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domingo, 26 de junho de 2016

Brexit, um sinal de mudança cultural, política e económica





Esta foi uma semana de emoções fortes: a 5ª feira do referendo inglês, a 6ª feira do Brexit, o domingo das eleições legislativas em Espanha.

O Brexit tem sido dramatizado mas não compreendido. Depois de ouvir muitas reacções e opiniões, o Brexit começa a surgir, aos meus neurónios curiosos, como um sinal de mudança cultural, política e económica profunda. Esta mudança já se iniciou e vai comprometer grandes organizações centralizadas e burocráticas como a UE.
A relação local-global e indivíduos-organizações está a mudar com a tecnologia e a comunicação em rede.

A UE podia ter escolhido um caminho mais equilibrado e flexível nos acordos económicos e políticos e nos tratados que os países foram assinando, mas isso impediria a arquitectura económica do euro e o poder teria sido distribuído e equilibrado, e não centralizado em Bruxelas e nos países ricos e influentes.

A cultura da austeridade, em que os cidadãos foram penalizados pelos erros financeiros em cima da má gestão política, não ajudou nada à imagem da UE.
A forma incompetente e desorganizada como se lidou com os refugiados, atingindo o cúmulo de um acordo cínico com a Turquia, revelou a cultura da indiferença. O dinheiro vale mais do que as pessoas. Dinheiro em troca de pessoas. As pessoas não contam.

Criticam agora os ingleses por querer sair da Europa. Mas eles não saem da Europa, saem da grande organização UE. E se os acordos forem orientados por responsáveis competentes podem conseguir-se vantagens para todos.




segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Viram-se gregos para passar a sua mensagem à CE, ao BCE e ao Eurogrupo

O que os nossos amigos gregos tiveram de suportar para conseguir passar a sua mensagem dentro da suposta união europeia...
Duas eleições e um referendo no espaço de 9 meses.
Um suspense infernal do Eurogrupo até ao último minuto.
Limitação de levantamentos diários no multibanco.
Prensados contra a parede para aceitar a fórmula falhada.
Instabilidade no parlamento, dissidências e clarificação.

A mensagem dos gregos: queremos continuar a pertencer à UE, manter-nos no euro, ter condições de uma economia equilibrada e saudável e de um futuro viável para os nossos filhos e netos.

A fórmula falhada que lhes foi imposta, assim como a todos os países intervencionados e aos outros países da eurozona em geral, considera as variáveis dos gregos impossíveis de contemplar. 
Pertencer à UE e à eurozona não permite uma economia equilibrada e saudável nem um futuro viável.
Pertencer à UE e à eurozona não permite sair da lógica financeira em que a economia serve para a alimentar.
Pertencer à UE e à eurozona não permite flexibilidade que respeite as diferenças e especificidades de cada país.
Pertencer à UE e à eurozona não permite qualquer tipo de negociação (ganha-ganha), só a capitulação (ganha-perde).

Os gregos são hoje a antecipação do que nos espera.
Os seus desafios de Hércules são os desafios que nos esperam.

A mensagem dos gregos está agora mais viva do que nunca: há um povo que acredita ser possível uma outra fórmula que conjuga o euro com crescimento económico equilibrado e sustentável.

Mesmo considerando os constrangimentos que o euro nos impõe, há outras fórmulas. Porque não debatê-las abertamente, saltando por cima das regras absurdas de tratados que aliás nunca foram respeitados? Porque não tentar desenhar e verificar cenários possíveis para os países da eurozona? Em colaboração e não em confronto e imposição? Respeitando as diferenças e especificidades de cada país? Com flexibilidade e rigor e não com rigidez?