Todas as possibilidades de convivência das diversas formas de vida na Terra. A relação humanos - Terra. A relação humanos - humanos. A relação humanos - outras espécies.
O atentado em Berlim deixou-nos deprimidos e com razão. As pessoas sentem-se vulneráveis e indefesas. Muitos comentadores especializados nestas questões têm dito que a ameaça terrorista actual é dirigida ao nosso modo de vida e que é importante darmos uma clara mensagem de que não temos medo. A sério? Continuar a frequentar locais de grandes aglomerações para mostrar que não temos medo? Continuar a dar-lhes os cenários perfeitos para nos tornarmos as próximas vítimas de outros atentados? O medo é natural e aceitável, negar o direito a sentir medo é que não é aceitável. Correr riscos desnecessários é que não é aceitável. A melhor segurança das populações está na antecipação e na prevenção. Portanto, relativamente a este tipo de atentados, a primeira condição de segurança que se pode assegurar às populações é não permitir a circulação de veículos pesados dentro de um perímetro definido nas cidades. A meu ver, esta é a primeira condição de segurança preventiva nas cidades. É claro que estudar os motivos dos atentados é útil para evitar a sua ocorrência futura. Há um ódio cego nestes atentados de Nice e Berlim, que aponta para uma retaliação. Mas o objectivo final dos atentados parece ser o de desestabilizar, separar, desunir, assegurar o caminho a governos que retaliam em vez de anteciparem e prevenirem, e de retaliação em retaliação, arrastar estupidamente as populações para o caos, guerras, destruição, e mais mortes. Nos condomínios privados onde estas lideranças populistas vivem, podem engendrar estratégias reactivas e de retaliação, porque quem morre nas ruas são as populações indefesas. Portanto, de que forma se pode melhor prevenir a escalada de violência? Assegurar governos de lideranças inteligentes, equilibradas, sensatas, que promovam a estabilidade, a segurança, a união. Isto implica, naturalmente, exigir uma avaliação imparcial da saúde mental e dos traços de personalidade, de todos os candidatos à liderança de qualquer país. Trump não passaria na avaliação, Marine Le Pen também não. O que nos leva necessariamente a questionar o papel das Nações Unidas na questão da antecipação e prevenção, para assegurar a segurança das populações. Já vimos documentários suficientes em que a ONU só intervém para salvar as populações quando a situação já se descontrolou e já ocorreram muitas mortes e destruição.
Nuestros hermanos ainda não têm um governo! Será possível? 2 eleições legislativas e nada resulta daí? Ontem no programa informativo da RTP3 com a Ana Lourenço falou-se na eventualidade de uma terceira ida a votos. Uma das explicações do falhanço dos acordos seria a pouca flexibilidade de Rajoy e a sua dificuldade de negociar. De qualquer modo, a responsabilidade de encontrar uma solução para a gestão política do país também recai sobre os restantes partidos. Também se referiram os prejuízos desta indefinição, para Espanha mas também para Portugal e a Europa. A nível político, económico e, como sempre nestas coisas da política, social. E é por isso que, como também foi referido, no caso de terceiras eleições prevê-se que o PSOE seja fortemente penalizado. O antigo PM González terá mesmo dito que o PSOE se deveria abster para viabilizar o governo. A democracia implica a capacidade e a responsabilidade de negociar. Será que os políticos em questão têm esta capacidade e responsabilidade? Quando se trata de analisar o comportamento e a acção de políticos é difícil sermos objectivos e não nos deixarmos influenciar pelo preconceito. A classe política tem-nos desiludido tanto que já não temos grandes expectativas. Rajoy, o que me sugere este político? Teimoso, fora de moda, sem carisma nem entusiasmo. Sánchez movimenta-se como um toureiro na arena, com a vaidade própria dos políticos a quem falta maturidade. Iglesias parece um adolescente tardio em fase de afirmação, e não é só o rabo-de-cavalo que incomoda, ou as mangas de camisa em acto formal. É o olhar inquieto de alguém hiperactivo, esquivo e escorregadio. Finalmente, daria o benefício da dúvida a Rivera do Ciudadanos, como um político em formação, capaz de aprender com a experiência e capaz de negociar. No caso de terceiras eleições, muita coisa vai mudar nas lideranças do PP e do PSOE, a meu ver. Não me parece possível propor aos cidadãos espanhóis um terceiro acto eleitoral com os mesmos protagonistas. Não sei se Felipe VI tem essa influência mas, da próxima vez que lhe aparecessem à frente, revelar-se-ia urgente e necessário exigir aos lideres partidários para refrescar os seus partidos internamente antes de se apresentar de novo a terceiras eleições. Que não seriam este ano, evidentemente, mas no início do próximo. Não quereria arriscar um novo falhanço perante o povo espanhol que merece mais respeito.
Hoje qual é a melhor estratégia para assegurar a segurança dos cidadãos? E qual foi a estratégia escolhida pelas lideranças de França, Reino Unido, Alemanha? O que falhou em Paris? Não era lógico que fosse por aí que deviam começar? Reunir para analisar o que falhou, que tipo de violência é esta, como se financia, como adquire o armamento, como se desloca entre países, como se infiltra nos países, como recruta adolescentes? E seguidamente definir as melhores estratégias para lidar com este tipo de ameaça para os cidadãos? Os cidadãos são precisamente o alvo deste tipo de ataques. Os cidadãos que querem apenas viver em paz e poder confiar que as lideranças são capazes de assegurar a sua segurança.
Os cidadãos têm de observar e reflectir no que se está a passar em seu nome: Qual a resposta mais adequada a este tipo de ataques terroristas? Qual o papel dos cidadãos na sua própria defesa e segurança? Qual o papel dos cidadãos na questão urgente dos refugiados? Quem ganha com intervenções militares? Quem lucra com a guerra convencional? A resposta mais adequada a este tipo de violência terrorista é a prevenção, utilizando as novas tecnologias e procurando antecipar possíveis ataques. Ao nível da Defesa, um novo tipo de intervenção, na nova lógica do séc. XXI: inteligente, rápida, de antecipação. Com a utilização das novas tecnologias. Com a capacidade de ter acesso ao mundo opaco e informal da Finança, porque é aí que hoje tudo começa.
Ao nível social, todos sabemos o que isso implica: investir realmente no futuro dos jovens sem futuro. Contrariar as crescentes desigualdades sociais. E começar já. Claro que as condições sociais não explicam tudo, mas explicam muito. Como disse recentemente um especialista, a frustração de jovens desocupados que deambulam por bairros que são autênticos guetos, e se apercebem das crescentes desigualdades sociais, é uma condição favorável à sua recruta.
O papel dos cidadãos é mais importante do que se imagina:
Desmontar os equívocos sobre a violência. E, para isso, nada como ler atentamente Arno Gruen: "Falsos Deuses", "A Loucura da Normalidade" e "A Traição do Eu". É preciso compreender a natureza da violência, aprender a lidar com ela e a prevenir que se expanda. E é tão fácil expandi-la, justificá-la e massificá-la... Segundo Arno Gruen, uma grande parte da população é conformista, isto é, facilmente manipulável. É aqui que reside a sua maior fragilidade.
Não se deixar embalar pelos discursos oficiais, distanciar-se de respostas reactivas, pensar pela sua própria cabeça. Observar as decisões políticas das lideranças, e a comunicação social que matraqueia as posições oficiais. Observar a realidade sem filtros ilusórios ou distorcidos. Só na BD ou nos discursos oficiais o mundo é a preto e branco. As lideranças falam de uma ameaça exterior, como se a violência viesse de fora, de um território delimitado e de culturas e nacionalidades definidas. A ameaça já cá está. Recrutando adeptos, jovens vulneráveis e impressionáveis à glorificação da morte, a ilusão de uma heroicidade. Não é por acaso que estes jovens são adolescentes. E não é por acaso que vivem em bairros sem futuro. Ninguém pode viver sem futuro.
Estar atento e vigilante, de forma calma e ponderada, a todos os apelos à violência e tentar definir a forma como prevenir os focos de violência. Prevenir é agir de forma empática e sensata, cada um à sua dimensão e responsabilidade, e em colaboração. As redes sociais são um meio de comunicação e de informação muito poderoso. A globalização não beneficiou apenas a finança sem lei nem regras, os negócios internacionais obscuros, e agora este tipo de violência contra cidadãos. A globalização aproximou os cidadãos à escala planetária.
Promover a cultura da empatia e da colaboração. A intervenção vai passar pela educação das novas gerações, pela sua preparação para um mundo que publicita e glorifica a violência e a morte. A sua preparação para observar e reflectir, e agir de forma autónoma e responsável. A sua preparação para identificar a violência, no local onde vive, na família, na escola, na universidade, nas redes sociais, na finança, nas multinacionais, na venda de armas, nos crimes ambientais, nas decisões políticas. O ódio e o medo são os melhores aliados da cultura da violência e da destruição. É o ódio que preenche o vazio da linguagem do poder, e é o medo que a alimenta. Num vídeo que se tornou viral, um pai tenta explicar ao filho o inexplicável sobre a violência, revelando a atitude saudável, calma, empática, de responder à violência. Quando a criança diz, amedrontada, Temos de mudar de casa, o pai responde, A França é a nossa casa. Mas eles são maus..., Há maus em todo o lado. Mas eles têm pistolas..., E nós temos velas e flores..., As velas e flores é para nos proteger. Um desabafo nas redes sociais que também se tornou viral, o de um pai que perdeu a mulher: Náo terão o meu ódio. E pensemos na coragem de alguns que, perante os tiros no recinto, ainda assim, protegeram outros com o seu corpo. Ou nos que, na rua, foram socorrer os feridos sem pensar nos riscos que corriam, enquanto outros escondiam os fugitivos aterrorizados na sua casa.