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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nas próximas autárquicas valorizar uma mudança cultural política



As próximas autárquicas são fundamentais na mudança da cultura política economicista que dominou no país desigual e que agravou desequilíbrios.
Jerónimo tem razão. A reforma florestal ão resolve tudo, o argumento abandono da floresta não esclarece tudo. O abandono foi outro: desinvestimento progressivo no interior, desmantelamento das estruturas uma a uma, e isto durante décadas.

Lembram-se? Postos de GNR, centros de saúde, postos dos correios, escolas, tudo foi fechando apesar dos protestos das populações.
A administração pública foi abandonando as populações do interior.
É certo que há agora unidades móveis para certos serviços. Mas e a presença da GNR? E os correios? E a escola? 
E as ligações dos transportes públicos? Vejam bem a rede actual que serve as populações e que os obriga a utilizar o táxi para se deslocar para tudo, sobretudo para ir a um centro de saúde.
Estas são as questões essenciais nas próximas autárquicas.

A cultura política a valorizar:
- as pessoas primeiro, as famílias, a qualidade de vida, a segurança;
- optimização dos recursos e gestão responsável;
- uma comunidade em colaboração com outras comunidades;
- abertura à participação cívica, transparência da informação;
- cultura democrática, de equilíbrio, na gestão dos recursos colectivos.

O perfil de presidente de câmara e de presidente da junta de freguesia começa a delinear-se.
Vou dedicar um post à definição do perfil e à análise dos candidatos às câmaras e juntas de freguesia do interior do pais, abandonado e esquecido pelas elites políticas.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Portugal: é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas



O país está em choque. Com imensas perguntas para fazer. A questão é: a quem?
Quem sentimos que nos representa hoje, em quem confiamos para nos responder? 

No meu post de ontem responsabilizo o ministério da administração interna, o ministério da justiça, a protecção civil, a polícia judiciária, o ministério público, o presidente de câmara e os presidentes das juntas de freguesia. Esqueci-me do ministério da agricultura e do ambiente. 

Neste momento sinto que ficamos sem verdadeiros representantes a quem apresentar as nossas perguntas. 
Antecipamos os seus argumentos já gastos e nada convincentes.
A limpeza da floresta é o mais utilizado.
Mais recentemente as alterações climáticas.

A protecção civil tem de incluir essas condicionantes na mobilização dos meios e estratégias.
Investir na prevenção implica identificar os riscos, antecipar-se à situação de perigo, colocar os meios e as estratégias nos pontos sinalizados.
Informar as populações das medidas de prevenção, fazer simulações, se for caso disso dar formação a voluntários.
Li num artigo que não há bocas de incêndio, por exemplo, nas aldeias isoladas.

A cultura de bloco central persiste na administração pública. Esquecemos com facilidade que o governo é do PS e que os vícios culturais estão lá todos. 
Simpatizamos com o PM, que sabemos competente e responsável, e com alguns jovens que nos surgem esclarecidos e actualizados.
Mas nada de essencial mudou na cultura das elites políticas e dos grupos fechados. 
É por isso que considero que o PS não merece a maioria absoluta. 
E que o BE e o PCP, que têm funcionado como os movimentos cívicos que nos faltam, devem dar o corpo ao manifesto em futuros acordos e participar na gestão política.

E entretanto, se queremos melhorar a nossa democracia, ter representantes que realmente nos representam, que valorizam as populações para lá dos recursos e do déficit, que encaram o país como um todo na sua diversidade, que procuram o equilíbrio litoral-interior, é tempo de nos unirmos em comunidades criativas e participarmos na gestão colectiva criando novas plataformas políticas.
Os franceses resolveram assim o esgotamento politico dos partidos convencionais, que se ia traduzindo numa alucinação colectiva: votar no seu pior inimigo. Situação que se verificou na América.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Se queremos que o movimento En Marche! seja bem sucedido




O movimento En Marche! é um fenómeno social e político do séc. XXI.

É certo que as circunstâncias foram favoráveis: os partidos convencionais deixaram de traduzir e representar as expectativas legítimas das populações, a UE adulterou o seu projecto fundador e Le Pen continuou a atrair os votos da revolta e do medo. 


Características essenciais para o movimento En Marche! ter conseguido esta mobilização:

- há um programa que é apresentado e que se manterá coerente ao longo do seu percurso. Esta autenticidade e transparência é fundamental. Mais tarde haverá lugar à negociação com opiniões diversas, dependendo dos resultados nas legislativas;

- é um movimento cívico, baseado na participação activa das populações e construído com o voluntariado e disponibilidade dos seus membros, para todas as tarefas de informação e divulgação. Aqui reside a base da sua credibilidade;

- tem uma cultura inclusiva, que respeita a diversidade, e igualitária, que acolhe todas as pessoas que se reconhecem no seu programa e nos grandes objectivos. Esta é a primeira base da construção de uma legitimidade governativa.


Reparem nas grandes diferenças culturais de um movimento cívico e dos partidos convencionais:

- autenticidade: nos partidos convencionais vemos sobretudo políticos centrados na sua própria carreira política, com discursos oportunistas. Alguns, raros, até podem ser pessoas simpáticas e quase acessíveis, mas estão formatados pela cultura partidária. Exemplo muito recente: Manuel Valls não percebe que ainda não conquistou a credibilidade e legitimidade para se candidatar directamente às próximas legislativas pelo REM :) (République En Marche!), continuando a pensar pela lógica partidária. :) Na cultura do movimento cívico é um cidadão como todos os outros, um membro activo, mas terá de fazer caminho;

- coerência: também vemos nos partidos convencionais uma distância enorme entre a teoria e a prática. Muitas promessas são construídas e apresentadas com o objectivo único de conquistar votos. Este tempo está esgotado. Não há lugar para equívocos e/ou incompetências. Está em jogo a vida concreta das pessoas e as suas expectativas legítimas. Digamos que as pessoas se tornaram mais exigentes com a gestão política; 

- transparência: na política partidária convencional há uma cultura de grupo, às vezes de seita, um grande secretismo. Há informação privilegiada e troca de favores. Normalizaram-se práticas eticamente reprováveis. Há uma discrepância enorme entre essa cultura e os valores da democracia e da República, tão cara ao franceses (liberdade, igualdade, fraternidade). E também na UE, tornou-se insuportável o desvio relativamente aos seus valores fundadores;

- participação activa das populações: enquanto os partidos tradicionais pediam o voto e depois governavam por nós, como um cheque em branco, um movimento cívico pede a participação e a responsabilidade das populações. Há uma mobilização dos seus membros que são preparados para mobilizar as comunidades. E não apenas no início do movimento, é um compromisso de continuidade, é uma construção de comunidades activas e criativas;

- cultura inclusiva e igualitária: estas características são as mais difíceis de perceber pela cultura partidária.

- cultura comunitária e de partilha: mais importante do que a carreira individual (cultura partidária) é a eficácia da gestão colectiva. No exemplo de Manuel Valls, alguém terá de lhe dizer que avançar agora dá um sinal errado aos membros e aos votantes no REM :);


Sempre que um movimento cívico fica pelo caminho, alguma destas condições falhou. :)
E nós queremos que seja bem sucedido, pelos franceses em primeiro lugar, pelos europeus em segundo, e pelo equilíbrio de poderes mundial.






quinta-feira, 20 de abril de 2017

O que é que está a acontecer com as lideranças políticas actuais que todas se assemelham?





Como senti na alma o peso de lideranças que abafaram e alienaram o país, consigo imaginar o que estarão a sentir populações de países como o Reino Unido, a América, a Turquia... só para referir alguns.
No caso português, encontrou-se uma solução inovadora, uma equipa formada por um acordo inédito, de três grupos políticos, e que funciona. Parte da sua eficácia deve-se à vontade da maioria da população. E a outra parte à própria equipa: quem estragar o seu funcionamento sabe que irá enviar a população de volta ao séc. XX.

Hoje deve pensar-se na gestão política em termos de equipas, de acordos e/ou coligações. Já não faz sentido a gestão política apresentada ao público por um rosto e uma voz que tudo transmite e tudo representa. Estou a pensar, é claro, em Theresa May, em Trump e em Erdogan.
Dir-me-ão: alto lá! Há diferenças.
Diferenças? Em termos das consequências para as suas populações? 
Uma quer reforçar a sua legitimidade e a do Brexit, outro quer mostrar que é o homem mais poderoso do mundo, o terceiro juntou poderes em si próprio que legitimam uma tirania.

As populações do Reino Unido vêem-se agora condicionadas a voltar ao séc. XX e nem sei se não será para séculos anterioresAs que votaram Brexit arrastam agora todas as outras. 
As próximas eleições extraordinárias poderiam ser uma oportunidade para travar este desastre cultural, económico e político, se os grupos e movimentos se juntassem e colaborassem na construção de uma alternativa viável ao governo actual.

Estou mais optimista em relação à América. A inovação cultural está viva nas populações, mesmo naquelas que votaram Trump. 
O grande desafio será conseguirem furar um sistema político que foi construído para favorecer as elites e manter as populações no seu lugar. A nomeação de Trump deixou essa realidade a céu aberto. Agora as populações sabem que há um sistema político a reconstruir, equipas a formar, novos grupos e movimentos.

Quanto à Turquia, já imaginaram uma cidade como Istambul, que reflecte uma cultura aberta e flexível e consegue a proeza de fazer a ponte entre uma civilização antiga e uma perspectiva actual, ser condicionada à lógica do controle absoluto, à linguagem bélica, à criação alucinada de inimigos?

   
O que é que está a acontecer com as lideranças políticas actuais que todas se assemelham? E logo em países estratégicos para a vida do planeta.





segunda-feira, 16 de maio de 2016

Quando um governo não tem legitimidade política: o caso do Brasil






Neste vídeo, a proximidade com as pessoas que se manifestam espontaneamente compensa o facto de ser um vídeo amador. O jovem que filma vai descrevendo de forma objectiva o que vê: o facto de ser uma manifestação espontânea, não programada, o facto de se verem muitas mulheres, muitos jovens, o que vão dizendo, em nome das mulheres, dos operários, dos pobres, dos indígenas. Recordam o caminho que os avós e os pais percorreram contra a ditadura. Democracia e luta. Esta é a essência da sua revolta contra o golpe político e o governo Temer.  

"A democracia brasileira morre aos 27 anos" diz Gregório Duvivier, um dos colaboradores do Porta dos Fundos. E esclarece numa síntese perfeita a cultura retrógrada do governo Temer.
A minha primeira perplexidade: onde é que estes fantasmas estavam escondidos? Nalgum sótão de um casarão velho cheio de teias de aranha? Este tipo de homem saído do séc. XIX existe mesmo? Não é uma imagem halográfica replicada em 16 figuras para nos convencer que são mesmo reais, de carne e osso?
A minha segunda perplexidade: como foi possível isto acontecer no Brasil?

Como tudo na vida, caros Viajante que passam por este cantinho do vozes_dissonantes, se não tivessem saído do sótão escuro de onde manipulavam os negócios da política e a política dos negócios, nunca saberíamos da sua existência e nunca poderíamos desmontar a sua cultura de base.
As medidas que este governo já anunciou lembraram-me outras que aqui também já sofremos durante os 4 anos do governo-troika. Só que estes fantasmas estão todos implicados em casos de justiça. 

Para já, o povo brasileiro não aceita este governo. Mas não subestimar a força policial e militar que governos sem legitimidade política e com esta cultura retrógrada podem mobilizar contra as populações.



Post publicado no Vozes Dissonantes.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

O perfil de secretário-geral da ONU





Pela primeira vez na ONU, que faz 70 anos, a escolha do secretário-geral faz-se através de uma selecção apertada, com audiências, debates, entrevistas.
As primeiras ocorreram este mês e as próximas serão em Maio.

Aqui já me referi à candidatura de António Guterres por ser português.
Entretanto já fui pesquisar a lista de candidatos/as.


Qual o perfil ideal de um secretário-geral da ONU?

Qual a cultura que se pretende implementar na ONU? Que tipo de reformas? Que desafios enfrenta?
O vídeo acima fala-nos de transparência, abertura às mulheres, apresentar resultados. Os grandes desafios: mobilizar para a paz, os direitos humanos, as alterações climáticas. 
Que perfil corresponde a esta cultura e a estes desafios?
Liderança, capacidade para tomar decisões difíceis e de mobilizar países e recursos. 

O percurso de cada um/uma demonstra provas dadas: como lidou com situações de emergência? Como conseguiu mobilizar países e recursos? Como foi ouvida e respeitada a sua autoridade? 
Será escolhido/a essencialmente por apresentar resultados.

Qualidades que facilitam a interacção, liderança, respeito: como aborda as questões essenciais? Como define prioridades? Consegue passar a sua mensagem? Promove a cultura do séc. XXI, virada para o futuro, porque os desafios são mesmo esses: que futuro?, se o dos conflitos e das catástrofes naturais, ou o da paz possível e da qualidade de vida para as novas gerações.

E há a questão política que também vai pesar. Candidatos/as que são considerados com reservas pelo bloco ocidental e outros/as pelo bloco oriental. Não sei se também haverá um bloco norte e um bloco sul, mas tudo isto entrará na decisão final. 

Em todos os processos de selecção de candidatos que elaborei, penso ter conseguido a objectividade necessária. Por vezes tive candidatos posicionados em ex aequo e nessa circunstância é a empresa que tem a decisão final.
Neste caso da escolha do próximo secretário-geral da ONU, dei comigo a pesar na balança estas condições: "português" e "mulher", porque sou portuguesa e mulher. Como se estas duas características, por si só, tivessem qualquer peso.
A abertura a candidaturas de mulheres na cultura da mudança que se quer implementar na ONU é muito importante, até porque somos 51% da população mundial. 
No entanto, o "factor mulher" só deve ser ponderado em segundo lugar. As capacidades e qualidades únicas de cada candidato/a é que terão de prevalecer. O seu percurso. As provas dadas. A obtenção de resultados.

Até ver, a minha pesquisa sobre os/as candidatos/as tem-me levado a algumas surpresas agradáveis.