Mostrar mensagens com a etiqueta finança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta finança. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de maio de 2017

América: a responsabilidade da situação actual é do partido republicano, do partido democrata e do próprio sistema político






O que começa a não ser tolerado é esta ausência de clarificação e responsabilidade política ao mais alto nível.
É por isso que os media perderam a confiança e a credibilidade. 
E é por isso que as pessoas procuram informar-se em sites que consideram independentes e nas redes sociais.


E qual é a situação actual americana? 
A possibilidade de um impeachment.

Talvez a personagem que estão agora a investigar - agora imagine-se -, seja a única que apresenta algumas atenuantes:
- perfil psicológico;
- ambiente permissivo;
- sistema favorável ao oportunismo financeiro;
- a cultura dominante no poder americano.


Na perspectiva dos cidadãos do mundo :) 
Não podemos passar a vida com o coração nas mãos sempre que encostam o vosso presidente às cordas. 
Da última vez em que foi prensado, resolveu dar ares da sua graça e lançar três incursões bélicas relâmpago. 
Nem queremos sequer pôr a hipótese de voltar a assistir a demonstrações de competição  masculina. 
É favor simular esses desafios de poder em torneios de paint ball já que gostam de exibir os vossos respectivos brinquedos.



Voltando ao impeachment, é isto que nos deixa perplexos: a situação actual americana era mais do que previsível.

E de quem é a responsabilidade?
A responsabilidade é do partido republicano, do partido democrata e do próprio sistema político.


Partido republicano: 
- o reaganismo, os anos 80, as desigualdades sociais;
- o processo obscuro das eleições de 2000 Bush - Al Gore;
- permitir a candidatura de Trump pelo partido republicano.

Partido democrata:
- com Bill Clinton: render-se à cultura dominante e à finança;
- com Obama: continuar a render-se à finança depois de prometer proteger a classe média e os mais desprotegidos;
- avançar com a candidatura de Hillary, que representa o sistema e a continuidade, quando as pessoas querem mudança.

Sistema político americano:
- a primeira impressão: uma máquina pesada, lenta, obsoleta, disfuncional;
- ausência de transparência, embora queira passar essa imagem, dando mediatização a interrogatórios no Senado :) Método com alguma tradição americana (Macartismo);
- pouca abertura à participação dos cidadãos, 
- onde estão os checks and balances?
- e onde estão as medidas de protecção, prevenção e segurança? O presidente tem acesso a informação sensível que pode transmitir ao adversário :)


Os cidadãos americanos devem começar a preparar novas plataformas políticas, a organizar-se em comunidades criativas, do local ao global e inter-Estados, com estratégias inteligentes, em colaboração e partilha.

A política é a área fundamental do séc. XXI: a decisão de como queremos viver no futuro próximo.





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Em que mundo queremos viver no futuro próximo?





Vemos nos sites de vanguarda tecnológica a apresentação de protótipos de carros futuristas, robots com forma humana, a inteligência artificial, e a promoção acrítica de um novo mundo automatizado e robotizado.

O impacto na vida dos humanos é abordado na perspectiva da necessidade da sua adaptação ao novo mundo :) em vez do que seria expectável: construir um mundo para os humanos em que a automatização e a robótica se adaptam às suas necessidades.

Já vimos a uberização da economia e a facebookização da interacção social :) 
Agora vemos esta cultura da automatização e robotização dos humanos, rodeados de tralha e ruído. 
Porque, não tenhamos dúvidas, o que deixam atrás de si é latas e lixo. Exemplo: na mobilidade, os driverless cars: latas a entupir as ruas das cidades.

A robótica tem imensas aplicações benéficas e úteis. Exemplos: na saúde, na nanotecnologia, nas operações delicadas; nas graves limitações físicas, na mobilidade e na comunicação; nas tarefas mais exigentes e perigosas, na manipulação de produtos tóxicos, etc. 

Isto não implica a alienação de tudo o que nos identifica como humanos. Uma espécie de humanos-robots, consumidores da última invenção tecnológica. 
Programados pelos que detêm o poder: Big Techs e Big Banks :)

É tempo de reflectir neste percurso e em que mundo queremos viver: se nesse mundo novo ou num mundo escolhido por nós.






sábado, 8 de abril de 2017

Transplantados do séc. XIX para nos assombrar






As lideranças europeias não souberam lidar com o caso Dijsselbloem. Primeiro porque não perceberam a sua dimensão cultural, depois porque a sua perspectiva está formatada pela lógica financeira.
O que nos leva a perguntar: como é possível que ainda tenhamos de aturar, em lugares estratégicos para a possibilidade de reabilitar os valores europeus, indivíduos transplantados do séc. XIX?

Não é uma questão de palavras, como disse o ainda presidente do Eurogrupo, é a cultura que está por trás, própria de um burguês do séc. XIX: vinho e mulheres.
Não é uma questão de palavras, porque voltou a repetir a palavra solidariedade com a definição subvertida, o que tornou a explicação ainda mais horrível do que a entrevista original. A arrogância está lá, eu tenho razão, as palavras é que não foram bem escolhidas.

A solidariedade não foi com os países intervencionados, foi com os grandes bancos, porque essa é a sua prioridade: a finança, a moeda.
Foi nisto, nesta lógica fundamentalista, nesta máquina metalizada, que se transformou a Europa das estrelinhas. A que os países e os seus cidadãos têm de se submeter. É isto que Dijsselbloem representa no Eurogrupo, os interesses dos grandes bancos e da moeda.
Enquanto a Europa das estrelinhas nos quiser assombrar com a sua cultura do passado bafiento de cofres fechados, não podemos construir o futuro.
O futuro já aqui está, outras regiões do globo já vivem e respiram a cultura da colaboração, mas a Europa das estrelinhas, que foi vanguardista noutras épocas, virou-se para o passado.


Post publicado no Vozes Dissonantes.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Double bind é o que está a ser aplicado na Grécia


Double bind foi o que primeiro me ocorreu a propósito do filme Baby the rain must fall.
Double bind, uma forma de colocar alguém sem uma alternativa viável. Exactamente o que está a ser aplicado na Grécia.

Aqui também estivemos subjugados ao double bind da austeridade, da ausência de alternativa. A circunstância feliz dos partidos de esquerda ultrapassarem as suas divergências e encontrarem objectivos comuns é que abriu essa prisão.

Espero que também surja uma alternativa para a Grécia, entalada no double bind europeu e na vertigem de auroras douradas.
Um povo que aturou placidamente a humilhação da finança. Um povo que escolheu a Europa e o euro mas numa verdadeira cultura europeia. Um povo que recebeu milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação precária.








terça-feira, 10 de maio de 2016

Europa: as boas notícias primeiro






O Partido Pirata tornou-se um franchizing político: Suécia, Berlim, Islândia. Democracia baseada na transparência, no empowerment dos cidadãos, na participação, nas redes sociais. É, sem dúvida, uma cultura política do séc. XXI.
Em Londres ganhou o Labour Party.

Estas são as boas notícias da Europa. As más aí vão:

A Europa deu argumentos ao PM da Turquia para a acusar de "cruel" ao "fechar as portas aos refugiados".
A Grécia não consegue a compreensão do Eurogrupo, nem depois de ter acolhido milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação económica precária.
Verifica-se um ressurgimento preocupante da extrema-direita nos países do norte e centro e, a sul, na Grécia.
A Espanha vai ter de repetir eleições.
Obama vem ao Reino Unido e traz o TTIP na pasta.

Ricardo Paes Mamede lembrou no Números do Dinheiro desta semana os benefícios da integração europeia em programas como o Erasmus e os subsídios para a investigação. Mas logo depois lembrou o caminho escolhido pelas instituições europeias, sobretudo a partir da crise financeira de 2008.

Ninguém revelou muito entusiasmo a falar da Europa na televisão. A Europa política, económica e financeira, o projecto inicial de colaboração entre os países, tudo isso foi adulterado pelos tecnocratas e pela finança. E os políticos foram atrás.

Claro que todos juntos somos mais fortes. E que seria óptimo ver o projecto original a desenhar-se de forma saudável. Mas o que vemos é um edifício metálico à prova de informação e transparência. Trata-se de um poder centralizado que não responde perante instituição alguma. Apesar de ter um parlamento.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

O dossier Panamá

Ora aqui está um belíssimo título para um livro ou um filme. Um trabalho de partilha de informação de jornalistas de investigação. Uma de muitas tentativas de divulgação do que se passa nos bastidores das finanças e das negociatas de quem não se quer sujeitar às regras da convivência justa, equilibrada e civilizada do comum dos mortais.

E quem encontramos lá? Algumas personagens não nos surpreendem, já contávamos com isso. Mas o primeiro-ministro da Islândia? De um país que acabou de atravessar uma das crises financeiras mais terríveis? E eu que pensava que as mulheres islandesas tinham tomado conta do poder para não deixar que cenas destas voltassem a acontecer...

O Messi? Admirado por tantos jovens de todo o mundo? Um símbolo do desporto? E logo quando o futebol ainda tem a mancha da corrupção agarrada à FIFA como pastilha elástica?

O mais interessante é constatar, quando se fala de offshores, que a cultura vigente ainda é aceitar a sua existência com naturalidade, como se fosse normal fugir ao fisco só porque se tem muito dinheiro. Tudo ao contrário, não acham? Mais aceitável seria perdoar uma pequena fuga ao fisco de quem tem pouco dinheiro... Só que para esses é a penhora.

Isto dos offshores já é uma grande rede de interesses, todos a retirar a sua parcela, bancos, empresas, advogados... A cultura vigente está tão enraizada que até gestores políticos propõem o perdão fiscal parcial e ainda se sentem gratos por esses montantes regressarem à legalidade.

E haverá ainda o argumento de que a finança poderá colapsar se se sujeitar às regras democráticas do equilíbrio de uma sociedade civilizada. De onde se poderá concluir que esta finança actual se baseia no desequilíbrio, na ausência de regras democráticas, e só funciona fora da lei.

E há outra questão muito actual que aqui surge como prioritária: a segurança. Os offshores são um óptimo esconderijo para financiar o terrorismo. 

A mudança necessária é cultural, mas tem de se começar por um lado, pelo trabalho jornalístico. 







terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:
- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não 
Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;
- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;
- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?

É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 
É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".
É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.










segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Viram-se gregos para passar a sua mensagem à CE, ao BCE e ao Eurogrupo

O que os nossos amigos gregos tiveram de suportar para conseguir passar a sua mensagem dentro da suposta união europeia...
Duas eleições e um referendo no espaço de 9 meses.
Um suspense infernal do Eurogrupo até ao último minuto.
Limitação de levantamentos diários no multibanco.
Prensados contra a parede para aceitar a fórmula falhada.
Instabilidade no parlamento, dissidências e clarificação.

A mensagem dos gregos: queremos continuar a pertencer à UE, manter-nos no euro, ter condições de uma economia equilibrada e saudável e de um futuro viável para os nossos filhos e netos.

A fórmula falhada que lhes foi imposta, assim como a todos os países intervencionados e aos outros países da eurozona em geral, considera as variáveis dos gregos impossíveis de contemplar. 
Pertencer à UE e à eurozona não permite uma economia equilibrada e saudável nem um futuro viável.
Pertencer à UE e à eurozona não permite sair da lógica financeira em que a economia serve para a alimentar.
Pertencer à UE e à eurozona não permite flexibilidade que respeite as diferenças e especificidades de cada país.
Pertencer à UE e à eurozona não permite qualquer tipo de negociação (ganha-ganha), só a capitulação (ganha-perde).

Os gregos são hoje a antecipação do que nos espera.
Os seus desafios de Hércules são os desafios que nos esperam.

A mensagem dos gregos está agora mais viva do que nunca: há um povo que acredita ser possível uma outra fórmula que conjuga o euro com crescimento económico equilibrado e sustentável.

Mesmo considerando os constrangimentos que o euro nos impõe, há outras fórmulas. Porque não debatê-las abertamente, saltando por cima das regras absurdas de tratados que aliás nunca foram respeitados? Porque não tentar desenhar e verificar cenários possíveis para os países da eurozona? Em colaboração e não em confronto e imposição? Respeitando as diferenças e especificidades de cada país? Com flexibilidade e rigor e não com rigidez?







segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A verdadeira dimensão da política

Por esta altura, caros Viajantes, já perceberam que a política é a área que mais me inspira. É que a política é muito mais do que a politiquice que nos rodeia.

Qual é a verdadeira dimensão da política? E o que é a verdadeira política?

A política é a gestão do colectivo e tudo o que a envolve, desde uma pequena comunidade, uma cidade, uma freguesia, até ao país, à Europa comunitária.
A política implica decisões que têm consequências no colectivo, na vida das pessoas e no seu futuro. 
As decisões são, pois, fundamentais e de grande responsabilidade. Seguem prioridades, que, por sua vez, seguem valores, uma ideia de comunidade, de organização social ideal, e implicam escolhas.

A nossa politiquice, seja a nível do país seja a nível da Europa comunitária, optou pela gestão financeira, colocar a economia a pedalar para a finança, e desequilibraram a organização social, a vida das pessoas e o seu futuro.
Agora vêm-nos falar de reequilíbrio social: reduzir as desigualdades sociais. Alguém acredita?
É que não é assim que se fazem as cousas. Ah, precisamos de um Gil Vicente para desfazer a nossa politiquice...

Quando ouvirem as propostas da coligação, à dimensão da politiquice e não da verdadeira política, reparem no formato do marketing (é uma lição sobre marketing), no seu colorido, no refrão (que se decora facilmente). Essa é a única mensagem válida: não é com vinagre que se apanham moscas.
Imaginem estas personagens que vão falar à universidade de Verão, a ensaiar ao espelho lá em casa, palavra por palavra, expressão facial, sorriso confiante, gestos convincentes. Reparem que são apenas personagens de uma série de televisão, cozinhada e enlatada previamente. E como as suas frases até têm deixas para a reacção do público (aqui é para rir, por exemplo).    

Quando se coloca a economia a pedalar para a finança, portanto, dependente da finança, está a fazer-se uma escolha de organização social e a arriscar as vidas das pessoas e o seu futuro num modelo em tudo instável e perigoso. Porque serão sempre as pessoas a pagar a factura no fim da linha.

Precisamos de uma nova cultura política, de uma nova gestão do colectivo, de novos modelos que procurem, desde o início, o equilíbrio. 
O equilíbrio está na génese do modelo, não é qualquer coisa que agora vamos fazer, umas medidas avulsas para enganar papalvos.

Precisamos igualmente de inventar uma nova economia, que não dependa da lógica selvagem, instável, desequilibrada da finança.







sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quem mais insiste na estabilidade é quem provoca a instabilidade

Como já disse aqui, a austeridade em nome da estabilidade da eurozona, revelou a fórmula: austeridade para pobres prosperidade para ricos.
Agora, na situação da Grécia, vemos revelada a seguinte fórmula: quem mais insiste na estabilidade é quem provoca a instabilidade. O mesmo é dizer: o obsessivo pelo controle é quem provoca o caos.

O FMI aparece sempre com relatórios tardios. Deve ser por isso que a lista dos países que ficaram melhor depois da sua intervenção seja esta.
Vimos Christine Lagarde a pressionar queremos o nosso dinheiro... a Grécia tem de apresentar mais medidas... e aquela do diálogo com adultos na sala... e agora, quando tudo já se complicou, vem o FMI apresentar um relatório que confirma o que o governo grego pediu? É para tentar compor o que ajudou a estragar?

Quem provoca mais instabilidade, caos e destruiçao? O sistema financeiro, os mercados, e quem defende a sua lógica: a banca, as corporações, os tecnocratas, os políticos, etc. Precisamente os que insistem na estabilidade, no controle, na austeridade.

Este clube utiliza uma argumentação sinuosa e falsa: é a ideologia... não querem cumprir o acordado... não querem fazer reformas...
Falso: não se trata de ideologia nenhuma, é a vida real das pessoas que está em causa.
Falso: o acordado é apenas a imposição do BCE, da CE e do FMI.
Falso: as reformas, as medidas, o ajustamento dirigiu-se à economia e ao trabalho, precisamente o que poderia pagar a dívida. Não se mexeu nos desequilíbrios (incluindo os provocados pelo euro), na grande fuga fiscal, nos paraísos fiscais, incluindo os da Europa, na desregulação dos mercados, na corrupção, na má gestão privada ou pública, precisamente naquilo que condiciona o futuro e que escraviza gerações.

Qual a lógica que irá prevalecer na Europa? A da finança ou a da economia? Vejamos o exemplo da Coreia do Sul.
Este é o debate actual, não é uma questão de ideologia.






domingo, 28 de junho de 2015

Cidadãos europeus: plano B, C e D

E de repente perdemos o pé e toda a realidade que nos era familiar surge-nos agora completamente alterada. Vivíamos na ilusão de uma certa previsibilidade. Digo ilusão, porque a incerteza tornou-se a norma na Europa: "os mercados estão nervosos"... "os juros subiram"... "o BCE injectou mais n mil milhões nos bancos"... 
Tudo gira à volta da lógica financeira, mutável e volátil, minuto a minuto.

Para já, UE, CE, BCE, FMI, Eurogrupo, já não serão vistos como entidades competentes e responsáveis para prevenir situações críticas, para aprender com os erros, para negociar e fechar acordos.
Dito de outro modo, os cidadãos europeus perderam a ilusão sobre a capacidade das instituições europeias e internacionais de prevenir a tempo ou agir de forma rápida e eficaz em situações de emergência.

O que aprendemos quando perdemos a ilusão da protecção? Quando descobrimos que as instituições europeias e internacionais se movimentam na lógica financeira e não na economia real? A economia real que é a nossa vida concreta, a nossa sobrevivência, o nosso futuro? Isso mesmo, tentamos encontrar formas viáveis e criativas de sobrevivência.

O primeiro grande desafio: como manter a calma, a reflexão e a sensatez, em tempos de grande receio e incerteza? É que estas capacidades estão na base das melhores decisões.

Reflectir: enquanto cidadãos europeus, estamos todos na mesma plataforma instável. É nossa responsabilidade procurar um plano B, um plano C, e mesmo um plano D.
Com que recursos? Tecnologias de informação e comunicação; rapidez de raciocínio, flexibilidade e criatividade das novas gerações e a nova cultura da colaboração.

Planos B, C e D:

Plano B - é o mais difícil porque se trata de construir sobre ruínas em alguns países e regiões. Economia destruída sem substituição por outra. Classe média na pobreza. Recursos entregues a privados. Na actual situação de emergência da Grécia: pagamento ao FMI dos tais 1,7 mil milhões de euros, o equivalente a uma conta num qualquer paraíso fiscal da Europa. Como as instituições europeias e internacionais não querem ir por aí e aguarda-se o resultado do referendo, há que resolver isso por outro lado. Logo a seguir e dependendo do resultado do referendo: preparar uma fonte de financiamento alternativa, outro tipo de crédito. O mais provável é que este plano B já tenha sido iniciado pelo governo grego.

Plano C - começar a preparar desde já (e este plano já inclui os países mediterrânicos), a possibilidade da saída do euro. Esta saída já devia ter sido preparada, aliás, aos primeiros sinais do fiasco do euro. Aqui as soluções podem mesmo passar por desenhar economias não baseadas na lógica do sistema financeiro, e mesmo relativamente independentes de um sistema que só produziu desequilíbrios que já atingiram o limite do sustentável a todos os níveis.

Plano D - criar uma cultura de colaboração entre países e regiões, propondo soluções viáveis e ajudando a concretizá-las, isto é, passar da lógica das emoções reactivas à construção de novas comunidades inter-países e inter-regiões, úteis e eficazes. As novas gerações já funcionam nesta nova lógica.







terça-feira, 15 de julho de 2014

Faltam-nos regras universais que permitam o equilíbrio, a estabilidade e a confiança

As palavras tornam-se insuficientes para descrever o que nos rodeia. Como falar, por exemplo, dos 50 milhões de refugiados actuais, das crianças da América latina à procura de uma vida melhor, do reacender do conflito no médio oriente, da situação desesperada do Iraque?
Para nos calarmos de vez só nos faltava uma situação crítica no sistema financeiro português. É deprimente pensar que vivemos num país sem supervisão bancária e sem prevenção de problemas que podem comprometer a tal recuperação económica.
Como fica a tal prioridade da imagem de credibilidade do país, em nome da qual provocaram a maior recessão de que há memória, a emigração em massa, o retrocesso de décadas? Em apenas duas semanas o sistema tremeu e com ele a credibilidade do país.
A opção do governo foi clara: penalizar o trabalho e ser condescendente com a finança. Num sistema saudável e equilibrado promovia-se o trabalho e supervisionava-se a banca. O Banco de Portugal falhou, o governo falhou e a Europa das estrelinhas também. Faltam-nos lideranças responsáveis, programas eficazes, projectos exequíveis. E regras universais que permitam o equilíbrio, a estabilidade e a confiança.





terça-feira, 22 de abril de 2014

O novo mundo descentralizado e o novo equilíbrio instituições - indivíduos





Começamos a percepcionar à nossa volta um novo mundo que começa a sobrepor-se ao que nos têm imposto como único. Este novo mundo está já a alterar as nossas vidas e a lógica de certas áreas de actividade. Também se alteram as relações entre produtor e consumidor. Assim como o equilíbrio global - local, corporações - comunidades, instituições - indivíduos. Todas estas alterações terão um impacto na economia, na finança, na política, as áreas onde o poder se tem concentrado.
E no entanto, estas áreas onde o poder se tem baseado mantêm a sua lógica obsoleta e um discurso desfasado da realidade actual, insistindo que somos nós que temos de nos adaptar.

No nosso país, por exemplo, esta desfocagem do essencial e da realidade que já nos estrutura hoje, revela-se dramática porque estamos a esgotar um tempo precioso, uma janela de tempo que se encurta a cada dia que passa.
O tema actual no país é, compreensivelmente, o balanço de 40 anos do 25 de Abril, até porque se verifica uma distância cada vez maior partidos políticos - cidadãos eleitores. A democracia vive aqui tempos de uma fragilidade enorme em termos de representatividade e legitimidade. Um dos nossos especialistas na Constituição, Freitas do Amaral, aponta mesmo para a necessidade de se formarem novos partidos, para se recriar um novo sistema democrático representativo.
Já poucos acreditam que os actuais se consigam reformar por dentro.

Nesta nova tendência da descentralização, vemos em contra-mão a UE, uma organização pesada, complexa, burocrática, que também se distanciou dos cidadãos europeus e que sempre evitou dar-lhes voz em questões fundamentais. Agora depara-se com o preocupante cenário do ressurgimento de extremismos políticos.
Um novo equilíbrio instituições - cidadãos vai implicar necessariamente uma mudança na UE e no euro. Menos poder centralizado em gabinetes, aliás menos gabinetes e menos funcionários, mais flexibilidade e proximidade com os países, regiões, comunidades. A relação entre países e regiões só pode melhorar com uma descentralização progressiva. 
Portanto, não são os cidadãos que se terão de adaptar ao mundo que nos querem impor, dos mercados, dos grandes bancos, dos grandes grupos económicos, das troikas e dos governos que lhes prestam vassalagem. São precisamente esses grupos que se terão de adaptar ao novo mundo que já nos rodeia.   

Agrada-me pensar que o novo mundo descentralizado, de pessoas e comunidades ligadas em tempo real, permite maior capacidade de cada um organizar a sua vida de forma satisfatória e gratificante. Visualizo esse novo mundo potencialmente inclusivo, na lógica da colaboração e partilha. A minha esperança baseia-se na constatação que as pessoas comuns se relacionam melhor entre si do que as instituições e corporações. 
Posso destacar vários exemplos que propositadamente vou seleccionar à área da filantropia. Porquê? Porque a lógica do mundo que nos querem impor está de tal forma impregnada culturalmente que até nesta área da beneficência, fazer o bem digamos assim, mantém-se uma espécie de propaganda e marketing, mas também de um neo-colonialismo subliminar:


Se repararmos, a palavra "pobre" estigmatiza e diminui o outro em vez de o animar e fortalecer. É a atitude paternalista de quem se dirige a alguém que precisa de ser ensinado e apoiado. Não há uma troca de experiências e sabedoria, não há uma relação entre iguais na sua condição humana. 
O caso dos inúmeros campos de refugiados é outra mancha na dignidade humana. Há campos que se mantêm passados muitos anos da intervenção de emergência, como é o caso do Haiti, onde muitas famílias vivem ainda em tendas e pagam renda por isso... isto é, há quem lucre à custa da manutenção de uma situação precária e frágil.
Escolhi este exemplo de uma família síria apanhada numa tragédia mais recente:


  

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O verdadeiro poder é vida: cria, constrói, une, regenera, cura

Ontem vi a notícia da lista da Forbes das mulheres mais poderosas do mundo e Merkel vem em primeiro lugar.
De que poder e de que mulher estamos aqui a falar? 
Do poder de destruir economias de países, equilíbrios sociais na Europa e, muito provavelmente, a própria democracia? 
Do poder de humilhar, com visitas-relâmpago, os países em dificuldades com a mensagem: continuem a austeridade?
Pode-se destruir com um sorriso e é o que Merkel representa: destruição da economia, erosão social, humilhação, fome, e já não apenas nos países em apuros, está a generalizar-se pela Europa.

Não vou aqui recordar a história bélica europeia e como se recompôs. 

Nem o projecto inicial da UE e do euro. 
Nem a promessa de uma economia estável e próspera, com equilíbrios negociáveis. 
Nem a esperança da democracia baseada na participação dos diversos estados membros.
À primeira sacudidela vinda da criminosa gestão financeira e da ausência de regulação e supervisão bancárias, os países mais fortes, que tinham beneficiado com as condições de integração, esqueceram os equilíbrios próprios de uma democracia e utilizaram os mecanismos autocráticos.
Isto é, depois de terem contribuído para a estrutura de consumo das economias do sul, subsidiadas para abandonar a produção industrial, agrícola e pesqueira, ignoraram isso tudo e impuseram condições impossíveis de concretizar sem destruir economias frágeis e vidas concretas de pessoas.
O absurdo deste poder de destruição foi aqui elevado a proporções inimagináveis de autêntica barbárie, na falta de visão e na ignorância da história, diversidade de culturas, psicologia social, economia e democracia.

No caso português, o próprio governo revelou, desde o início do programa da austeridade, conformismo e subserviência. Isso foi o mais difícil de aceitar como cidadã portuguesa. 

E penso até que somos caso único: os gregos protestaram desde o início ate ficarem completamente exaustos e os espanhóis fizeram tudo para, pelo menos, não deixar a troika entrar em Espanha.
Mas o governo português acena concordante quando o ministro das finanças alemão se refere ao nosso caso como um sucesso e desloca-se entre reuniões de ministros em carros de marca alemã.

O que Merkel não sabe, nem o governo português, nem a Forbes, é que este poder baseado na influência das decisões e na finança e cujo resultado é a destruição pura e simples da economia, do equilíbrio social e da democracia, não é verdadeiro poder, é um poder alucinado.


O verdadeiro poder cria, constrói, une, regenera, cura,  traz a vida consigo, não a morte. 

O verdadeiro poder está na vitalidade de uma economia da colaboração e de uma democracia da participação. 
O verdadeiro poder está na criatividade da diversidade e do respeito cultural e social.
Já dei aqui alguns exemplos: Alex Ojeda, Yacouba Sawadogo, Tim Brown.
Muitos mais surgirão aqui n' A Vida na Terra

Já existem propostas europeias que se distinguem deste programa da austeridade. Esperemos que consigam ainda atenuar, pelo menos, a devastação em sectores vitais: