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quinta-feira, 23 de março de 2017

Londres: a segurança em democracia





É incrível como depois de Berlim cidades como Londres, potenciais alvo deste tipo de ataques terroristas, não alteram a sua mobilidade. Esta é uma questão essencial, de segurança.
A protecção das populações é uma prioridade em democracia. O valor da vida é, numa democracia, um valor prioritário. E a liberdade deve ser considerada, em primeiro lugar, como o direito à vida. É aqui que a segurança entra.

Continuo sem perceber esta mensagem dos responsáveis políticos depois de ataques horríveis no coração das suas cidades, como se estivessem num teatro bélico a falar directamente para os terroristas: vamos continuar com o nosso estilo de vida. 
O que as pessoas precisam de ouvir não é isso. O que as pessoas precisam de ouvir é: vamos tomar todas as medidas de segurança preventiva para que este tipo de ataques não volte a ocorrer.

Tal como em Berlim, põe-se a questão fundamental da mobilidade. A mobilidade dentro das cidades tem de ser encarada de uma forma inteligente e inovadora.
Os transportes públicos também têm alguns desafios relativamente à segurança: aglomeração de pessoas num espaço reduzido. Com as novas tecnologias não há forma de disparar alarmes com a presença de metal, como nos aeroportos? (Muitas chaves de casa vão disparar? E muitas moedas nas carteiras? Bem, de qualquer modo em breve tudo isso será substituído por cartões.)

Os cidadãos têm o direito à informação sobre medidas de segurança preventiva, que comportamentos adoptar, que comportamentos evitar. É mais inteligente lidar com os riscos e evitá-los do que a atitude de querer manter um estilo de vida e correr riscos porque se é corajoso. 

Os actuais equívocos relativamente à liberdade são culturais e políticos. Ninguém se questiona sobre os desequilíbrios económicos e financeiros que também limitam (e muito) a liberdade.
Resolver os equívocos relativamente à liberdade também resolve os equívocos relativamente à segurança em democracia.




terça-feira, 10 de maio de 2016

Europa: as boas notícias primeiro






O Partido Pirata tornou-se um franchizing político: Suécia, Berlim, Islândia. Democracia baseada na transparência, no empowerment dos cidadãos, na participação, nas redes sociais. É, sem dúvida, uma cultura política do séc. XXI.
Em Londres ganhou o Labour Party.

Estas são as boas notícias da Europa. As más aí vão:

A Europa deu argumentos ao PM da Turquia para a acusar de "cruel" ao "fechar as portas aos refugiados".
A Grécia não consegue a compreensão do Eurogrupo, nem depois de ter acolhido milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação económica precária.
Verifica-se um ressurgimento preocupante da extrema-direita nos países do norte e centro e, a sul, na Grécia.
A Espanha vai ter de repetir eleições.
Obama vem ao Reino Unido e traz o TTIP na pasta.

Ricardo Paes Mamede lembrou no Números do Dinheiro desta semana os benefícios da integração europeia em programas como o Erasmus e os subsídios para a investigação. Mas logo depois lembrou o caminho escolhido pelas instituições europeias, sobretudo a partir da crise financeira de 2008.

Ninguém revelou muito entusiasmo a falar da Europa na televisão. A Europa política, económica e financeira, o projecto inicial de colaboração entre os países, tudo isso foi adulterado pelos tecnocratas e pela finança. E os políticos foram atrás.

Claro que todos juntos somos mais fortes. E que seria óptimo ver o projecto original a desenhar-se de forma saudável. Mas o que vemos é um edifício metálico à prova de informação e transparência. Trata-se de um poder centralizado que não responde perante instituição alguma. Apesar de ter um parlamento.