Mostrar mensagens com a etiqueta comunidades criativas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta comunidades criativas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de julho de 2017

As populações já não se revoltam, exigem



Os políticos estavam habituados a lidar com a revolta das populações e preparavam-se para isso.
Acontece que a revolta apenas esgotava a resistência emocional num determinado período de tempo.
As pessoas comuns perceberam que não estão isoladas, são comunidades vivas, ligadas entre si por fios invisíveis e inteligentes. A tecnologia permite-nos estender o olhar e dar as mãos mesmo estando distantes.

As populações já não se revoltam, exigem.
Mas estarão os candidatos partidários preparados para a cultura da participação cívica que implica prestar contas, transparência, informação adequada, respostas eficazes?
As autárquicas são o primeiro passo para refrescar a democracia e equilibrar as desigualdades. 

Hoje soa-nos obsoleto, ridículo e até ofensivo, o espectáculo das autárquicas. Deputados que se candidatam, candidaturas que mudam de partido, a continuidade dos mesmos rostos e dos mesmos tiques, todo esse folclore.
Os partidos convencionais, PS, PSD, CDS, ainda não perceberam que esse folclore deixa agora de ser tolerado.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Portugal: é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas



O país está em choque. Com imensas perguntas para fazer. A questão é: a quem?
Quem sentimos que nos representa hoje, em quem confiamos para nos responder? 

No meu post de ontem responsabilizo o ministério da administração interna, o ministério da justiça, a protecção civil, a polícia judiciária, o ministério público, o presidente de câmara e os presidentes das juntas de freguesia. Esqueci-me do ministério da agricultura e do ambiente. 

Neste momento sinto que ficamos sem verdadeiros representantes a quem apresentar as nossas perguntas. 
Antecipamos os seus argumentos já gastos e nada convincentes.
A limpeza da floresta é o mais utilizado.
Mais recentemente as alterações climáticas.

A protecção civil tem de incluir essas condicionantes na mobilização dos meios e estratégias.
Investir na prevenção implica identificar os riscos, antecipar-se à situação de perigo, colocar os meios e as estratégias nos pontos sinalizados.
Informar as populações das medidas de prevenção, fazer simulações, se for caso disso dar formação a voluntários.
Li num artigo que não há bocas de incêndio, por exemplo, nas aldeias isoladas.

A cultura de bloco central persiste na administração pública. Esquecemos com facilidade que o governo é do PS e que os vícios culturais estão lá todos. 
Simpatizamos com o PM, que sabemos competente e responsável, e com alguns jovens que nos surgem esclarecidos e actualizados.
Mas nada de essencial mudou na cultura das elites políticas e dos grupos fechados. 
É por isso que considero que o PS não merece a maioria absoluta. 
E que o BE e o PCP, que têm funcionado como os movimentos cívicos que nos faltam, devem dar o corpo ao manifesto em futuros acordos e participar na gestão política.

E entretanto, se queremos melhorar a nossa democracia, ter representantes que realmente nos representam, que valorizam as populações para lá dos recursos e do déficit, que encaram o país como um todo na sua diversidade, que procuram o equilíbrio litoral-interior, é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas.
Os franceses resolveram assim o esgotamento politico dos partidos convencionais, que se ia traduzindo numa alucinação colectiva: votar no seu pior inimigo. Situação que se verificou na América.


terça-feira, 30 de maio de 2017

A nossa frustração é idêntica à de milhões de americanos





Na beleza incrível de Taormina, que inspira qualquer mortal, passeou-se a personagem que os republicanos, os democratas e o próprio sistema político americano colocaram no poder. Indiferente ao lugar, os seus olhos avaliadores fixaram um a um, os políticos de cada país, pelo seu valor monetário e pelos negócios lucrativos que daí podem advir. 
Só isso conta, nada mais. As relações diplomáticas, a colaboração científica, as prioridades actuais, os grandes desafios, tudo isso é colocado no cesto do lixo e o que fica na secretária é o que surge resumido num tweet.

Compreendemos a frustração de Merkel. Todos gostaríamos de ver na presidência americana alguém com quem se pudesse trocar ideias claras e concretas sobre assuntos vitais para a uma convivência mutuamente favorável.

A nossa frustração, por essa impossibilidade actual, não nos deve levar a esquecer a frustração idêntica de milhões de americanos. A presidência americana actual não representa as suas populações. A personagem pode ter sido levada a prestar juramento mas verifica-se, em todo o processo, uma clara ausência de credibilidade e legitimidade.

Desde o presidente Carter que a América vive uma grave crise cultural, uma reviravolta de valores.
A partir de Reagan a cultura que emerge é a do valor monetário, a globalização baseada na finança. Isto coincidiu com o início das alucinantes desigualdades sociais.
Este olhar avaliador sobre as pessoas, quanto valem em números, que lugar ocupam na lista dos mais ricos, acentuou-se a partir daí.

E no entanto, esta cultura do objecto, da avaliação de tudo em termos monetários, continentes, regiões, países, recursos e pessoas, não corresponde à cultura da colaboração que vemos bem activa e dinâmica nas comunidades, nas cidades, numa grande parte da população americana.
É nestas comunidades e cidades que está a inovação cultural, a possibilidade de criar novas plataformas políticas, que permitam às populações escolher o futuro em que querem viver.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Em que mundo queremos viver no futuro próximo?





Vemos nos sites de vanguarda tecnológica a apresentação de protótipos de carros futuristas, robots com forma humana, a inteligência artificial, e a promoção acrítica de um novo mundo automatizado e robotizado.

O impacto na vida dos humanos é abordado na perspectiva da necessidade da sua adaptação ao novo mundo :) em vez do que seria expectável: construir um mundo para os humanos em que a automatização e a robótica se adaptam às suas necessidades.

Já vimos a uberização da economia e a facebookização da interacção social :) 
Agora vemos esta cultura da automatização e robotização dos humanos, rodeados de tralha e ruído. 
Porque, não tenhamos dúvidas, o que deixam atrás de si é latas e lixo. Exemplo: na mobilidade, os driverless cars: latas a entupir as ruas das cidades.

A robótica tem imensas aplicações benéficas e úteis. Exemplos: na saúde, na nanotecnologia, nas operações delicadas; nas graves limitações físicas, na mobilidade e na comunicação; nas tarefas mais exigentes e perigosas, na manipulação de produtos tóxicos, etc. 

Isto não implica a alienação de tudo o que nos identifica como humanos. Uma espécie de humanos-robots, consumidores da última invenção tecnológica. 
Programados pelos que detêm o poder: Big Techs e Big Banks :)

É tempo de reflectir neste percurso e em que mundo queremos viver: se nesse mundo novo ou num mundo escolhido por nós.






quinta-feira, 11 de maio de 2017

É tempo dos americanos começarem a preparar novas plataformas políticas :)





O projecto inicial dos Estados Unidos tem uma forte ligação à França.
Hoje, tal como no início do seu projecto, os Estados Unidos podem aprender com a experiência actual francesa: a possibilidade da inovação cultural na política.

Já não se trata de revolução mas de evolução, ainda que seja um salto quântico, uma vez que passar de uma lógica de sistema político partidário para uma perspectiva da política baseada na participação cívica, implica a passagem do domínio do cérebro reptiliano para a utilização do córtex cerebral. :)
É como saltar de uma plataforma plana, estática e disfuncional para uma plataforma interactiva, móvel, eficaz. Passar de uma cultura de grupos competitivos para uma cultura de comunidades criativas que colaboram entre si.

O sistema político americano deu o berro com Trump. Chegou a um impasse. Não consigo visualizar qualquer futuro viável para o partido republicano e já agora, para o partido democrata também. Embora o partido democrata ainda possa servir de fonte para o surgimento de algumas plataformas, isto é, tem alguns recursos técnicos e culturais que podem ser utilizados e optimizados numa perspectiva prática.

Por isso, acho que é tempo dos americanos começarem a preparar novas plataformas políticas.
Sugeri começarem pela experiência política recente na França, mas em caminho também podem passar por Portugal. :)

Portugal é um caso de estudo que vale a pena visitar. Passou por uma sequência de governos de partidos que se alternavam no poder. Esta cultura política partidária da alternância já vem do séc. XIX e provou não levar a lado nenhum mas servia às elites. 
No intervalo ainda passámos por um sistema unipartidário :) fechado sobre si próprio, que exigia o pensamento único e a obediência cega.

Já viram que tivemos que fazer esta viagem incómoda, aos solavancos, para chegar aqui?
Agora aqui estamos, pela primeira vez, a aprender a viver realmente numa democracia de qualidade. Digamos que a alternância deixou as pessoas sem alternativa política. :) 
E só foi possível sair desse impasse porque os votos estavam de tal forma distribuídos que se conseguiu formar um governo baseado em acordos parlamentares. 
Tal como cá, o mesmo irá suceder em França. Acabou-se a alternância entre conservadores e socialistas. Já saíram do impasse, já saltaram da plataforma plana, estática e disfuncional para uma plataforma interactiva, móvel e eficaz. 




terça-feira, 21 de março de 2017

O cinema num futuro próximo





Post publicado no Rio sem Regresso:

Como será o cinema num futuro próximo? Continuará a prevalecer a longa-metragem? Quais os géneros que terão mais audiência? O cinema passará a ser interactivo?

Em 10 anos em que este rio aqui navega (festeja a 14 de Julho), muita coisa mudou no cinema, embora pareça estar tudo na mesma. :) A longa-metragem é o formato que domina; o investimento necessário ainda é elevadíssimo; os prémios continuam a ter uma importância especial, sendo os óscares os mais valorizados; os actores continuam a ser os mais bem pagos da equipa, bem acima dos argumentistas e da edição/montagem, por exemplo.

O que mudou e está a mudar é cultural: uma maior proximidade dos actores com o público; uma maior participação dos actores, realizadores e produtores em projectos de valor social; uma consciência da responsabilidade do seu poder de influência. Vemos muitos actores a realizar filmes e/ou a produzir filmes, o que revela que hoje os actores participam activamente no processo criativo.

As maiores mudanças no cinema estão a delinear-se:
- as mega-produções e co-produções, como The Wall, serão frequentes e promissoras;
- haverá cada vez mais espaço e oportunidades para a inovação cultural, que surgirá´de micro-produções de equipas e/ou de comunidades criativas, pois a tecnologia acessível é cada vez mais sofisticada;
- o género documentário irá florescer a par dos outros géneros, e os actores poderão ser recrutados na população geral e/ou de uma comunidade local, especificamente para cada projecto;
- na ficção científica procurar-se-á a verosimilhança, o respeito pelas leis científicas em detrimento de efeitos especiais e da fantasia;
- a animação será a indústria com um potencial incrível, onde tudo ainda é possível;
- a curta-metragem passará a valer por si, deixando gradualmente de funcionar como uma simples apresentação de um trabalho para captar investimento para a longa-metragem;
- a média-metragem (40' a 50') começará a ser preferida relativamente à longa duração actual;
- o cinema torna-se interactivo: os espectadores participam na experiência, seja em forma de avaliação emocional de cada cena, de comentários em forma de símbolos ou outros feedbacks. Ir ao cinema será equivalente a ir a uma festa, participar numa experiência sensorial e emocional. Veremos, no final da apresentação do filme, a possibilidade de ficar para a segunda parte com o feedback da assistência que poderá levar a alguns momentos interessantes e até hilariantes, tal como acontece no teatro. Também poderá incluir filmagens de comentários dos elementos da equipa sobre a ideia e a experiência, ou cenas que não foram incluídas, ou episódios cómicos, tal como nas cassetes e nos cd's que alugávamos nos clubes vídeo. O espectador deixará, pois, de ser tratado como voyeur, excepto nos filmes considerados para adultos :) ;
- os clichés estarão fora de moda: ninguém consegue agarrar-se à ponta de um precipício depois de se ter desequilibrado, um fugitivo não escolhe correr no meio da rua ou da estrada, a explosão iminente de uma bomba não é travada no penúltimo segundo :)... e o cliché padrão da comédia romântica: rapaz conhece rapariga, sentem-se maravilhosamente na companhia um do outro, zangam-se, música de fundo e rostos tristíssimos de cada um e, já quase no final, as pazes com um beijo :).



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Instituições democráticas funcionais servem de crivo às ambições de pessoas e de grupos


2017 começa como um filme com várias personagens e todas elas assustadoras. De onde vieram? Como apareceram? Sim, porque nenhuma delas nasceu hoje.
Devem a sua existência e prosperidade a um sistema de negócios internacionais, de contactos pessoais, de defesa de interesses de grupos. Alguns são identificáveis, outros não.

Na América chegou-se ao ponto de se aceitar pacificamente que a personagem, que vão inaugurar daqui a uma semana, descredibilize os serviços de inteligência e os media na primeira conferência de imprensa. 
Esta conferência de imprensa foi muito bem ensaiada, tratava-se de só responder ao que não a compromete e recusar-se a responder a certas agências de informação apelidando-as de "notícias falsas."

A partir daqui podem imaginar o que se segue? Na ausência de instituições democráticas funcionais e de agências de informação credíveis, resta aos cidadãos defender-se e defender a democracia.
É aqui que entram os movimentos cívicos e as comunidades criativas.

Já se fala em movimentos de cidadãos que se vão manifestar na rua junto às instituições governamentais locais. É uma estratégia interessante.
Quanto às grandes manifestações de rua nas mega-cidades, já sou mais céptica. Colocar a integridade física em risco nunca foi a minha opção. Lembram-se de Seattle?



A eficácia dos movimentos cívicos pode ser aumentada com a cultura da colaboração e as novas tecnologias. 
É certo que as redes sociais vão estar na mira da personagem e das personagens que a rodeiam. Mas nem mesmo a sua fantasia alucinada de reeditar os gloriosos anos 80 vai conseguir que boicotem a sua utilização. Podem corrompê-las, colocar mecanismos de distracção, linguagem agressiva, mas permanecerá uma forma criativa e eficaz de colaborar.

Caros Millennials, esta mensagem é directa: vivi nos anos 80 com a vossa idade actual, e posso-vos garantir que não tinha nada desse glamour que vêem e ouvem nas bandas musicais. Era um tédio cultural. Andámos para trás em relação aos anos 70 que, pelo que leio e ouço, também já foram um retrocesso em relação aos anos 60. 







sábado, 12 de novembro de 2016

Como cidadãos do mundo temos um incrível poder: de amar, de unir, de criar comunidades, de curar o mundo


Vivemos num mundo que já é, nalgumas regiões do mundo, a utopia dos nossos antepassados: paz, saúde, qualidade de vida. 
Falhámos, no entanto, enquanto espécie, na grande vastidão do planeta e estamos muito perto de destruir as condições básicas para continuar a habitá-lo.
Fome, guerra, deslocações em massa, esse é o inferno de milhões de conterrâneos.
E entre estas duas realidades temos o limbo, vidas paradas, estagnadas, adiadas ou aprisionadas, onde a revolta é o motor principal a alimentar a esperança.

Imaginem, tal como John Lennon imaginou, que era possível canalizar esta revolta, esta energia criativa, para acordar consciências, unir capacidades, criar comunidades, curar o mundo.



Já aqui referi o exemplo verdadeiramente impressionante da UXA (Unemployed Exchange Association) no tempo da grande depressão americana. Tudo o que foi conseguido entre 32 e 34! A capacidade criativa e organizativa, e sem os instrumentos de comunicação que hoje temos ao dispor.
E o que fez o governo? Apressou-se a intervir, substituindo-se à liderança das comunidades de cidadãos. Antes que a moda pegasse e as pessoas se apercebessem que os governos podem ser facilmente substituídos...

Não, não estou a propor tal ideia... mas simplesmente: é nossa responsabilidade mostrar aos governos como se pode liderar e gerir um projecto para os cidadãos e com os cidadãos. 
Porque já percebemos que os governos não podem ser deixados à vontade a governar sozinhos em nosso nome.

É esta a nossa utopia como cidadãos do mundo, tornar possível a água potável, a alimentação, a saúde, a realização pessoal, a toda a população terrestre, em harmonia com o planeta e a sua diversidade.
Eu sei, eu sei, para utopia parece uma megalomania. Mas por falar em megalomania... o que dizer então dos tresloucados que querem apropriar-se dos recursos terrestres?, e para, tão somente, aumentar as suas contas bancárias nos offshores, ou o seu poder de influência política, de pressão, de chantagem?, e os que provocam guerras para manter ou para expandir o seu poder alucinado?, e os que fecham as portas aos que fogem dessas guerras?

O que vimos acontecer desde o início deste século já é mais do que suficiente para perceber com que megalomanias temos de lidar.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A eficácia do activismo político: da rua para as redes sociais

Aqui procurei analisar a eficácia na mudança cultural, de movimentos como o Occupy Wall Street e iniciativas criativas de comunidades. Julgo que a eficácia se revela essencialmente nas comunidades criativas, em colaboração, e que, relativamente ao activismo político, a sua eficácia se irá revelar essencialmente nas redes sociais.

Os activistas que estão a acompanhar a COP21 em Paris insistem em manifestar-se na rua apesar das restrições por razões de segurança.  Esta insistência também me parece dever-se à ideia de que os cidadãos não devem alterar a sua vida e a sua liberdade por causa da ameaça terrorista, mas na realidade é isto que irá acontecer: as nossas vidas irão ser alteradas por questões de segurança.
Mas independentemente dessa realidade que nos bateu à porta, as manifestações de rua já começam a perder a sua eficácia. Vejam como o Brasil invadiu as ruas ao longo de dois anos e pouco conseguiu a nível de mudança cultural e política. A "Presidenta" ainda se mantém firme no poder.

Os cidadãos hoje podem colaborar em rede estando em diferentes continentes. A eficácia do activismo político vai passar cada vez mais pelas redes sociais, meio em que a sua acção se tornará mais eficaz e criativa.

As lideranças mundiais pensam que ainda vivem no séc. XX, em que a globalização apenas serve a finança e as grandes corporações. É por isso que apresentam sempre resultados frustrantes e insuficientes para os grandes desafios mundiais. As suas respostas continuam a ser as convencionais. Ex: os bombardeamentos em resposta aos ataques terroristas; a COP21 em que não conseguem sair da sua lógica economicista.

O mundo do séc. XXI é um mundo de mudanças rápidas, de maior flexibilidade e criatividade. As novas gerações já se movimentam nesse mundo. É o mundo da informação, do trabalho em colaboração, da acção criativa.






terça-feira, 22 de abril de 2014

O novo mundo descentralizado e o novo equilíbrio instituições - indivíduos





Começamos a percepcionar à nossa volta um novo mundo que começa a sobrepor-se ao que nos têm imposto como único. Este novo mundo está já a alterar as nossas vidas e a lógica de certas áreas de actividade. Também se alteram as relações entre produtor e consumidor. Assim como o equilíbrio global - local, corporações - comunidades, instituições - indivíduos. Todas estas alterações terão um impacto na economia, na finança, na política, as áreas onde o poder se tem concentrado.
E no entanto, estas áreas onde o poder se tem baseado mantêm a sua lógica obsoleta e um discurso desfasado da realidade actual, insistindo que somos nós que temos de nos adaptar.

No nosso país, por exemplo, esta desfocagem do essencial e da realidade que já nos estrutura hoje, revela-se dramática porque estamos a esgotar um tempo precioso, uma janela de tempo que se encurta a cada dia que passa.
O tema actual no país é, compreensivelmente, o balanço de 40 anos do 25 de Abril, até porque se verifica uma distância cada vez maior partidos políticos - cidadãos eleitores. A democracia vive aqui tempos de uma fragilidade enorme em termos de representatividade e legitimidade. Um dos nossos especialistas na Constituição, Freitas do Amaral, aponta mesmo para a necessidade de se formarem novos partidos, para se recriar um novo sistema democrático representativo.
Já poucos acreditam que os actuais se consigam reformar por dentro.

Nesta nova tendência da descentralização, vemos em contra-mão a UE, uma organização pesada, complexa, burocrática, que também se distanciou dos cidadãos europeus e que sempre evitou dar-lhes voz em questões fundamentais. Agora depara-se com o preocupante cenário do ressurgimento de extremismos políticos.
Um novo equilíbrio instituições - cidadãos vai implicar necessariamente uma mudança na UE e no euro. Menos poder centralizado em gabinetes, aliás menos gabinetes e menos funcionários, mais flexibilidade e proximidade com os países, regiões, comunidades. A relação entre países e regiões só pode melhorar com uma descentralização progressiva. 
Portanto, não são os cidadãos que se terão de adaptar ao mundo que nos querem impor, dos mercados, dos grandes bancos, dos grandes grupos económicos, das troikas e dos governos que lhes prestam vassalagem. São precisamente esses grupos que se terão de adaptar ao novo mundo que já nos rodeia.   

Agrada-me pensar que o novo mundo descentralizado, de pessoas e comunidades ligadas em tempo real, permite maior capacidade de cada um organizar a sua vida de forma satisfatória e gratificante. Visualizo esse novo mundo potencialmente inclusivo, na lógica da colaboração e partilha. A minha esperança baseia-se na constatação que as pessoas comuns se relacionam melhor entre si do que as instituições e corporações. 
Posso destacar vários exemplos que propositadamente vou seleccionar à área da filantropia. Porquê? Porque a lógica do mundo que nos querem impor está de tal forma impregnada culturalmente que até nesta área da beneficência, fazer o bem digamos assim, mantém-se uma espécie de propaganda e marketing, mas também de um neo-colonialismo subliminar:


Se repararmos, a palavra "pobre" estigmatiza e diminui o outro em vez de o animar e fortalecer. É a atitude paternalista de quem se dirige a alguém que precisa de ser ensinado e apoiado. Não há uma troca de experiências e sabedoria, não há uma relação entre iguais na sua condição humana. 
O caso dos inúmeros campos de refugiados é outra mancha na dignidade humana. Há campos que se mantêm passados muitos anos da intervenção de emergência, como é o caso do Haiti, onde muitas famílias vivem ainda em tendas e pagam renda por isso... isto é, há quem lucre à custa da manutenção de uma situação precária e frágil.
Escolhi este exemplo de uma família síria apanhada numa tragédia mais recente:


  

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

União bancária, o controle total dos cidadãos europeus

Cá está a tecla da solução, martelada pelo governo: a união bancária vai resolver as actuais dificuldades de alguns países europeus, incluindo o português.
Estas instituições e estas iniciativas já mostraram o seu verdadeiro rosto metálico e frio. Por isso, quando os gestores políticos nos mentem descaradamente já percebemos que eles já são irrelevantes, o próprio parlamento é irrelevante, quem manda são essas entidades estranhas a tudo o que é humano e vital.
A história irá dar-lhes um lugar e uma classificação, pois só se justificaria esta atitude de cumplicidade se lhes tivessem aplicado um chip sub-cutâneo que os tivesse programado para debitar a grande mentira e participar na grande ilusão.
Repito: por cá, os gestores políticos de governos sucessivos foram bons alunos de Bruxelas sabendo quais as consequências da sua gestão incompetente e irresponsável.

Como já aqui referi, ninguém na UE assume o próprio falhanço do "sonho europeu". Ninguém se responsabiliza pela situação precária de milhões de europeus, de países sacrificados, regiões sacrificadas, gerações sacrificadas.
Mas a austeridade que nos surge como um grande falhanço começa agora, com esta insistência na união bancária que vai salvar os países e "segurar" o futuro, a ser perspectivada como uma estratégia político-financeira.

Pensem comigo: de que outra forma os cidadãos europeus aceitariam sequer esta ideia totalitária? Já imaginaram o poder de controle que estas personagens e grupos não identificados nem identificáveis vão ter sobre as vidas de milhões de cidadãos? As vidas concretas, de pessoas concretas, que eles ignoraram completamente?
Personagens e grupos que assistiram indiferentes a pessoas a perder o seu trabalho, as suas casas, os novos sem-abrigo, os novos excluídos, os jovens sem futuro, a fome a generalizar-se?
Personagens e grupos não identificados nem identificáveis que enriqueceram, de forma selvagem e escandalosa, sobre essa destruição sistemática de vidas concretas?
Para que os cidadãos europeus aceitassem entregar as suas vidas e o seu futuro e das suas famílias foi preciso explorá-los, depois assustá-los, para agora lhes prometerem um "seguro de vida", a maravilhosa união bancária, a solução fantástica.

Interessante George Orwell ter previsto este cenário no seu 1984, continentes a funcionar como grandes blocos geo-políticos a lutar entre si, prevendo o caminho da massificação, e não da diversificação como naturalmente esperaríamos se a democracia entrasse na fórmula da organização futura.
Massificação e alienação, o poder e o controle completamente centralizado e desconhecido, é esse o segredo destas iniciativas.

Troika, eurogrupo, BCE, FMI, gabinetes inacessíveis onde se decide tudo o que diz respeito às populações dos países europeus, mas a que os próprios interessados, os cidadãos, não têm lugar.
Mas já andam a preparar as próximas eleições europeias, como se de uma democracia se tratasse. O marketing político já começou a teclar, mas não convence. Os cidadãos europeus já perceberam que estão fora das decisões sobre a sua própria vida e futuro. Os cidadãos europeus só contam como contribuintes e para dar o sangue e os ossos para pagar o negócio da dívida.

Interessante coincidência, ontem revi o filme The International, com o Clive Owen, um investigador determinado que descobre graves irregularidades num grande banco. A lógica do funcionamento destas instituições foi muito bem desmontada no filme:




Dá que pensar, não dá? Que estratégias poderão escolher hoje os cidadãos para se defender desta grande armadilha que lhes estão a preparar na Europa?
Que mecanismos democráticos ainda existem, no seu país e/ou nas organizações europeias em que possam confiar?
Para já, unir-se na sua comunidade e noutras comunidades, partilhar informação, criar estratégias adequadas e eficazes, apoiar-se mutuamente:





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Do activismo organizado às comunidades criativas

Tem sido através do Twitter que tenho recebido informação do que se passa. Ver notícias tornou-se demasiado deprimente. Já vi o filme. É fácil projectarmo-nos num futuro próximo, digamos ao longo de uma década, no país e na Europa.
O que estão a fazer ao país? Que país irreconhecível vai sair da continuação da gestão danosa dos políticos profissionais actuais, dos tecnocratas da UE e dos técnicos do FMI?
Regiões sacrificadas (do termo sacrifice zones de Chris Hedges) e gerações sacrificadas em nome de quê?, é um tema a que me irei dedicar a seguir, a propósito de informação divulgada pela Pordata sobre o envelhecimento do país e taxa de natalidade. 

Mas hoje é sobre esta súbita preocupação do poder oficial sobre a sua perda de expressão popular, que o mesmo é dizer, perda da sua legitimidade democrática.

A OECD organizou um forum aberto sobre esta questão, mas parte da variável errada, a meu ver: os governos podem fazer mais para recuperar a confiança.
Só uma mudança cultural profunda, acompanhada por uma mudança do equilíbrio de forças, social, financeiro e económico, pode alterar este declínio inevitável da confiança nos políticos profissionais. E não é só nos políticos, é nas personagens que representam: os tecnocratas europeus, os técnicos do FMI, os representantes da alta finança.
É por isso que duvido da eficácia deste forum na recuperação da confiança perdida, mesmo que se tente uma aproximação à sociedade civil. Sem uma cultura de base favorável ao equilíbrio saudável e à partilha de poder nas grandes decisões colectivas, não existe a possibilidade de recuperar os próprios princípios em que se baseia a democracia.
É essa cultura que começamos a ver surgir naturalmente, como capacidade de adaptação ao desenvolvimento científico e tecnológico, nos mais diversos locais, nas redes sociais, na informação partilhada, no investimento directo em projectos.

Outra grande mudança cultural que vemos emergir e que irá, a meu ver, alterar o equilíbrio do poder nas comunidades locais mas também nas comunidades virtuais, é a transição do activismo organizado para comunidades criativas. Um exemplo muito interessante e significativo é o do grupo Occupy Wall Street. Embora a utilização de máscaras, o anónimo, não me agrade pessoalmente (nunca gostei de máscaras, nem no Carnaval), esta iniciativa inteligente e criativa já antecipa outras do género: eficazes na informação aos cidadãos e na rapidez da acção concreta. Em breve veremos simples cidadãos a ajudar-se mutuamente na sua defesa dos apertões governamentais e financeiros. É a nova participação cívica, uma cultura da colaboração. 

Resumindo, uma cultura comunitária sem os constrangimentos geográficos e culturais das antigas comunidades essencialmente conformistas e com regras rígidas para garantir a sua sobrevivência e segurança. A nova cultura comunitária respeita a diversidade, é naturalmente democrática, valoriza a informação partilhada e o equilíbrio saudável do poder social, económico e financeiro como bases fundamentais da qualidade de vida tendencialmente universal.