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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O futuro é humano?





A Vida na Terra dedica vários posts a este magnífico planeta que nos tem suportado e sustentado.

Inevitavelmente teria de falar de equilíbrio, a chave da vida. Os organismos sobrevivem num determinado ambiente. Há uma capacidade de adaptação a ambientes adversos, mas até essa adaptação tem um limite.
Também os humanos se têm adaptado a ambientes adversos: poluição, alterações na qualidade dos alimentos, químicos tóxicos, vagas de calor e seca, inundações, e outros desafios.

Inevitável também falar de política e economia, a chave das decisões essenciais para os humanos e a sua sobrevivência.
Aqui a chave também está no equilíbrio e na sustentabilidade.
Isto implica uma mudança cultural profunda que está nas mãos das novas gerações. Para isso precisam de descodificar a cultura tecnológica financeira actual disfarçada de benéfica e amiga dos humanos.
O que esta nova cultura propõe não valoriza os humanos, o que é intrinsecamente humano. O desenho do futuro que nos propõem, em propaganda institucional e empresarial, não serve aos humanos, aos direitos humanos, ao valor inalienável da vida humana. E não só humana, também das outras espécies, os seres vivos que nos têm acompanhado nesta aventura humana.




segunda-feira, 10 de abril de 2017

A França pode aprender com o retrocesso cultural do Reino Unido pós-Brexit





Fiquei arrepiada ao ver esta reportagem da TVI 24, O Novo Muro. O Reino Unido, que no séc. XX esteve na vanguarda, retrocedeu culturalmente e ainda ando a ver para que século. De qualquer modo, foi para um tempo de trevas.

Reparem em cada experiência relatada, neste caso são conterrâneos nossos mas podiam ser quaisquer outros estrangeiros. 
Reparem também como os nossos conterrâneos não têm qualquer apoio, digno desse nome, do consulado ou da embaixada. Estão entregues a si próprios num meio hostil. 
E reparem na gravação do discurso da PM e no tom de voz, frio, impessoal, como se de um robot se tratasse.

Não prevejo a possibilidade de ver pacificar e regenerar esta tensão cultural, que odeia e rejeita tudo o que é diferente, no tempo de duas gerações. 
Primeiro, ainda têm de sentir as consequências sociais e económicas desta decisão, que foi irresponsavelmente promovida pelos conservadores e pelos populistas.
Depois, ainda têm de verificar que lhes mentiram, que a presença dos estrangeiros não era a causa das suas dificuldades económicas.

Quando um país atinge este grau preocupante de tensão social, tudo nos indica que vai passar por um período de conflitos e até de uma certa violência.
Ora, o ambiente propício à qualidade de vida, à prosperidade económica, à inovação, à segurança, é a democracia e a colaboração entre comunidades.

Estarão os jovens europeus dispostos a viver num ambiente em tudo hostil às suas expectativas legítimas? 
Não creio. Os que tiverem alternativa num outro país europeu, não hesitarão.


A França pode aprender muito com o actual cenário cultural e social do Reino Unido pós-Brexit. 
As eleições são um teste importante à capacidade dos franceses descodificarem a mensagem dos populistas, identificarem a sua cultura de base e desmontarem a sua agenda.

   

sábado, 8 de abril de 2017

Transplantados do séc. XIX para nos assombrar






As lideranças europeias não souberam lidar com o caso Dijsselbloem. Primeiro porque não perceberam a sua dimensão cultural, depois porque a sua perspectiva está formatada pela lógica financeira.
O que nos leva a perguntar: como é possível que ainda tenhamos de aturar, em lugares estratégicos para a possibilidade de reabilitar os valores europeus, indivíduos transplantados do séc. XIX?

Não é uma questão de palavras, como disse o ainda presidente do Eurogrupo, é a cultura que está por trás, própria de um burguês do séc. XIX: vinho e mulheres.
Não é uma questão de palavras, porque voltou a repetir a palavra solidariedade com a definição subvertida, o que tornou a explicação ainda mais horrível do que a entrevista original. A arrogância está lá, eu tenho razão, as palavras é que não foram bem escolhidas.

A solidariedade não foi com os países intervencionados, foi com os grandes bancos, porque essa é a sua prioridade: a finança, a moeda.
Foi nisto, nesta lógica fundamentalista, nesta máquina metalizada, que se transformou a Europa das estrelinhas. A que os países e os seus cidadãos têm de se submeter. É isto que Dijsselbloem representa no Eurogrupo, os interesses dos grandes bancos e da moeda.
Enquanto a Europa das estrelinhas nos quiser assombrar com a sua cultura do passado bafiento de cofres fechados, não podemos construir o futuro.
O futuro já aqui está, outras regiões do globo já vivem e respiram a cultura da colaboração, mas a Europa das estrelinhas, que foi vanguardista noutras épocas, virou-se para o passado.


Post publicado no Vozes Dissonantes.