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quinta-feira, 2 de julho de 2020

A ciencia, a tecnologia e a inovacao sao essenciais para a implementacao da economia Doughnuts



A economia Doughnuts baseia-se essencialmente na gestao inteligente dos recursos de forma a assegurar o seu acesso a uma populacao e a uma intervencao regenerativa nos ecosistemas.
E aqui que entra a ciencia, a tecnologia e a inovacao.

Teremos tambem de fazer um exercicio:
A- o que entendemos por economia? A nossa perspectiva limita-a a economia monetaria, ou e abrangente, como em Alvin Toffler, que considera a nao monetaria como igualmente essencial para a manutencao das comunidades?
Acha que seria possivel manter uma sociedade a funcionar sem a contribuicao do trabalho nao remunerado e do voluntariado, assim como do papel do consumidor na economia?

Outro exercicio:
B- o que entende por recursos? Os recursos naturais, os equipamentos sociais, a capacidade de financiamento, e os recursos humanos?
A economia Doughnuts implicara uma gestao inteligente, em constante adaptacao e melhoria, com a colaboracao activa de toda a populacao.
Todas as pessoas participam na economia, cada uma no seu papel, e em interaccao.

Como comecamos a perceber, a partir destes dois exercicios, a economia actual nao e inteligente e as pessoas, como comunidade, nao contam do mesmo modo. Dai os seus profundos desequilibrios, desvios e danos.



terça-feira, 30 de junho de 2020

Desafio: implementar a economia Doughnuts numa cidade portuguesa ate 2030





Aceitei o desafio de Kate Raworth no twitter, uma investigadora e professora de Oxford, autora da economia Doughnuts (alguns chamam-lhe circular):
- implementar a economia Doughnuts numa cidade a nossa escolha com um prazo, 2040;
- definir as condicoes essenciais para essa implementacao.

Como gosto de desafios que impliquem observacao, analise, reflexao, aplicacao, aceitei o desafio.
Como o nosso habitat, a Terra, esta a dar-nos um prazo para nos expulsar de novo do paraiso, e connosco as especies magnificas com que convivemos, antecipei o desafio para 2030.

Ainda nao escolhi a cidade, divido-me entre as cidades que conheco e as cidades que gostaria de conhecer.

Comecei por definir as condicoes essenciais:

1- uma mudanca cultural profunda:
a) do caos actual pouco inteligente para uma organizacao inteligente;
b) transparencia da gestao institucional e participacao de todos os municipes;
c) envolvimento de toda a comunidade na gestao dos recursos comuns.

2- uma gestao inteligente, aberta, transparente, interactiva, em permanente actualizacao:
a) a iniciativa da mudanca parte das instituicoes, envolver a comunidade com informacao clara e em permanente actualizacao nos link do site, sobre: recursos comuns da cidade, empresas de agua, servicos de saude e hospitais, energia, empresas de transporte, tratamento de residuos e lixo, habitacao e area residencial, area empresarial, sector alimentar, escolas, politecnico, universidade, etc.
b) informacao sobre recursos financeiros e sua aplicacao;
c) os passos a dar para a implementacao da economia Doughnuts na cidade.

3- Iniciativa institucional do primeiro passo:
a) para evidenciar que nao se trata de mero anuncio de intencoes, esta primeira iniciativa tem de ser posta em pratica de imediato e responder a uma necessidade premente da comunidade: cuidados de saude acessiveis, transporte acessivel, educacao acessivel, etc, que seja praticavel;
b) implementada a iniciativa, o primeiro passo, a comunidade percebe que se trata de uma mudanca real, de um contrato aberto entre os decisores e os municipes. Esta fase e essencial, pois da o sinal de partida para a mudanca.


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Reino Unido: o voto dos jovens e a possibilidade da inovação cultural na política





O debate está aceso no Reino Unido. As eleições de 8 de Junho serão decisivas.

Muitos jovens podem ainda não ter percebido a importância do seu voto. Afinal, o seu voto não contou no Brexit, atiraram-nos para fora de uma Europa onde já se sentiam em casa.
E no entanto, a possibilidade da inovação cultural na política reside no seu voto.


Vivemos numa época de transição da política: das ideologias de grupos competitivos com propostas para formatar a nossa vida colectiva, para plataformas políticas baseadas na participação cívica responsável, comunidades criativas que trabalham em colaboração.

Neste momento, o Labour é o que se aproxima dessa cultura política inclusiva, que responde a desafios concretos e procura o equilíbrio social. É o primeiro passo para a inovação cultural na política.
Os conservadores são actualmente o principal obstáculo a essa possibilidade.

A fórmula é muito simples: votar estrategicamente - participar na vida política - criar comunidades criativas - trabalhar em colaboração.


Não se sabe ainda se o Brexit é ou não um processo reversível.
Tudo está a mudar muito rapidamente.

Quando votaram Brexit, ainda desconheciam a nova realidade mundial e as suas implicações:
- a nova administração americana e os estragos que pode implicar a nível político, económico, ambiental;
- os atentados em Londres e Manchester, e os enormes desafios a nível da segurança, que depende de uma colaboração estreita entre países e continentes; 
- as tensões sociais e a agressividade xenófoba, inflamada pela irresponsabilidade política dos Brexiteers, que utilizaram os imigrantes como bodes expiatórios.


A Europa também está a viver um período de transição, o que terá implicações, inevitavelmente, na UE, nos seus actuais desequilíbrios, e na sua cultura política e económica.


Este é o portal que se abre no tempo para os jovens do Reino Unido. 
E porquê no tempo?
Porque a incompetência política, a incapacidade de identificar os desafios, destacar as prioridades, escolher as estratégias eficazes, pode atrasar um país e com ele as vidas de gerações, por uma ou mais décadas. 
Essa é a importância do seu voto.







segunda-feira, 22 de maio de 2017

Em que mundo queremos viver no futuro próximo?





Vemos nos sites de vanguarda tecnológica a apresentação de protótipos de carros futuristas, robots com forma humana, a inteligência artificial, e a promoção acrítica de um novo mundo automatizado e robotizado.

O impacto na vida dos humanos é abordado na perspectiva da necessidade da sua adaptação ao novo mundo :) em vez do que seria expectável: construir um mundo para os humanos em que a automatização e a robótica se adaptam às suas necessidades.

Já vimos a uberização da economia e a facebookização da interacção social :) 
Agora vemos esta cultura da automatização e robotização dos humanos, rodeados de tralha e ruído. 
Porque, não tenhamos dúvidas, o que deixam atrás de si é latas e lixo. Exemplo: na mobilidade, os driverless cars: latas a entupir as ruas das cidades.

A robótica tem imensas aplicações benéficas e úteis. Exemplos: na saúde, na nanotecnologia, nas operações delicadas; nas graves limitações físicas, na mobilidade e na comunicação; nas tarefas mais exigentes e perigosas, na manipulação de produtos tóxicos, etc. 

Isto não implica a alienação de tudo o que nos identifica como humanos. Uma espécie de humanos-robots, consumidores da última invenção tecnológica. 
Programados pelos que detêm o poder: Big Techs e Big Banks :)

É tempo de reflectir neste percurso e em que mundo queremos viver: se nesse mundo novo ou num mundo escolhido por nós.






quinta-feira, 4 de maio de 2017

Esperemos que Macron se consiga desformatar da cultura financeira já que revela ser capaz de aprender :)





Post publicado no Vozes_Dissonantes:

Será possível alguém formado na finança, formatado na cultura financeira, para quem a economia se baseia na finança, desformatar-se dessa cultura?
É certo que Macron vê a economia como uma intercomunicação em tempo real, sempre em movimento, a que ele ainda chama de "ciclos" (e nós sabemos o que é que influencia os ciclos: os riscos financeiros).
A economia, assim perspectivada, valoriza sobretudo as empresas como o motor essencial, mas esquece-se que já estamos numa nova plataforma da economia. As empresas precisam da inovação e a inovação está nas pessoas e nas equipas. Mais, a inovação está nos jovens, aqueles que têm sido esquecidos pela cultura financeira.

E aqui temos o paradoxo de Macron, que esperemos ele consiga resolver em si próprio:
- ao perspectivar a economia colocando-se do lado das empresas como o motor da economia, é evidente que tem de referir "a protecção do trabalhador".
Estão a ver? Este é o paradoxo.
Se perspectivarmos a economia do lado das pessoas, das equipas, dos jovens, e da inovação, não precisamos de criar mecanismos de "protecção do trabalhador". Porque estará tudo interligado. 
E se perspectivarmos a economia para lá da inovação tecnológica, considerando a inovação cultural, ninguém fica de fora, todos têm um lugar, todos participam e colaboram.

As limitações da economia baseada na moeda e submetida à finança e aos mercados, já estão visíveis, já ninguém confia na sua viabilidade, a não ser se aceitarmos o futuro como uma sequência do presente: desigualdades sociais, altos níveis de desemprego, instabilidade, desperdício de recursos. 
A economia só pode ser "revitalizada", palavra cara a Macron, quando a economia for baseada nos recursos e na sua urilização pelas pessoas. É essa a desformatação cultural financeira que Macron terá de fazer e depressa. :) Porque, se tudo correr bem para os franceses e para os europeus, em breve vai ter de negociar com grupos e movimentos políticos.


Porque considero que a cultura financeira não é uma ideologia?
Porque as ideologias têm um corpo teórico, uma visão de sociedade que querem implementar, com um conjunto de princípios e valores. Exemplo: Le Pen e recriar ou replicar a "civilização francesa" (quase que visulizamos o Rei Sol e a sua corte em Versailles. Ou será a Revolução francesa? Ou será Pétain?) E é bom lembrar que as ideologias têm recorrido à finança, andam de braço dado. :)

A cultura financeira é uma perspectiva do mundo e da economia: tudo gira à volta da capacidade de produção (empresas), num mundo competitivo em que tudo é valorizado em termos monetários. Tudo. Nesta cultura financeira confia-se na competência dos grandes bancos e das empresas. E se falharem, há mecanismos de "protecção do trabalhador".




domingo, 12 de março de 2017

O que define a "linha da pobreza" e a "linha da riqueza" é o acesso e a utilização dos recursos disponíveis





Post publicado em Vozes Dissonantes:

Foi a ouvir ontem o "Economia das coisas" de Paulo Pinto, na Rádio Renascença, que me inspirei a voltar a este cantinho de vozes dissonantes. 
O economista Carlos Farinha referiu-se aos indicadores "linha da pobreza" e "linha da riqueza". O economista do ISEG refere ser mais fácil definir a linha da pobreza do que a linha de riqueza, como se para esta o céu fosse o limite. :)

Neste cantinho achamos que é fácil definir a linha da riqueza: está na sustentabilidade, nos recursos disponíveis de uma população. Uma população que hoje, no século XXI, tem de ser considerada globalmente, a população mundial.
Foi assim que se conseguiram definir limites para as emissões de CO2 e é assim que temos de começar a pensar relativamente aos recursos e ao seu acesso e utilização pela população.
O acesso à água potável, aos produtos agrícolas, à habitação, a cuidados de saúde, à energia, à ciência e tecnologia. Estas passam a ser as condições básicas de uma vida com qualidade.

Uma sociedade inteligente é aquela que procura o equilíbrio, a sustentabilidade. Não se trata de limitar o ânimo empreendedor e criativo, a vontade de enriquecer e expandir um negócio. O limite é o equilíbrio e a sustentabilidade, a todos os níveis e em todas as fases da produção da riqueza. E os próprios consumidores farão parte dessa correcção natural.

Já todos percebemos que os governos e a finança apenas agravaram as desigualdades económicas. E o pior foi terem-no feito na fase da austeridade. A CE, o Eurogrupo e o FMI, o tripé disfuncional, deixaram para trás sociedades desiguais e divididas. Portugal teve sorte, apesar de tudo. A Grécia ficou a pedalar em seco numa pobreza sem fim à vista para a maior parte da sua população.

Num futuro próximo a questão não se irá colocar na distribuição da riqueza, mas sim no acesso e na utilização dos recursos disponíveis.
A nova economia basear-se-á nos recursos e não na moeda. A economia monetária provou não servir o trabalho, apenas o colocou dependente da renda, da finança. Ora, o trabalho (e aqui incluímos tudo o que é contribuição para melhorar os recursos disponíveis e a sua utilização), terá de se libertar desta lógica disfuncional, distorcida e desequilibrada.
O UBI (universal basic income) pode ser interessante e útil nesta fase de transição, mas já não surge como uma proposta radical. 
A nova economia, como a perspectivamos neste cantinho, seguirá a lógica do equilíbrio e da sustentabilidade a todos os níveis e em todas as fases da produção da riqueza.



sábado, 12 de novembro de 2016

América: retirar a lição dos acontecimentos e aproveitar a parte positiva da nova realidade





Uma das vantagens que a maturidade nos dá é a capacidade de adaptação aos desafios que a vida nos apresenta: retirar a lição a partir dos acontecimentos e aproveitar a parte positiva da nova realidade.

É exactamente o que Bernie Sanders faz aqui: manter a atenção concentrada nos assuntos essenciais: as expectativas legítimas da classe média, da classe trabalhadora; dirigir a revolta para quem causou a sua situação actual e não para as outras minorias desfavorecidas; mudar os enormes desequilíbrios económicos e sociais entre o 1% e os 99%; unir as comunidades e trabalhar em conjunto.

Bernie era o candidato de muitos jovens que ficaram sem um verdadeiro representante quando a escolha recaiu em Hillary. É muito interessante a sua mensagem aos jovens: dediquem-se a estas questões, participem, vamos todos contribuir para melhorar a vida de tantos americanos que caíram na pobreza.

Na realidade, começamos a perceber desde a noite do dia 9, que os que foram esquecidos e maltratados desde os anos 80 - e sobretudo depois da crise financeira de 2008 -, os que tinham grandes expectativas em relação a Obama e à mudança e ao "yes, we can", não dariam o seu voto a Hillary, ao rosto da continuidade.

A minha primeira curiosidade foi ver a expressão de Obama a receber Trump na Casa Branca. Não me decepcionou desta vez. A sua incrível verve, o seu estilo cool, o seu humor de entertainer, eclipsou-se. Pela primeira vez gaguejou algumas sílabas a informar os jornalistas sobre os assuntos já abordados e de como se disponibiliza para facilitar a transição. Trump é que foi uma surpresa: educado, respeitador e respeitável, a agradecer o que aprendeu nesta primeira conversa.




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Economia parasitária e economia produtiva





Vale a pena acompanhar a descrição que o economista Michael Hudson faz da "junk economics" e como chegámos aqui. 
Um século bastou para que este tipo de economia predatória e parasita se tornasse dominante e asfixiasse populações, países, regiões, e atirasse para a pobreza milhões de pessoas. Porque foi isso que aconteceu. O desequilíbrio económico produz guerras e lucra com as guerras.

No início do séc. XX os futuristas imaginavam que o capitalismo iria permitir uma expansão da economia de uma forma equilibrada na sua distribuição. Este capitalismo progressivo seria semelhante a uma socialização da economia. 
Marx baseou-se em Adam Smith, John Stuart Mill, os "iluminados" franceses, em que havia uma distinção clara entre lucro ganho (earned income) - salários e lucro -, e o lucro não ganho (unearned income) - donos e arrendatários. O trabalho, a produção, era a base do capital.

A "junk economics" é baseada numa reacção a esta distinção, anulando-a: os donos e arrendatários é que ganham o lucro.
A "junk economics" só podia mesmo ser descrita em americano, a lembrar-nos os melhores filmes de gangsters nos anos 30.

O conceito de produção foi completamente adulterado. O parasitismo passou a ser considerado produtivo, porque o parasita faz parte integrante do corpo que parasita e passa a ser considerado fundamental para a economia, como uma parte produtiva.

Como facilmente se percebe, o valor do trabalho e da produção foi encolhendo até à situação actual.
Uma nova economia terá necessariamente de funcionar fora deste esquema. A única forma é através de uma mudança cultural, já em curso.



terça-feira, 11 de outubro de 2016

As novas tecnologias não escondem a cultura subjacente





É raro ver uma situação social e económica tão mal gerida como esta actual dos táxis vs carros não identificados de transporte de passageiros.
Como a maioria dos consumidores de notícias, debates televisivos, discursos directos e redes sociais é acrítica, não observa nem reflecte, aderiu de imediato às plataformas sem questionar o que está por trás.
É por isso que o barómetro do Prós e Contras apontou para as plataformas.
E é por isso também que nas redes sociais se multiplicaram opiniões insultuosas e agressivas contra os táxis.

Há plataformas e plataformas. Há aplicações e aplicações. As novas tecnologias não escondem a cultura subjacente. Como não escondem o tipo de economia que praticam. 
A estratégia é invariavelmente a mesma: entra-se num sector de mercado com o inatacável argumento de facilitar a vida ao consumidor, poupar tempo e dinheiro, utilizando as novas tecnologias, e empurram-se os que já existem para dentro ou para fora. O céu é o limite, tudo pelo progresso, afinal estamos no séc. XXI, tudo pela liberdade de mercado, pelo bem-estar do consumidor, quantos mais melhor.
A cultura subjacente é apenas e tão somente a mais pueril e selvagem: o lucro fácil e garantido pelo menor esforço de investimento e pela menor preocupação com a segurança do próprio consumidor.

Por isso soa tão estranha a atitude dos responsáveis do governo pela gestão deste conflito social e económico. Desde a sua ignorância, ausência de visão e de cultura do interesse público, até à sua arrogância, cinismo e mesmo falta de respeito pelo cidadão que paga impostos, neste caso pelo motorista de táxi e pelo consumidor. 
Um gestor público deve prevenir problemas em vez de os agravar. Qualquer liderança com um mínimo de empatia e de bom senso teria percebido que um sector fragilizado e em desespero age de forma emocional. E quem sabe se isso não faria parte da estratégia para as negociações - e assim se entenderia a oferta dos 17 milhões? Pior é impossível.

Esperemos que o PM, quando aterrar da China, consiga desenredar e clarificar esta triste situação. O governo tem promovido a cultura da sensibilidade pelas questões sociais e o respeito pelos mais vulneráveis. 
Não se trata, por isso, de um sector obsoleto vs um sector futurista, trata-se de duas culturas de base perfeitamente identificáveis. 
No essencial, há 2 tipos de tendência da economia de séc. XXI: uma, selvagem e desregulada, sem responsabilidade social; outra, equilibrada, sustentável e responsável. Uma, anónima e impessoal; outra, identificada e de confiança.
Que tipo de economia quer o governo promover?




sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A prioridade não é o défice mas apresentar resultados na economia

A provocação política simplifica as questões de tal modo que distorce o essencial. A estratégia do governo falhou, por exemplo. Como se o governo tivesse tido a possibilidade de testar a sua estratégia inicial. Não teve. Teve foi que encontrar um compromisso entre a sua estratégia e Bruxelas. E ainda lhe caiu em cima o Banif e a Caixa, isto é, o sistema financeiro.

A insistência no défice desviou as atenções da prioridade: apresentar resultados na economia. Agora acenam com a economia, que está a crescer menos do que se esperava. Não admira.

Neste artigo do Público, três economistas respondem à questão da estratégia do governo, se falhou ou não. Borges de Assunção destaca "a fragilidade do investimento" como o dado mais preocupante. Em relação ao investimento público, Paes Mamede lembra que "está a ser contido para cumprir metas orçamentais". Augusto Mateus lembra a dimensão e a produtividade da nossa economia: "temos recursos a mais em actividades que não crescem". É interessante esta perspectiva: "não se trata de pôr a economia a crescer tal como ela é, tem de se fazer algo diferente (...) É preciso política económica, não pode ser apenas política financeira".





domingo, 26 de junho de 2016

Brexit, um sinal de mudança cultural, política e económica





Esta foi uma semana de emoções fortes: a 5ª feira do referendo inglês, a 6ª feira do Brexit, o domingo das eleições legislativas em Espanha.

O Brexit tem sido dramatizado mas não compreendido. Depois de ouvir muitas reacções e opiniões, o Brexit começa a surgir, aos meus neurónios curiosos, como um sinal de mudança cultural, política e económica profunda. Esta mudança já se iniciou e vai comprometer grandes organizações centralizadas e burocráticas como a UE.
A relação local-global e indivíduos-organizações está a mudar com a tecnologia e a comunicação em rede.

A UE podia ter escolhido um caminho mais equilibrado e flexível nos acordos económicos e políticos e nos tratados que os países foram assinando, mas isso impediria a arquitectura económica do euro e o poder teria sido distribuído e equilibrado, e não centralizado em Bruxelas e nos países ricos e influentes.

A cultura da austeridade, em que os cidadãos foram penalizados pelos erros financeiros em cima da má gestão política, não ajudou nada à imagem da UE.
A forma incompetente e desorganizada como se lidou com os refugiados, atingindo o cúmulo de um acordo cínico com a Turquia, revelou a cultura da indiferença. O dinheiro vale mais do que as pessoas. Dinheiro em troca de pessoas. As pessoas não contam.

Criticam agora os ingleses por querer sair da Europa. Mas eles não saem da Europa, saem da grande organização UE. E se os acordos forem orientados por responsáveis competentes podem conseguir-se vantagens para todos.




quarta-feira, 8 de junho de 2016

Double bind é o que está a ser aplicado na Grécia


Double bind foi o que primeiro me ocorreu a propósito do filme Baby the rain must fall.
Double bind, uma forma de colocar alguém sem uma alternativa viável. Exactamente o que está a ser aplicado na Grécia.

Aqui também estivemos subjugados ao double bind da austeridade, da ausência de alternativa. A circunstância feliz dos partidos de esquerda ultrapassarem as suas divergências e encontrarem objectivos comuns é que abriu essa prisão.

Espero que também surja uma alternativa para a Grécia, entalada no double bind europeu e na vertigem de auroras douradas.
Um povo que aturou placidamente a humilhação da finança. Um povo que escolheu a Europa e o euro mas numa verdadeira cultura europeia. Um povo que recebeu milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação precária.








terça-feira, 15 de março de 2016

Colaborar, cada um no seu lugar e no seu papel, para que tudo dê certo

A vida por vezes surpreende-nos, situações e circunstâncias que não conseguimos explicar. Anos mais tarde lembramos um olhar, uma frase, uma entoação, e a situação adquire um novo sentido e importância.

Antes procurava a lógica e o significado de tudo, não descansava enquanto não conseguisse descobrir uma explicação, uma interpretação. Agora é a situação que se revela a pouco e pouco, como um ecrã sensível e interactivo. É assim na vida pessoal, na vida da comunidade mais próxima e nas notícias que chegam diariamente do país e do mundo pelos diversos meios.

É por isso que já não consigo ouvir os comentários políticos, por exemplo. A maior parte dessas frases pomposas não faz sentido na nova cultura política que já nos rodeia. E se não valem como interpretação da realidade actual, também não valem como narrativa que se quer substituir à realidade.
É por isso também que já não me interessam as ideologias políticas. O PSD redescobriu a social democracia? Risível. O CDS redescobriu a sua alma democrata cristã? Risível. Até o PAN que está a dar os primeiros passos na experiência dos debates na AR se revela mais credível porque definiu e manteve a sua marca registada. 

Quais são agora as nossas prioridades como cidadãos deste país? Colaborar, cada um no seu lugar e no seu papel, para que tudo dê certo. Refiro-me ao orçamento, à economia, ao equilíbrio de poderes social e económico, à fiscalização da actividade financeira. Tudo o que determinará a relação de poder com a CE e o Eurogrupo.

Para já, as circunstâncias são-nos favoráveis, as principais instituições da gestão política colectiva, governo e Presidência, revelam a inteligência e a cultura do séc. XXI, da colaboração. 
A nossa auto-estima como país também levou uma refrescadela, o que muito ajuda. Os acontecimentos felizes que para isso contribuíram foram: a visita de Bento XVI em Maio de 2010; o perfil e o papel do Papa Francisco; os resultados das últimas legislativas que permitiram uma nova solução governativa e a candidatura de Marcelo à presidência.
Aproveitemos bem estas circunstâncias de modo a estarmos preparados para lidar com os desafios que valem a pena.

  



quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Alterações climáticas: o papel dos consumidores

A COP21 em Paris está a criar muitas expectativas mas, como Ricardo Paes Mamede lembra no programa "Números do Dinheiro" da RTP3, não podemos esperar que saia dos políticos e das lideranças a verdadeira mudança. Lembrou, ao minuto 33, que não foi por questões de consciência que se acabou com o esclavagismo, o que provocou em Braga de Macedo uma reacção imediata. Depois referiu o papel determinante dos consumidores com uma mudança de comportamentos e de consumo, como o excessivo consumo de carne. Mas foi mais longe, referindo a possibilidade do boicote às empresas poluidoras, o que provocou nova reacção, desta vez nos dois colegas de painel, Braga de Macedo e Teixeira dos Santos. Foi um momento hilariante.
Este programa tem-se revelado uma boa surpresa. António Perez Metelo é muito melhor anfitrião e moderador do que comentador. E os debates, entre perspectivas diversas, são sempre interessantes.

Também aqui refiro a importância do papel dos consumidores. É o mais eficaz. E porque simplesmente não há tempo.






terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:
- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não 
Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;
- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;
- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?

É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 
É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".
É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.










segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Viram-se gregos para passar a sua mensagem à CE, ao BCE e ao Eurogrupo

O que os nossos amigos gregos tiveram de suportar para conseguir passar a sua mensagem dentro da suposta união europeia...
Duas eleições e um referendo no espaço de 9 meses.
Um suspense infernal do Eurogrupo até ao último minuto.
Limitação de levantamentos diários no multibanco.
Prensados contra a parede para aceitar a fórmula falhada.
Instabilidade no parlamento, dissidências e clarificação.

A mensagem dos gregos: queremos continuar a pertencer à UE, manter-nos no euro, ter condições de uma economia equilibrada e saudável e de um futuro viável para os nossos filhos e netos.

A fórmula falhada que lhes foi imposta, assim como a todos os países intervencionados e aos outros países da eurozona em geral, considera as variáveis dos gregos impossíveis de contemplar. 
Pertencer à UE e à eurozona não permite uma economia equilibrada e saudável nem um futuro viável.
Pertencer à UE e à eurozona não permite sair da lógica financeira em que a economia serve para a alimentar.
Pertencer à UE e à eurozona não permite flexibilidade que respeite as diferenças e especificidades de cada país.
Pertencer à UE e à eurozona não permite qualquer tipo de negociação (ganha-ganha), só a capitulação (ganha-perde).

Os gregos são hoje a antecipação do que nos espera.
Os seus desafios de Hércules são os desafios que nos esperam.

A mensagem dos gregos está agora mais viva do que nunca: há um povo que acredita ser possível uma outra fórmula que conjuga o euro com crescimento económico equilibrado e sustentável.

Mesmo considerando os constrangimentos que o euro nos impõe, há outras fórmulas. Porque não debatê-las abertamente, saltando por cima das regras absurdas de tratados que aliás nunca foram respeitados? Porque não tentar desenhar e verificar cenários possíveis para os países da eurozona? Em colaboração e não em confronto e imposição? Respeitando as diferenças e especificidades de cada país? Com flexibilidade e rigor e não com rigidez?







segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A verdadeira dimensão da política

Por esta altura, caros Viajantes, já perceberam que a política é a área que mais me inspira. É que a política é muito mais do que a politiquice que nos rodeia.

Qual é a verdadeira dimensão da política? E o que é a verdadeira política?

A política é a gestão do colectivo e tudo o que a envolve, desde uma pequena comunidade, uma cidade, uma freguesia, até ao país, à Europa comunitária.
A política implica decisões que têm consequências no colectivo, na vida das pessoas e no seu futuro. 
As decisões são, pois, fundamentais e de grande responsabilidade. Seguem prioridades, que, por sua vez, seguem valores, uma ideia de comunidade, de organização social ideal, e implicam escolhas.

A nossa politiquice, seja a nível do país seja a nível da Europa comunitária, optou pela gestão financeira, colocar a economia a pedalar para a finança, e desequilibraram a organização social, a vida das pessoas e o seu futuro.
Agora vêm-nos falar de reequilíbrio social: reduzir as desigualdades sociais. Alguém acredita?
É que não é assim que se fazem as cousas. Ah, precisamos de um Gil Vicente para desfazer a nossa politiquice...

Quando ouvirem as propostas da coligação, à dimensão da politiquice e não da verdadeira política, reparem no formato do marketing (é uma lição sobre marketing), no seu colorido, no refrão (que se decora facilmente). Essa é a única mensagem válida: não é com vinagre que se apanham moscas.
Imaginem estas personagens que vão falar à universidade de Verão, a ensaiar ao espelho lá em casa, palavra por palavra, expressão facial, sorriso confiante, gestos convincentes. Reparem que são apenas personagens de uma série de televisão, cozinhada e enlatada previamente. E como as suas frases até têm deixas para a reacção do público (aqui é para rir, por exemplo).    

Quando se coloca a economia a pedalar para a finança, portanto, dependente da finança, está a fazer-se uma escolha de organização social e a arriscar as vidas das pessoas e o seu futuro num modelo em tudo instável e perigoso. Porque serão sempre as pessoas a pagar a factura no fim da linha.

Precisamos de uma nova cultura política, de uma nova gestão do colectivo, de novos modelos que procurem, desde o início, o equilíbrio. 
O equilíbrio está na génese do modelo, não é qualquer coisa que agora vamos fazer, umas medidas avulsas para enganar papalvos.

Precisamos igualmente de inventar uma nova economia, que não dependa da lógica selvagem, instável, desequilibrada da finança.







sábado, 1 de agosto de 2015

Onde reside o verdadeiro radicalismo e onde reside a possível estabilidade

A coligação governamental tem utilizado o termo radicalismoa pensar sobretudo no adversário mais próximo, reforçando o medo de voltar ao despesismo, e atirando-nos com os papões dos mercados, do rating, e do esforço perdido destes 4 anos de sacrifícios.
E contrapondo a este radicalismo, apregoam que é com eles que reside a estabilidade. E insistem nas palavras-chave: estabilidade e prudência.

Desmontando esta lógica:

Radicalismo: querem mudanças mais radicais do que as que foram impostas aos portugueses, sobretudo à classe média, remediados e pobres, e ao país, à sua economia e aos seus recursos? Onde reside afinal o radicalismo?
E em nome de quê? Da confiança dos mercados, que se movem precisamente nas areias movediças das apostas e do oportunismo, e que são o mais voláteis possível, provocando a maior instabilidade?
Os sacrifícios, os cortes nos salários, nas pensões, nos subsídios, na saúde, na educação, e a enorme subida de impostos e taxas, seguiram a lógica do ajustamento necessário, isto é, da sua inevitabilidade, e dos benefícios da austeridadePara já, os sacrifícios não foram deles, foram dos piegas dos portugueses: classe média, remediados e pobres. Que agora se vão aproximando todos, cada vez mais, da pobreza.
Nestes 4 anos verificou-se, pois, uma mudança radical a nível social e a nível económico (ir além da troika). Hoje o país está completamente diferente: 
as desigualdades sociais aumentaram exponencialmente, com uma pequena minoria cada vez mais rica e a grande maioria cada vez mais pobre. Os recursos públicos nas mãos de privados estrangeiros. E mais buracos para pagar: fraudes financeiras (bancos), grande evasão fiscal, privilégios dos grandes grupos privados, etc.
 - a economia baseia-se em salários baixos, o que implica desemprego elevado, na transferência de recursos públicos para privados, nas empresas exportadoras, e no controle do consumo interno. 

Estabilidade: onde reside então a estabilidade e a prudência? Como vimos, não é na austeridade, um programa radical que provocou a maior insegurança e instabilidade na vida concreta das pessoas. E ir além da troika sem explicar aos cidadãos as razões de tal opção radical, revela precisamente o contrário da prudência. Prudência seria avaliar bem a situação económica e as exigências dos credores, e optar por um caminho que não destruísse a economia nem massacrasse os cidadãos. Quando as decisões políticas afectam de forma determinante vidas concretas e o seu futuro, a prudência indica informação e transparência.
Como vimos, não é na coligação governamental que reside a estabilidade que os portugueses necessitam e que o país, a sua economia, necessita.

Onde reside então a estabilidade possível?

A possível estabilidade reside em desmontar as mentiras, o que terá de ser ensinado às crianças, como referiu João Magalhães na SicNotícias. Mentiras que, segundo a sua experiência na investigação de casos de Justiça, são protegidas pelo secretismo, isto é, pela forma errada como se utilizam o segredo de Justiça, o segredo de Segurança, etc.  
Desmontar as mentiras baseia-se na capacidade de observação e análise, na inteligência prática, no bom senso, no equilíbrio, no respeito pelos valores da democracia, no respeito por si próprio e pelos outros.
A possível estabilidade implica informação fiável, transparência e justiça.  
A possível estabilidade reside nos valores democráticos perdidos e nos equilíbrios perdidos.









sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quem mais insiste na estabilidade é quem provoca a instabilidade

Como já disse aqui, a austeridade em nome da estabilidade da eurozona, revelou a fórmula: austeridade para pobres prosperidade para ricos.
Agora, na situação da Grécia, vemos revelada a seguinte fórmula: quem mais insiste na estabilidade é quem provoca a instabilidade. O mesmo é dizer: o obsessivo pelo controle é quem provoca o caos.

O FMI aparece sempre com relatórios tardios. Deve ser por isso que a lista dos países que ficaram melhor depois da sua intervenção seja esta.
Vimos Christine Lagarde a pressionar queremos o nosso dinheiro... a Grécia tem de apresentar mais medidas... e aquela do diálogo com adultos na sala... e agora, quando tudo já se complicou, vem o FMI apresentar um relatório que confirma o que o governo grego pediu? É para tentar compor o que ajudou a estragar?

Quem provoca mais instabilidade, caos e destruiçao? O sistema financeiro, os mercados, e quem defende a sua lógica: a banca, as corporações, os tecnocratas, os políticos, etc. Precisamente os que insistem na estabilidade, no controle, na austeridade.

Este clube utiliza uma argumentação sinuosa e falsa: é a ideologia... não querem cumprir o acordado... não querem fazer reformas...
Falso: não se trata de ideologia nenhuma, é a vida real das pessoas que está em causa.
Falso: o acordado é apenas a imposição do BCE, da CE e do FMI.
Falso: as reformas, as medidas, o ajustamento dirigiu-se à economia e ao trabalho, precisamente o que poderia pagar a dívida. Não se mexeu nos desequilíbrios (incluindo os provocados pelo euro), na grande fuga fiscal, nos paraísos fiscais, incluindo os da Europa, na desregulação dos mercados, na corrupção, na má gestão privada ou pública, precisamente naquilo que condiciona o futuro e que escraviza gerações.

Qual a lógica que irá prevalecer na Europa? A da finança ou a da economia? Vejamos o exemplo da Coreia do Sul.
Este é o debate actual, não é uma questão de ideologia.






terça-feira, 15 de julho de 2014

Faltam-nos regras universais que permitam o equilíbrio, a estabilidade e a confiança

As palavras tornam-se insuficientes para descrever o que nos rodeia. Como falar, por exemplo, dos 50 milhões de refugiados actuais, das crianças da América latina à procura de uma vida melhor, do reacender do conflito no médio oriente, da situação desesperada do Iraque?
Para nos calarmos de vez só nos faltava uma situação crítica no sistema financeiro português. É deprimente pensar que vivemos num país sem supervisão bancária e sem prevenção de problemas que podem comprometer a tal recuperação económica.
Como fica a tal prioridade da imagem de credibilidade do país, em nome da qual provocaram a maior recessão de que há memória, a emigração em massa, o retrocesso de décadas? Em apenas duas semanas o sistema tremeu e com ele a credibilidade do país.
A opção do governo foi clara: penalizar o trabalho e ser condescendente com a finança. Num sistema saudável e equilibrado promovia-se o trabalho e supervisionava-se a banca. O Banco de Portugal falhou, o governo falhou e a Europa das estrelinhas também. Faltam-nos lideranças responsáveis, programas eficazes, projectos exequíveis. E regras universais que permitam o equilíbrio, a estabilidade e a confiança.