sábado, 9 de fevereiro de 2019

Alianca e uma palavra-chave que une e inclui diversidade





https://alianca.com.pt


Hoje e amanha realiza-se em Evora o 1.o Congresso Nacional do novo partido, Alianca, liderado por Pedro Santana Lopes.
Ja dediquei aqui alguns posts a este politico combativo que sofreu na pele a politiquice essencialmente lisboeta, onde ha seculos ambiciosos oportunistas procuram um lugar ao sol.

O pais foi sempre esquecido pelos sucessivos governos e politicos. Nao admira a sua reaccao quando surge uma nova cultura politica que olha para o pais inteiro, para as suas potencialidades, para os seus recursos, para a sua diversidade.

Santana Lopes foi o unico politico ate hoje com esse novo olhar, essa nova cultura. 
A Alianca e uma palavra-chave interessante, pois une e inclui a diversidade.

Quem me acompanha no Twitter ja sabe o que penso actualmente dos politicos e dos governos em geral, sao mais obstaculos do que solucoes.

Prevejo um papel mais relevante de comunidades inteligentes e criativas, em lidar com os grandes desafios actuais, globalmente e localmente - alteracoes climaticas, desigualdades sociais,  confronto inevitavel entre a alucinacao da grande financa que controla governos e a realidade das pessoas, das suas vidas e do seu futuro.

O mundo alucinado da grande financa que controla governos: 
- o trabalho e assegurado por robots (24 horas non stop a nao ser para substituicao de juntas), os humanos vegetam e compram as tralhas baratas (consumidores). Um papel totalmente dependente e irrelevante, a que os governos compensarao com o UBI, a que cinicamente chamam "dinheiro gratis" (o unico dinheiro gratis que conheco sao dividendos imerecidos, dinheiro guardado em cofres em offshores, etc.)

O mundo da vida real, das pessoas, das suas necessidades, das suas expectativas legitimas:
- a sua sobrevivencia pura e simples, a cultura da vida: alimentacao, abrigo, saude;
- a sua qualidade de vida: acesso aos recursos e a sua qualidade, educacao, participacao na comunidade, autonomia negociada, etc;
- As anteriores dependem de uma nova economia, em que as decisoes essenciais para as suas vidas transitam da financa-governos para comunidades inteligentes e criativas, interconectadas global e localmente: cidades, mega-cidades, regioes, municipios ou grupos de municipios, associacoes, grupos de empresas, etc.



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

2019, dia 1




Volto a este lugar, A Vida na Terra, passados 7 meses.
E volto ao meu ritual de inicio de um Novo Ano: fazer no primeiro dia o que quero fazer ao longo do ano. O primeiro dia da o sinal de como quero viver o ano todo, em termos de horario, das prioridades, das actividades.

Este ano, 2019, tornou-se um ano decisivo no meu percurso por diversas razoes, o que implica decisoes e escolhas fundamentais. 
Sera como voltar a ser quem fui e quem estava naturalmente orientada para ser, pela minha natureza.
Melhor dito, 2018 foi o ano em que fui pegar em mim, lá muito atras, com as memorias de quem sou praticamente intactas, e transportar-me directamente para o tempo actual.

Ao longo do nosso percurso somos influenciados inevitavelmente por pessoas proximas, e com muito mais intensidade quando as admiramos pela sua beleza, inteligencia e capacidade de representacao. 
Somos entao confrontados com uma outra forma de ver e estar no mundo que nao tem a ver com a nossa natureza, mas nao temos coragem de nos afirmar. Alguns de nos escolhem o conformismo, seguem o caminho mais facil, e sao apoiados e valorizados. No meu caso, senti-me num "double bind": nao podia ser a pessoa simples, afectiva, comunicativa, confiante, mas tambem nao podia ser a pessoa conformista, bem sucedida, integrada, valorizada.

2019, pois, e o ano em que finalmente as minhas escolhas e decisoes sao as que importam e prevalecem, em que antecipo em vez de experimentar o conflito ou a vulnerabilidade.
Alias, aproveito para introduzir aqui a palavra-chave de 2019: antecipar.
Um verbo significa accao: estar atento, alerta, observador, ouvir mais do que falar, recolher a informacao util, e antecipar.
Antecipar para se defender, proteger a sua autonomia e capacidade de decidir e escolher. Nas areas fundamentais: saude, familia, amizade, actividade, economia, financas, qualidade de vida.

E como a nossa vida na Terra corre cada vez mais depressa e o tempo se tornou sincopado, e preciso desenvolver essas capacidades para nao se ser surpreendido por acontecimentos que nao podemos controlar. Ja nos bastam aqueles que nao podemos mesmo antecipar.

Um Ano Novo mais consciente de quem se e, mais confiante em si proprio, para melhor decidir, escolher e antecipar, e o que desejo a todos os que aqui passam na vida na Terra.



domingo, 6 de maio de 2018

A importância do geomonumento Água d'Alta no desenvolvimento turístico de Orvalho - Oleiros





A Água d’Alta era uma das propriedades preferidas do meu avô Jaime Dias, onde ia frequentemente fazer piqueniques com a família. 
De referir que Jaime Dias foi um empreendedor inovador do Orvalho nos anos 30 e 40, nos sectores da indústria (lagar hidráulico dos mais modernos, moagem e uma empresa de camionagem) e comércio (mercearia). 
Além disso, muito contribuiu para o desenvolvimento do Orvalho (ex.: estradas de acesso) e apoiou muito a comunidade. 
Morreu num acidente de automóvel em 1949 e os negócios foram decaindo a partir daí. No entanto, as propriedades ficaram, hoje na posse da minha mãe, Maria Alice Dias de Azevedo, como a Água d'Alta.

A Cascata das Fragas da Água d’Alta (Oleiros) é um geomonumento que faz parte de um geopark, neste caso a Geopark Naturtejo que, por sua vez, faz parte do European Geoparks Network e tem o apoio da UNESCO.

A Junta de Freguesia do Orvalho construiu os passadiços, que infelizmente arderam em Agosto último, mas não teve a delicadeza de informar a minha mãe da sua inauguração. Em vez disso, pressionou-a para vender a propriedade por um valor ínfimo.

O valor de uma propriedade não é apenas definido pela sua área, mas também e sobretudo, pela sua localização e, no caso da Água d'Alta, pela sua importância estratégica na região.
A propriedade da Água d’Alta, com os seus cerca de 4 hectares, é actualmente o ex libris da região e o maior impulsionador do seu desenvolvimento turístico (geoturismo e ecoturismo).

Esperamos que a Câmara Municipal de Oleiros reconheça que a nossa família não tem sido tratada com equidade relativamente aos outros munícipes de Orvalho (e posso prova-lo com diversos factos e situações), e finalmente apresente à minha mãe uma proposta justa e proporcional ao valor real da propriedade da Água d’Alta.  




sábado, 30 de dezembro de 2017

Europa: a necessidade de definir e identificar nacionalismo e populismo




A situação na Catalunha deixou-me perplexa. Tratou-se de um movimento nacionalista? A necessidade de soberania? Um ímpeto de rebeldia republicana?
Porque é que vemos comunidades dentro de países europeus a querer reanimar uma identidade própria?
Se perspectivarmos esta comunidade num plano mais alargado começamos a compreender a insatisfação actual dos europeus.

A forma como a CE e o Eurogrupo responderam à crise financeira de 2008 criou um enorme fosso entre as instituições e os cidadãos.
Depois de terem facilitado o comportamento irresponsável dos bancos, logo que a bolha estoirou, impuseram aos governos dos países, sobretudo os do sul, constrangimentos com consequências que nunca pensámos ver na nossa geração: famílias sem casa, níveis de pobreza, trabalho precário e escravo, etc.
A Grécia ainda sofre na pele esses constrangimentos, apesar de, em referendo, ter escolhido permanecer na Europa.

O que podemos, para já, identificar é a perda de confiança dos cidadãos nas instituições europeias e nos governos dos respectivos países.
O único país europeu que está a antecipar-se aos desafios de possíveis rupturas anunciadas é a França. Nesse sentido Macron é um visionário, um futurista, qualidade rara nos políticos actuais. O seu movimento "En Marche" é inovador, com forte implantação cívica, o que cria e fortalece laços comunitários e responsabiliza os próprios cidadãos. A sua perspectiva de Europa é a de uma Europa possível, mas que ainda não construímos.
Macron e "En Marche" mostra-nos o que é evidente: temos as tecnologias ao nosso dispor, só nos falta uma nova cultura.

As instituições e os políticos mantêm esta ilusão de que as pessoas esquecem como sempre esqueceram, e que em breve, se lhes voltarem a dar um rebuçado, voltam a votar nas mesmas fórmulas mantendo-os no poder.
Acontece que a informação e a comunicação já não lhes está subordinada, os cidadãos podem informar-se e comunicar entre si, e há registos, textos, vídeos.
A influência dos media tradicionais está a perder-se, os cidadãos já questionam os próprios media, sobretudo a televisão.
E como os políticos não são bons a antecipar desafios e a adaptar-se às novas realidades, reagem invariavelmente com a frase defensiva: aí vêm os populismos...

Vamos então definir populismo: aquelas promessas eleitorais para não cumprir; apresentar um programa e aplicar outro; festas e arruadas, em vez de reflexão e debates; outdoors de sorrisos forçados que só poluem visualmente; marketing superficial e inócuo.
O populista apresenta-se aos cidadãos como o herói que está do seu lado e que o vai salvar (ex.: desemprego, insegurança, etc.), apontando o dedo aos seus "inimigos", os responsáveis pela sua situação (ex.: imigrantes, o governo anterior, etc.).
Identificamos Trump, mas também o Brexit, os nacionalismos, e a generalidade dos políticos dos partidos tradicionais. 
Le Pen exemplifica o nacionalismo na base do populismo, a França alucinada (isto é, que só existe na cabeça de um grupo reduzido de pessoas), quando teve uma economia forte, uma liderança forte, no caso será De Gaulle. 

O antídoto para o populismo é a transparência e a responsabilidade. A abertura à participação cívica.

Quanto ao nacionalismo, se já foi útil bater nessa tecla, hoje já não vibra nos neurónios muito mais alerta e desconfiados dos potenciais eleitores.
Na Europa podemos mesmo dizer que já não faz sentido apelar a esse "orgulho nacional". A nossa defesa e resistência aos condicionalismos das instituições europeias já não se resolvem dividindo-nos, mas unindo-nos.
A Europa possível ´é aquela que construirmos, porque a actual está a desintegrar-se. Só as instituições não percebem. Ao próximo abanão financeiro, e vai haver um abanão financeiro, as respostas vão ser invariavelmente idênticas às de 2008 em diante, porque os políticos não aprendem nada e muito menos sabem antecipar-se e prevenir o pior.

Catalunha surge numa fase de transição de uma Europa de países condicionados para uma Europa de regiões e comunidades autónomas. É essa a tendência lógica. Não serão autonomias formais, políticas, mas económicas e culturais. Não terão fronteiras rígidas mas flexíveis. São fluxos de trocas de informação, de colaboração, que se cruzam num mapa mais amplo.
Se o que se passa na Catalunha é um movimento nacionalista, está fora do seu tempo.
Se é uma necessidade de soberania, juntem-se ao clube, Todos os países condicionados por Bruxelas sentem a mesma necessidade de voltar a ter algum controle sobre o seu futuro económico.
Se é uma rebeldia republicana, olhem para Portugal. Formalmente é uma república, culturalmente é um reino. Formalmente mantém uma elite influente (o sucedâneo da corte real, nobreza e clero próximos do Rei), culturalmente só respeita a ligação ao Rei na fórmula Rei-Povo, sem intermediários. O actual Presidente, pela sua própria personalidade, adaptou-se na perfeição a esse papel.
A fórmula que Catalunha precisa é a que for mais interessante para se antecipar, como região autónoma, aos desafios financeiros e económicos, e depois políticos (CE, BCE, Eurogrupo, etc.) que se avizinham.



sábado, 28 de outubro de 2017

Catalunha: porque é que a identidade se mantém tão simbólica e territorial?





A Catalunha, como país e república, apenas é reconhecida por outras autonomias que desejam a independência. Até ver, Escócia e Québec.

A UE nem quer ouvir falar de independências, só a palavra a arrepia. O Reino Unido também deve ter ficado arrepiado. Espanha treme e sofre.
O discurso emocionado de Pedro Sanchez no Senado revelou o que devem estar a sentir os espanhóis com a possibilidade de uma separação de uma parte da Espanha. Utilizou a palavra "mutilada" para Espanha e para a Catalunha.

Vários mapas vão-nos esclarecendo sobre o nº de regiões que também desejam tornar-se independentes.
Só em Espanha temos 3 autonomias com este projecto: a Catalunha, o país basco e a Galiza. 
O que me leva a pensar na importância da identidade cultural ainda hoje, como a identidade se mantém tão simbólica e territorial.

O poder central de Espanha argumenta que os catalães já tinham conseguido níveis elevados de autonomia, como o catalão como primeira língua oficial, além de uma economia próspera, etc.
E no entanto, parte dos catalães insiste em querer mais, querem ser reconhecidos como país e república. Como se houvesse aqui uma questão fundamental para a sua própria identidade.

Será a recusa essencial da monarquia? Ou da cultura castelhana que ainda simboliza autoritarismo? Ou uma necessidade vital de concluir a história de um reino antigo, Aragão? Ou uma questão essencialmente territorial?

E porque não considerar aqui o comportamento dos políticos, a corrupção política e institucional, não terá contribuído para esta demarcação cultural?
Quem hoje se reconhece verdadeiramente nas elites políticas e mesmo na monarquia?
É uma crise cultural mais profunda do que o poder central quer admitir.

Também me questiono se a UE, ao não respeitar a diversidade cultural e a especificidade económica de países e cidadãos europeus, permitindo até preconceitos culturais, humilhando países do sul durante a "austeridade" sobretudo a Grécia, não terá contribuído para esta necessidade vital de ver reconhecida, simbólica e territorialmente, uma identidade cultural.

Não seria óptimo se nos bastasse fazer parte de uma comunidade maior de europeus, e ver aumentadas as nossas possibilidades de segurança e prosperidade?
Acontece que esse projecto europeu não foi nesse sentido de valorizar os cidadãos europeus na sua diversidade. Impôs a sua cultura financeira e centralizada aos países, sobretudo os do sul. A Grécia ainda hoje sofre às custas dessa cultura e dessa organização obsoleta e desequilibrada.
Os partidos políticos convencionais também perderam credibilidade e legitimidade, começando a ser substituídos por movimentos reactivos e inflexíveis, a lembrar tempos pouco democráticos.
Digamos que há uma crise cultural e política a atravessar a Europa.


Voltando a este pequeno país sonhado:

Há especialistas de relações internacionais que consideram que o governo regional catalão não ponderou nas consequências económicas da sua iniciativa, nas consequências para a vida do dia a dia dos cidadãos.
Outros inclinam-se mais a responsabilizar o governo de Madrid que não soube gerir toda a situação.
Na lógica do poder (ler Arno Gruen) este torna-se mais perigoso quando começa a perder o pé. 
Havia motivo para aquela investida da Guardia Civil sobre manifestantes pacíficos?
Qual é a racionalidade da humilhação de uma comunidade? Detendo políticos, invadindo locais de voto?

A partir daqui, o que poderá acontecer?

Falta inteligência emocional nas elites políticas, a capacidade de empatia, de lidar com comunidades, com pessoas e as suas expectativas.
Agarram-se a textos, neste  caso a uma Constituição obsoleta e desequilibrada, um double bind.
Agarram-se à lei e a acordos assinados, como se eles próprios respeitassem a lei e os acordos.
Agarram-se à ameaça, à chantagem, à demonstração de poder e de força e, em último caso, à violência.

Pode a UE admitir outra demonstração de poder e de violência sobre uma comunidade pacífica?
Pelos vistos pode.

Como coloco sempre a hipótese do pior cenário, propus aqui uma nova estratégia inteligente de resistência pacífica, da rua para a consciência colectiva, utilizando todos os recursos ao nosso dispor, neurónios e novas tecnologias.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Catalunha: a resistência pacífica passa da rua (simbólica e territorial) para a colaboração inteligente (consciência colectiva)




Tenho reflectido muito sobre o caso da Catalunha, o que me tem levado a reler Arno Gruen ("A Loucura da Normalidade", "A Traição do Eu", "Falsos Deuses").
A sua análise da lógica do poder é muito útil para perceber os estratagemas que utiliza para manipular, condicionar, dominar, destruir.
Já vimos a chantagem, a ameaça, a destruição de boletins de voto, a invasão de locais de voto, a agressão de manifestantes, a detenção de lideranças políticas e de Mossos de Esquadra.

A estratégia de manifestações pacíficas na rua, cordões humanos, simbólica e territorial, já não é eficaz aqui. Apenas servirá detenções, agressões e, pior do que isso, eventuais mortes.
No meio da agitação da rua surgem pequenos grupos violentos que se alimentam da violência e que aproveitam os tumultos para aumentar a violência.

A resistência pacífica tem de ser inteligente e passar a outro patamar, uma plataforma que utilize todos os recursos ao dispor dos cidadãos, a sua inteligência colectiva, consciência colectiva, colaboração, novas tecnologias de comunicação.
A inteligência colectiva, com a utilização optimizada das novas tecnologias de comunicação e das redes sociais é a estratégia mais eficaz.

A lógica do poder é mais perigosa quando começa a perder o pé. E a activação do art. 155 é a prova da sua fragilidade actual. 
Depois do seu discurso o rei nunca mais será reconhecido como rei na Catalunha. E é aí que a legitimidade reside: na consciência colectiva.
O seu discurso não inclui a comunidade catalã, as pessoas que encheram as ruas, as pessoas que queriam votar. Ao não as reconhecer como interlocutores e apenas referir a rebeldia do governo catalão, passou a não ser reconhecido como rei pelas pessoas. Isso foi verbalizado: "não falou para nós... só falou para os espanhóis". A fractura acentuou-se.  

Se o governo catalão não soube prever e evitar os problemas que iria criar à sua comunidade autónoma, saltando por cima de uma constituição obsoleta mas ainda activa, Madrid errou clamorosamente. Revela tiques culturais de um tempo que a sociedade espanhola julgava ultrapassado, e vai ser confrontado internamente com essa tendência autoritária.



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O grande equívoco





Este é o nosso grande equívoco, caros concidadãos. Ter sequer imaginado que esta solução de governo socialista, com o apoio parlamentar da esquerda, tinha realmente sentido de responsabilidade e preocupações sociais.
Como se percebe hoje, com trágicas consequências, tão trágicas e inimagináveis consequências, este governo não tem sequer noção da responsabilidade que implica gerir a segurança e a protecção de vidas humanas e de recursos colectivos e pessoais.

Não apenas o PM não mudou nada desde a tragédia de Pedrógão, não demitindo a ministra da Administração Interna e a sua equipa, como não queria mudar (imagine-se!) depois da segunda tragédia de 15 de Outubro. 
E não foi só não ter mudado e não querer mudar, foi a total ausência de responsabilidade pessoal e de empatia que revelou, sobretudo depois da segunda tragédia. 
E não esquecer que entre estas duas tragédias o país ardeu durante todo o Verão e as aldeias continuaram a defender-se praticamente sozinhas. 
E não esquecer igualmente o caso grave, em termos de segurança nacional, de Tancos, novamente sem a demissão do ministro da Defesa. 

Este governo irresponsável e incompetente vai manter-se em funções porque os partidos que o apoiam, a esquerda que era suposto preocupar-se com os cidadãos em situação de maior fragilidade, o vai segurar.
Estes partidos, BE, PCP e PEV, acabam de revelar a sua verdadeira cultura mesquinha e profundamente territorial. 
É-lhes indiferente a perda tão trágica de vidas humanas, no maior desamparo possível e inimaginável, e o sofrimento das famílias. É-lhes indiferente que o centro do país, e parte do norte, esteja agora em cinzas. 
Não se questionam um segundo terem sido também co-responsáveis pelas duas grandes tragédias, pela perda de recursos colectivos e pessoais. Porque, na sua insensatez e irresponsabilidade, colocaram à frente da maior privação de todas, a vida, as reivindicações corporativas do seu eleitorado. Colocaram à frente da destruição do trabalho de uma vida, casas, fábricas, empresas, os aumentos salariais e os horários dos sindicalizados. Colocaram à frente da destruição dos recursos colectivos que demorarão a repor, o seu grupo de apoio.

Uma jornalista, Helena Garrido, quis colocar todos os cidadãos nessa responsabilidade (culpabilidade) colectiva. Está igualmente equivocada. Os jornalistas têm muito mais responsabilidade do que os cidadãos, pelo acesso a informação fidedigna e a filtros da informação pouco fiável. Informação que seria muito útil aos cidadãos para melhor se prevenirem, defenderem e protegerem.
E porquê? Porque os jornalistas, sobretudo os do canal público, escolheram replicar a versão oficial do governo sobre os incêndios e até, pasme-se!, enganá-los com investigações duvidosas e cínicas. Uma árvore onde caiu um raio? Uma empresa de aviões ou de helicópteros? Apenas a Sic abordou o que todos escondem. 
Portanto, queiram ou não aceitar essa parte de responsabilidade, também os jornalistas são co-responsáveis, embora numa escala menor à do PM, do seu governo, da AR, da administração pública em geral, da Procuradoria-Geral, dos lóbis corporativos e negociatas, de uma cultura de casta privilegiada

Quanto aos grupos de cidadãos preocupados apenas com a sua vidinha pessoal, a tal cultura corporativa, numa altura em que se esperava uma mobilização colectiva na sequência de Pedrógão e do país a arder, lembrar os grupos de cidadãos anónimos que acorreram às localidades afectadas a oferecer ajuda na reconstrução e com bens essenciais. 
É esse país comunitário que nos interessa preservar. O importante não é calcular se é maior ou menor em dimensão ao país da cultura corporativa. Esse país comunitário existe, está vivo, essa consciência colectiva que nos permitiu sobreviver até hoje como comunidade antiga.

De responsabilidade estamos conversados, não acham? E de empatia também. A capacidade fundamental de sentirmos na própria pele e na alma o sofrimento e o desamparo. Essa capacidade fundamental, tão ausente na maioria dos gestores políticos de sucessivos governos mas tão evidente no actual, assim como nos deputados da AR sobretudo nos de esquerda. 
Arno Gruen fala-nos da lógica do poder e da alienação social n' "A Loucura da Normalidade" (Assírio e Alvim) e em "Falsos Deuses" da Paz Editora. Vale a pena ler e reler.

Ontem Santana Lopes apresentou a sua candidatura à liderança do PSD. Lembro-me bem do seu governo e de como foi cercado diariamente nos jornais, até mesmo pelo Público da altura, e pelos canais televisivos. Lembro-me bem de ler um livro enigmático de um filósofo, José Gil, saído nessa altura para completar o ramalhete: "O medo de existir".
O Presidente à época é o responsável pelo governo socrático que se seguiu. Portanto, aqui já temos um Presidente, os jornais e os canais televisivos, um filósofo, a máquina socialista e, podemos daqui deduzir, outras entidades influentes do regime corporativo que nos tem condicionado.
"O medo de existir" do filósofo, que saiu nesses poucos meses do governo de Santana Lopes, evoluiu para "a não inscrição", já durante o governo socrático.
O governo socrático levou-nos ao governo-troika (passismo). O governo-troika acabou por nos levar a acreditar numa escapatória, o grande equívoco, esta solução governativa (mistura híbrida cultura socrática e passista).
Será que Santana Lopes pode ainda provar que é possível regenerar a cultura de um partido? Não se trata de o virar para o passado, embora no seu discurso o fosse visitar, sobretudo os seus valores essenciais. 
Muito inteligente a utilização frequente do verbo "clarificar".
A perspectiva de futuro que apresentou, a partir do trabalho com equipas de jovens competentes no seu campo científico e tecnológico, pareceu-me viável e credível. 
A imagem que passou é a de um homem mais maduro, consistente, experiente, capaz de ouvir e de aprender (fundamental hoje), e de se adaptar aos novos desafios. O seu lado juvenil ajuda-o a interagir com os mais jovens. A sua capacidade de auto-avaliação, do que conseguiu e do que não conseguiu fazer, permite-lhe o contacto com a realidade. O ter sido maltratado na sua vida política (pelo Presidente à época, pelo jornalismo nacional, etc.), deu-lhe resistência e maturidade. A motivação é evidente, está ali com os dois pés. Agora é o caminho a percorrer até às eleições directas.
Uma vez regenerada a cultura política do PSD e reorganizado o partido, já será possível ver uma oposição na AR com mais credibilidade e consistência. De modo a que a gestão do governo possa ser melhor avaliada.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Uma solução que ajudaria a recuperar a confiança e a esperança seria a substituição deste governo




A reparação às vítimas e às famílias afectadas é simplesmente impossível. Acompanhar a sua dor, ouvir, ou estar, simplesmente.
Casas, memórias, fábricas, o trabalho dedicado de populações laboriosas, podem reparar-se apenas com indemnizações?
Recursos colectivos de um país esquecido e abandonado, destruídos sistematicamente pelo terrorismo incendiário sem que se tenha sequer assumido essa realidade, podem reparar-se enquanto este governo se mantiver em funções? Não podem. 

A Assembleia da República tem condições, neste momento, de encontrar uma alternativa viável, quando dali não saiu sequer uma perspectiva da realidade do país? Não tem. Teremos de aguardar pela reformulação e reorganização do PSD.


A meu ver, um governo provisório, constituído por pessoas experientes da sociedade civil, que nos levasse até às próximas legislativas era o ideal na nossa actual situação de desmoralização e insegurança.

Desafios a curto-prazo: prevenção de situações de risco (a Protecção civil sob a tutela das forças armadas); a investigação para melhor prevenção com agilização legislativa da Justiça; mobilização de recursos e apoios para reconstrução de habitações, fábricas e empresas.

Contrariamente à opinião de uma comentadora de serviço para controle de danos, na RTP3, que "somos bipolares", considero que somos fortemente comunitários e essa tem sido a nossa hipótese de sobrevivência a sucessivos governos incompetentes. Sobrevivemos ao gonçalvismo, ao soarismo, ao cavaquismo, ao guterrismo, ao barrosismo, ao socratismo, ao passismo. Mais difícil e doloroso será sobreviver a esta mistura híbrida socratismo no marketing e na arrogância, passismo nos preconceitos culturais e na ausência de empatia.


Um governo provisório seria uma solução que poderia ajudar a recuperar a confiança e a esperança. 



Sem confiança não há esperança





A confiança, uma vez perdida, não e recuperada. 
E sem confiança não há esperança.

E esta a nossa triste realidade hoje: 


- alguém confia na capacidade do governo actual de passar a ser eficaz na protecção civil, na segurança, na prevenção?

A prevenção implica investigação, antecipação, adaptação. 
A policia judiciaria só deteve casos psiquiátricos de um perfil que definiram. 
A versao oficial do governo agarrou-se à negligência. 
A comunicação social serviu esta informação oficial que oculta, confunde, manipula. 
Apenas a Sic teve a coragem de revelar o crime organizado, a industria do fogo, o terrorismo florestal. 
A Galiza descobriu a principal origem dos incêndios em poucos dias e organizaram-se manifestações. Nós continuamos a ser os cordeiros sacrificiais de governos incompetentes.

- alguém confia na capacidade da Assembleia da Republica encontrar uma alternativa viável a este governo? Cada grupo parlamentar funciona como representante de lóbis de segmentos sociais, de interesses corporativos. 

A sua cultura de grupo não lhes permite ver o país e os seus cidadãos na sua dimensão global, definir prioridades, mobilizar recursos, antecipar desafios, minimizar riscos.
Na questão essencial dos incêndios florestais continuam a papaguear alterações climáticas, limpeza da floresta, ordenamento do território. Ao não referirem o crime organizado como a origem principal dos incêndios perderam a credibilidade.

Os cidadãos merecem governos competentes e políticos decentes. 
O PM recusou-se a demitir a ministra e o secretário da Administração interna depois da tragédia de Pedrógão.
Este governo só apresentou resultados na economia e nas finanças e o PM andou a gabar-se da proeza na campanha eleitoral das Autárquicas, já depois da tragédia de Pedrógão. 
O PM, depois da segunda tragédia, só pediu desculpa às vítimas e demitiu a ministra e o secretário de Estado depois do ultimato presidencial.

Os cidadãos podem legitimamente exigir a demissão deste governo e a dissolução desta Assembleia da República.

Os cidadãos podem legitimamente exigir a eliminação de serviços-empresas-negociatas que têm servido para destruir vidas humanas e recursos colectivos.
Os cidadãos podem exigir legitimamente a redução, nos seus impostos, dos ministérios da Administração interna e da Justiça, e de instituições como a Procuradoria-Geral. 

Todos juntos e organizados podemos tratar da nossa própria protecção e segurança, contratar técnicos competentes, criar associações e comunidades criativas, encontrar soluções eficazes e inovadoras.

Não estamos condenados a sustentar os nossos piores adversários para sofrer, empobrecer e morrer. 


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O futuro é humano?





A Vida na Terra dedica vários posts a este magnífico planeta que nos tem suportado e sustentado.

Inevitavelmente teria de falar de equilíbrio, a chave da vida. Os organismos sobrevivem num determinado ambiente. Há uma capacidade de adaptação a ambientes adversos, mas até essa adaptação tem um limite.
Também os humanos se têm adaptado a ambientes adversos: poluição, alterações na qualidade dos alimentos, químicos tóxicos, vagas de calor e seca, inundações, e outros desafios.

Inevitável também falar de política e economia, a chave das decisões essenciais para os humanos e a sua sobrevivência.
Aqui a chave também está no equilíbrio e na sustentabilidade.
Isto implica uma mudança cultural profunda que está nas mãos das novas gerações. Para isso precisam de descodificar a cultura tecnológica financeira actual disfarçada de benéfica e amiga dos humanos.
O que esta nova cultura propõe não valoriza os humanos, o que é intrinsecamente humano. O desenho do futuro que nos propõem, em propaganda institucional e empresarial, não serve aos humanos, aos direitos humanos, ao valor inalienável da vida humana. E não só humana, também das outras espécies, os seres vivos que nos têm acompanhado nesta aventura humana.