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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Fátima é da Terra e do Céu





Há lugares que nos animam, outros que nos entristecem. Fátima sintoniza-nos com toda a humanidade.

Fátima lembra-nos o Céu na Terra, não como uma promessa vã e manipuladora de alguma espécie de reconhecimento póstumo pelas nossas boas acções, mas como a possibilidade de uma vida com dignidade, amor e paz para todos os seus habitantes.

O início das peregrinações a Fátima é comovente. Duas crianças com uma alma imensa, que se expande para lá dos montes de oliveiras e fica a iluminar vidas por todo o planeta.

Quando penso na alma vejo nela a mesma forma do universo, como se expande, como se ilumina e apaga, como se multiplica em poeira.
Também há matéria escura, e buracos negros. E o desconhecido, a que os físicos teóricos dedicam horas de reflexão. :)

Também vejo a alma como células, cada uma com toda a informação genética. É só transpor para a poeira luminosa, cada partícula transporta toda a informação da original.

Voltemos à Terra. :)

Francisco veio a Fátima. Um peregrino entre peregrinos. O peregrino da esperança. O peregrino da paz.

Francisco sabe o que é a dor, o sofrimento, mas não o vemos render-se a essa situação. É essa a sua natureza. A sua alma luminosa. A alegria de estar vivo e poder tocar, de forma indelével e discreta, as vidas simples da comunidade humana que quer viver com dignidade, amor e paz.

  



quinta-feira, 21 de abril de 2016

O perfil de secretário-geral da ONU





Pela primeira vez na ONU, que faz 70 anos, a escolha do secretário-geral faz-se através de uma selecção apertada, com audiências, debates, entrevistas.
As primeiras ocorreram este mês e as próximas serão em Maio.

Aqui já me referi à candidatura de António Guterres por ser português.
Entretanto já fui pesquisar a lista de candidatos/as.


Qual o perfil ideal de um secretário-geral da ONU?

Qual a cultura que se pretende implementar na ONU? Que tipo de reformas? Que desafios enfrenta?
O vídeo acima fala-nos de transparência, abertura às mulheres, apresentar resultados. Os grandes desafios: mobilizar para a paz, os direitos humanos, as alterações climáticas. 
Que perfil corresponde a esta cultura e a estes desafios?
Liderança, capacidade para tomar decisões difíceis e de mobilizar países e recursos. 

O percurso de cada um/uma demonstra provas dadas: como lidou com situações de emergência? Como conseguiu mobilizar países e recursos? Como foi ouvida e respeitada a sua autoridade? 
Será escolhido/a essencialmente por apresentar resultados.

Qualidades que facilitam a interacção, liderança, respeito: como aborda as questões essenciais? Como define prioridades? Consegue passar a sua mensagem? Promove a cultura do séc. XXI, virada para o futuro, porque os desafios são mesmo esses: que futuro?, se o dos conflitos e das catástrofes naturais, ou o da paz possível e da qualidade de vida para as novas gerações.

E há a questão política que também vai pesar. Candidatos/as que são considerados com reservas pelo bloco ocidental e outros/as pelo bloco oriental. Não sei se também haverá um bloco norte e um bloco sul, mas tudo isto entrará na decisão final. 

Em todos os processos de selecção de candidatos que elaborei, penso ter conseguido a objectividade necessária. Por vezes tive candidatos posicionados em ex aequo e nessa circunstância é a empresa que tem a decisão final.
Neste caso da escolha do próximo secretário-geral da ONU, dei comigo a pesar na balança estas condições: "português" e "mulher", porque sou portuguesa e mulher. Como se estas duas características, por si só, tivessem qualquer peso.
A abertura a candidaturas de mulheres na cultura da mudança que se quer implementar na ONU é muito importante, até porque somos 51% da população mundial. 
No entanto, o "factor mulher" só deve ser ponderado em segundo lugar. As capacidades e qualidades únicas de cada candidato/a é que terão de prevalecer. O seu percurso. As provas dadas. A obtenção de resultados.

Até ver, a minha pesquisa sobre os/as candidatos/as tem-me levado a algumas surpresas agradáveis.








   

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A verdadeira ironia

Do Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª edição: Ironia = Forma de interrogação outrora empregada por Sócrates em relação aos sofistas e que consistia em levá-los a contradições sucessivas para os convencer dos seus erros. // Sarcasmo em que se diz o contrário do que se que dizer e em que só pelo tom se reconhece a insinceridade das palavras. // Aquilo que apresenta contraste frisante com o que logicamente devia ser.

A verdadeira ironia desta tragédia recente em França é que os auto-intitulados "libertários", isto é, os que defendem a "liberdade acima de tudo", estão a contribuir activamente, e sem disso terem sequer consciência, para a limitação da liberdade na Europa.
E comparar a sátira agressiva (já vou explicar porque a considero assim) com o jornalismo de investigação ou com a reportagem de guerra que tornam visíveis as mortes anónimas diárias, não é compreensível.

Causar a morte de outro é o mesmo crime, não é isso que está aqui em causa.
O que está aqui em causa é a violência, a sua necessidade, a construção social de "inimigos", a alucinação de "inimigos", seja em nome da laicidade "libertária", seja em nome do fundamentalismo religioso, seja em nome do pragmatismo financeiro.

A violência e o ódio ateiam-se de várias formas, com palavras, com imagens, com armas.
Reparem que não encontramos a palavra "inimigo" apenas nos discursos inflamados dos fundamentalistas. A palavra "inimigo" surge com preocupante frequência nos discursos de políticos ocidentais, da esquerda à direita.

Tudo o que dizemos ou calamos, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, tem consequências. Primeiro estamos sensíveis à nossa própria experiência, seja agradável ou desagradável. A pouco e pouco aprendemos a ver e a sentir as experiências dos outros e a sentir o que os outros estão a sentir porque já o sentimos. É  a partir desta experiência que surge a consciência. E é a partir desta experiência que surge a responsabilidade.

A verdadeira ironia, a meu ver, é esta contradição humana: em nome do que se acredita (ou se diz acreditar) provocar exactamente o contrário.
Os defensores da "liberdade acima de tudo" estão a contribuir para um caminho securitário e limitador da liberdade (veja-se o que aconteceu depois do 11 de Setembro).
E os defensores da "vida", da "segurança", da "tranquilidade", da "tolerância", estão a contribuir para o aumento das divisões, fracturas e violência.
Como? Deixando-se embalar por palavras, imagens e ideologias que trazem em si mesmas a violência, a fractura, o ódio, a humilhação de outros.
Defender a vida e a liberdade é ter consciência das consequências das nossas palavras, atitudes, comportamento. Defender a vida e a liberdade é defender a paz e rejeitar todo o tipo de violência. 

A verdadeira ironia está de olhos abertos a olhar para dentro de nós e para o mundo. Pode ser directa e cruel, mas nunca apela à violência, nunca humilha. Pelo contrário, confere-nos o poder de nos sentirmos vivos, conscientes e unidos.
A verdadeira ironia traz em si mesma a capacidade de aceitarmos a nossa fragilidade e as nossas contradições. A verdadeira ironia une-nos a todos na nossa humanidade.






Também senti a crueldade da ironia neste início de ano: afinal comecei a falar da possibilidade da Europa se abrir e conseguir receber refugiados e emigrantes, e dias depois o futuro da Europa vai pender para o caminho inverso.









sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Previsões para 2015 e anos seguintes

Uma das capacidades humanas é a antecipação de acontecimentos e tendências do futuro próximo. Sem esta capacidade não nos conseguiríamos adaptar às mudanças inevitáveis.

Escolhi propositadamente a palavra "previsões" e não "antecipação" para provocar os Viajantes que por aqui passam.

Aqui vão, pois, da minha inteira responsabilidade, as previsões para 2015 e anos seguintes:

- na política nacional, as eleições legislativas: veremos ganhar expressão os movimentos cívicos. É inevitável uma maior exigência relativamente à competência e eficácia dos gestores dos recursos públicos. Uma das minhas maiores perplexidades é verificar a exigência dos políticos com profissionais como os professores, por exemplo, e não se submeter aos mesmos critérios de avaliação. Ora, finalmente os cidadãos começam a avaliar o seu desempenho e a exigir que consigam atingir os objectivos a que se propõem.
É assim que o maior receio dos políticos actuais se irá verificar: a expressão eleitoral significativa de movimentos cívicos e de lideranças fora dos partidos tradicionais.
2015 - 2018 serão anos de transição, portanto, de mudança, de conflitos institucionais, de turbulência. É que ninguém gosta de perder influência e poder. Não será, pois, de forma natural e pacífica que as mudanças culturais e comportamentais se irão processar a nível da gestão política.
A partir desta fase de transição, veremos emergir um novo perfil de gestor político (esta é a minha esperança, pelo menos): competência a nível das relações internacionais, da história política, das diversas culturas; aptidões sociais, capacidade de negociação e de compromisso; empatia, tomada de decisões respeitando as prioridades e os valores essenciais. A seguir a esta base comum, a competência na sua área específica: economia, finanças, justiça, educação, saúde, cultura, etc.

na política internacional, os grandes desafios: a paz é o maior desafio. Também a fome, a pobreza, as desigualdades regionais e sociais. A seguir, a gestão dos recursos naturais, o respeito pelo planeta e o seu equilíbrio já tão fragilizado, a eficiência energética.
Estes grandes desafios estão todos interligados. Tal como a nível nacional, também a nível internacional veremos as lideranças questionadas por movimentos cívicos.








quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A paz

No primeiro dia do ano este balanço dramático. Como é possível?
As zonas de conflito continuam a alastrar-se como enormes feridas abertas.
Enquanto as populações sofrem, há quem alimente a destruição e ainda lucre com a sua desgraça.

A paz, palavra repetida nas negociações da ONU, continua a ser desprezada relativamente aos interesses económicos e/ou estratégicos.

A vida humana começa a perder o valor que tinha adquirido na história recente. Tudo é avaliado em termos estratégicos e de interesses ocultos. Tudo é triturado, ossos e sangue, na máquina infernal do calculismo do poder e do lucro.

O mais comovente dos vários documentários que descobri no youtube é ver como os refugiados são recebidos e acolhidos nos países fronteiriços e em aldeias perdidas nas montanhas, enquanto na Europa se verifica uma incapacidade de lidar com estes fluxos migratórios.