não me agrade pessoalmente (nunca gostei de máscaras, nem no Carnaval), esta iniciativa inteligente e criativa já antecipa outras do género: eficazes na informação aos cidadãos e na rapidez da acção concreta. Em breve veremos simples cidadãos a ajudar-se mutuamente na sua defesa dos apertões governamentais e financeiros. É a nova participação cívica, uma cultura da colaboração. 

Resumindo, uma cultura comunitária sem os constrangimentos geográficos e culturais das antigas comunidades essencialmente conformistas e com regras rígidas para garantir a sua sobrevivência e segurança. A nova cultura comunitária respeita a diversidade, é naturalmente democrática, valoriza a informação partilhada e o equilíbrio saudável do poder social, económico e financeiro como bases fundamentais da qualidade de vida tendencialmente universal.
   


domingo, 28 de julho de 2013

Economia baseada na cooperação

Descubro no Twitter, onde se descobre imensa informação interessante, este artigo do Shareable sobre uma das regiões mais ricas de Itália, em que 30% da sua economia se baseia nas cooperativas:
"The Emilia-Romagna region in Northern Italy is one of the richest in Europe, known for its high-end car manufacturing. While Emilia-Romagna is one of the most economically successful regions in Europe, it is also one of the most cooperative regions in the world. Nearly two of every three of its 4.5 million citizens are members of a cooperative. Cooperatives support around 30% of the region’s GDP, making it a stellar example of a large-scale cooperative economy. ..."

O artigo liga-se a outros artigos, um dos quais sobre a importância da cooperação na economia actual:
"The United Nations has named 2012 as the International Year of Cooperatives, and indeed, co-ops seem poised to become a dominant business model around the world. Today, nearly one billion people worldwide are cooperative member-owners. ...
Além de cooperação, outras palavras-chave para a economia do séc. XXI: novos modelos de negócio, crescimento sustentável, benefício da comunidade.
Um dos exemplos mais inesperados de cooperativas bem sucedidas é o de Madragón em Espanha:
What has allowed Mondragon to grow steadily without abandoning its cooperative principles? For one thing, it has embraced innovation, and worker-owners have repeatedly chosen to reinvest in the future of the corporation. It's also based in the Basque community, known for its strength and cooperative nature. ... "
Portanto, já temos aqui mais palavras-chave: inovação e relativa autonomia.
Há outra implicação social a reter neste tipo de economia baseada na cooperação:
" In 2000, poverty expert Barbara Peters visited the town of Mondragón. She labeled it a “town without poverty” -- and also noted the absence of “extreme wealth.” ...


As restantes palavras-chave são partilha, responsabilidade e futuro:
"Ultimately, the key to equal employment and fair wages may be as simple as taking control of our own economic realities, stepping up and sharing the responsibility for our future. ... 
Cooperatives have been around in one form or another throughout human history, but modern models began popping up about 150 years ago. Today’s co-ops are collaboratively owned by their members, who also control the enterprise collaboratively by democratic vote. This means that decisions made in cooperatives are balanced between the pursuit of profit, and the needs of members and their communities. Most co-ops also follow the Seven Cooperative Principles, a unique set of guidelines that help maintain their member-driven nature. ... While 20th-century corporations were good at making money, the 21st century finds humanity in need of new business models that value sustainable growth and community benefit. The UN stands behind cooperative models, and in 2012 will dedicate its efforts to raising awareness of co-ops, helping them grow and influencing governments to support them legislatively. ..."


Daí a importância de todo um trabalho de sensibilização política de modo a criar legislação adequada. E muito importante: " ... Mondragon benefited from that governmental support, without governmental interference in the company's autonomy. ..."
Precisamente, o inverso do que se verifica actualmente na Europa e mais acentuadamente ainda nos States, as enormes desigualdades sociais, o que reflecte um modelo económico desequilibrado e insustentável.

Destaco aqui um vídeo, Together - the documentary, do CECOP - Cicopa Europe, sobre a capacidade de resistência à crise das cooperativas:





sábado, 25 de maio de 2013

O que podemos aprender com a partilha?

Quando descobri este filme dos anos 40 no youtube, The More The Merrier, fiquei de imediato fascinada. Cresci com os filmes americanos que passavam na televisão e esse fascínio permaneceu.
Ontem, num passeio pelo Twitter, e a propósito desta notícia no Shareable, lembrei-me do filme.
Na verdade, foi a primeira parte do filme que me fascinou: inicia-se em forma de documentário, uma cidade que cresce de repente, Washington DC, à volta de escritórios governamentais sobretudo, e com tudo o que vem agregado: sub-aluguer de apartamentos, restaurantes improvisados, transporte partilhado com horários definidos.
Reparem na partilha dos terraços dos prédios, só possível em prédios de altura mediana: a criançada e os adultos podem apanhar sol à vontade.
Reparem igualmente no design do carro, o transporte partilhado, de linhas onduladas tão actuais.
O que me interessou reter do filme:
- o espaço pode ser aproveitado pelo grupo, partilhado pelo grupo, gerido pelo grupo;
- o transporte pode ser partilhado com vantagens evidentes para todos.



Ontem também fiz outra descoberta nesse passeio pelo Twitter e igualmente através do Shareable, e vale a pena ler
Nos anos 30 chamaram-lhe Reciprocal Economy e iniciou-se em movimentos cívicos e muita criatividade, pragmatismo e respeito pelo trabalho e por cada indivíduo. Tudo começou em 32 com a UXA (Unemployed Exchange Association), no essencial um movimento de cooperativas que se replicaram pela California e outros estados. Nunca tinha ouvido falar de Rhodehamel mas esta personagem merece um filme.
Este texto de John Curl, já na década de 80, termina neste tom:
"...
If the government had not undercut the cooperatives, would they have become a permanent part of the economy? What if EPIC had won: could it have actually ended poverty and unemployment? Rather than speculate about what might have been, let us instead note that around us today is a situation in many ways reflecting that of 1932, and consider what might yet be.
Rhodehamel stressed that a primary reason that cooperatives were needed was that a growing body of people were being permanently displaced by technological changes. The ranks of the unemployed in the thirties, like today, were filled with highly trained and skilled people who would never find a job in their fields again, particularly middle-aged people. Today that process has accelerated; we are being told continually to prepare ourselves for a permanent situation of high unemployment. As America changes from a production economy to a "service economy" and production shifts to multinational firms with factories in Asia, a "permanent" underclass of unemployed, underemployed, and never-employed is being formed. Unemployed associations and self-help cooperatives are the natural organizational forms that spring from people in this situation, just as labor unions are natural for the employed.
Will the unemployed settle for "permanent unemployment"? Or might the unemployed rise again in a social movement? Could there be a new version of EPIC and the UXA?
Perhaps the final curtain on the Self-help movement has not yet been dropped."